‘Não adianta querer abrir uma padaria e não saber fazer pão’
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‘Não adianta querer abrir uma padaria e não saber fazer pão’

Para Eduardo Gallo, fundador da Service IT, conhecimento é essencial para empreender; companhia faturou R$ 90 milhões em 2017

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04 Maio 2018 | 07h37

Eduardo Gallo. Foto: Luciana Prezia

Matheus Riga
ESPECIAL PARA O ESTADO
Ter coragem de assumir riscos e conhecer bem o seu produto são aspectos importantes para quem quer empreeender. Para o presidente e fundador da consultoria de tecnologias da informação Service IT, Eduardo Gallo, foram exatamente esses fatores que o impulsionou a montar seu próprio negócio, que faturou R$ 90 milhões no ano passado e, em 2018, pretende chegar aos R$ 120 milhões.

O sentimento de empreendedor surgiu em Gallo quando ele viajou pela Europa antes de terminar sua graduação em ciências da computação. Sem auxílio financeiro dos pais, sem celular e longe de casa, teve de se adaptar à sua nova realidade. “Ter de vencer e viver fora do meu habitat natural foi minha primeira fagulha de empreendedorismo”, afirma.

Com o espírito de empreendedor, e o curso de graduação finalizado, Gallo conseguiu o sonho de qualquer estudante de ciências da computação: um trabalho na empresa de informática IBM. “Na época, era a maior empresa de tecnologia do mundo”, diz. “É uma companhia gigante, que valoriza muito os seus funcionários.”

Mudança

Após cinco anos dentro da IBM, Gallo foi transferido de Porto Alegre, onde morava, para o Rio de Janeiro e São Paulo quatro vezes pela empresa. Quando retornou para a capital gaúcha, se reuniu com alguns colegas para tentar fazer algo diferente.

A grande oportunidade que enxergou foi entregar rapidamente projetos de soluções tecnológicas para os clientes. “Qualquer empresa gigante tem muitas regras e processo”, afirma. “Achei que poderia ser mais rápido fora.” Segundo Gallo, o que ele queria era ter mais espaço para trabalhar à sua maneira e logo abriu a Service IT.

Acompanhado de mais três colegas da IBM, Gallo fundo em 1995, a Service IT. “Queríamos vender produtos, mas também agregar serviços”, afirma. Além de oferecer a infraestrutura tecnológica, inicialmente equipamentos da IBM, sua empresa também fazia a instalação.

Foco

Os sistemas físicos que estão por trás da operação de uma empresa eram o foco da Service IT. Não só os equipamentos, mas também a instalação de servidores internos, rede de comunicação, banco de dados, backup eram os principais serviços da empresa no seu início. Depois de duas décadas, esse tipo de projeto de implementação continua forte e constitui 70% da receita da empresa.

Com uma carteira de clientes sólida no Rio Grande do Sul, a Service IT, a partir de 1997, começou seu processo de expansão pelo País. Além de ter um escritório em Porto Alegre, ela também se instalou em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. No exterior, tem filiais em Buenos Aires, na Argentina, e Santiago, no Chile.

O que permitiu essa expansão, segundo Gallo, foi se especializar em um único produto tecnológico, sempre agregando serviços. “A gente sempre trabalhou com um sistema específico da IBM (RS/6000) no começo”, afirma. “Depois fomos adicionando novos produtos e fabricantes.”

Para Gallo, a especialização do seu negócio em um único sistema foi essencial. “Quando você vai empreender, tem de saber o que está fazendo”, diz. “Não adianta querer abrir uma padaria e não souber fazer pão.” A Service IT, segundo ele, se tornou referência por sua expertise, o que ajudou a captar novos clientes durante os anos.

Expansão

Com a expansão da empresa para outras cinco cidades, e um portfólio de 3.000 clientes, a Service IT decidiu focar em outras áreas de atuação e outros produtos.
Até 1999, trabalhava apenas com produtos da IBM, com quem tinha uma boa relação, já que seus sócios trabalharam lá. Com o tempo, outras companhias, como a Oracle e Dell, também viraram fornecedoras.

Apesar de a exclusividade a uma empresa gerar mais benefícios, Gallo diz que o foco no cliente foi o que impulsionou sua empresa a buscar outros fornecedores. “Nossa empresa sempre teve o projeto que o cliente queria comprar, e não o que eu queria vender”, afirma.

Segundo o empreendedor, ser uma empresa “multivendas” permite que o serviço seja mais personalizado para a demanda de cada cliente. “Nossos técnicos conseguem montar soluções profundas, que mesclam Dell, IBM e Oracle”, afirma.

Gallo conta que atrair e manter talentos capazes de pensar em soluções integradas é o maior desafio do seu negócio. “O mais trabalhoso é conseguir ter pessoas com um excelente conhecimento”, diz.

Equipe

Para o empreendedor, a Service IT só chegou ao patamar que chegou por conta dos seus funcionários, que pensam no cliente e suas necessidades.

Outra mudança dentro da Service IT foi ir além da implantação da infraestrutura tecnológica. Hoje, a empresa também tem softwares que monitoram a performance de todos os equipamentos instalados.

A perspectiva para 2018, porém, está no segmento de cibersegurança. Com a aquisição da empresa gaúcha de defesa digital Defenda em 2017, a Service IT quer impulsionar sua nova unidade de negócio. Com a adição desse setor, Gallo prevê faturar R$ 120 milhões neste ano.

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