‘Não se controla o que não se gerencia’

‘Não se controla o que não se gerencia’

Depois de trabalhar como office boy e motorista, jovem criou empresa especializada em coleta e entrega de documentos

Claudio Marques

08 de junho de 2014 | 08h12

Cris Olivette
O primeiro contato de Thiago Oliveira com o mundo dos documentos ocorreu quando trabalhou como office boy. “Percorria São Paulo de ônibus levando documentos de uma empresa para outra. Quando completei a maioridade, pedi emprestado o carro de um amigo para prestar serviço em uma empresa.”

Oliveira diz que com o tempo, notou que essa empresa priorizava o transporte de mercadorias, enquanto malotes com documentos eram deixados um pouco de lado. “Montei o projeto de uma empresa especializada na coleta e entrega de documentos, só faltava o capital, que consegui com um amigo. Em 2003 criei a IS Logística com R$ 17 mil.”

No início, ele só prestava serviço na capital paulista, depois, estendeu a operação para o interior. Hoje, está em 21 Estados, possui frota própria com mais de 120 veículos e emprega 300 pessoas. “Realizamos oito mil coletas e entregas por dia. Por meio de um aplicativo que desenvolvemos os clientes acompanham a entrega de suas remessas em tempo real.”

Segundo ele, com exceção de dinheiro e cartas em geral, a IS Logística transporta todos os tipos de documentos corporativos, como notas fiscais e contratos. Ele afirma que até o momento, o uso de certificado digital não interferiu em suas demandas. “Mas temos essa preocupação e estamos pensando em estratégias para os próximos seis anos, incluindo o desenvolvimento de novos serviços.”

Oliveira conta que desde que o negócio foi criado, o momento mais difícil ocorreu há dois anos. “Meu sócio deixou a empresa e tive de comprar sua parte. Além do baque financeiro, fiquei com uma estrutura muito grande e tive de expandir a empresa para vários Estados. Pode parecer loucura, mas abrindo novas filiais, atraí mais clientes. Foi assim que passamos a atuar em quase todo o Brasil e conseguimos nos recuperar.”

Oliveira diz que nessa época, contratou um consultor para ajudá-lo. “Depois disso, aprendi muito. Hoje, sei que não se controla o que não se gerencia. Isso foi fundamental para o meu crescimento e para o crescimento da empresa. Agora, até o pessoal da limpeza tem indicador de desempenho.”

Segundo ele, em 2013 o negócio viveu um boom por conta da profissionalização da empresa. “Implantamos gestão de rotina, definimos indicadores de desempenho para todos os departamentos, metas, bonificação por resultado, etc.”

Oliveira diz que sua postura empreendedora começou a ser construída quando enxergou uma oportunidade e a agarrou. “Não acredito que a pessoa nasça com perfil empreendedor, mas que ele é desenvolvido ao longo do tempo.”

Aos 34 anos, o empresário está à frente do grupo Oliveira, que tem a IS Logística como negócio principal. “O grupo congrega outros três negócios. Cada um tem sede e operações independentes.”

Faz parte do grupo as empresas Proseftur, especializada na habilitação e controle de intervenientes aduaneiros, Studio Fiscal de consultoria empresarial, que oferece soluções em auditoria fiscal e planejamento tributário. E a New Line, que atua na área de cosméticos.

Para administrar os negócios, ele conta com uma equipe qualificada. “Alguns começaram comigo, outros vieram do mercado. O modelo de gestão profissionalizada me ajuda a tocar as quatro empresas. Também conto com o apoio de minha mulher, Fabiane”, ressalta.

Para quem sonha em empreender, Oliveira diz que fazer um bom planejamento é essencial. “Fui descobrir isso só depois que o negócio já estava em operação. Também é importante controlar tudo por meio de processos padronizados e gerar indicadores, porque não se controla o que não se gerencia.” Ele recomenda, ainda, que quando for necessário o empresário deve buscar consultoria.

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