Negócios crescem com lojas operando em rede social

Negócios crescem com lojas operando em rede social

Plataformas específicas ajudam pequenos a ampliar a abrangência do negócio e trabalhar com pagamento parcelado via cartão

CRIS OLIVETTE

15 de novembro de 2015 | 07h07

15.11 vander alcantara de oliveira dono da brasil aventuras trilhas e rapel

Há 25 anos, a Aventuras Brasil Trilhas e Rapel, fundada por Vander Alcantara de Oliveira, oferece viagens de ecoturismo e turismo de aventura. “Em 2013, aderi a uma plataforma de social commerce e criei uma loja no Facebook. Antes, não tinha como vender em 12 vezes como agora com a plataforma, que é integrada ao PagSeguro.”

Oliveira conta que quando iniciou o negócio, todo o dinheiro que entrava era usado para comprar equipamentos. Nessa época, sua renda mensal era de R$ 1,5 mil. Hoje, com o negócio estruturado e impulsionado pela rede social, tem renda superior a R$ 10 mil. “A empresa cresceu mais de 100% e a venda no cartão ajudou muito.”

O empresário diz que realiza viagens e aventuras que podem durar um dia, ou todo o período de um feriado prolongado. “Agora, tenho agenda para todos os finais de semana, muitas vezes com dois destinos. Nessas ocasiões, contrato até 14 funcionários temporários.” Segundo ele, seu serviço é bem recomendado na rede social. “As curtidas e o boca a boca digital surtem ótimos resultados.”

A dona da empresa de desenvolvimento digital WV Todoz, Cynthia Akao, tem entre os produtos de sua agência a plataforma Facílime, que permite a criação de loja dentro da rede social. “Esse tipo de plataforma tem permissão de integração com o Facebook, mas a rede social não têm nenhum vínculo com as lojas”, esclarece.

Outro empresário que ficou surpreso com o retorno decorrente da inserção de sua empresa, a Peças Troller 4X4, na rede social é Julio Ciriaco Vieira. Ele conta que o negócio foi criado há dois anos.
“Praticamente todas as minhas vendas são feitas pela loja dentro do Facebook. As que não são feitas por lá, normalmente são para pessoas que foram redirecionadas da rede social para o meu e-commerce.”

O dono da Peças Troller 4X4, Julio Ciriaco Vieira

O dono da Peças Troller 4X4, Julio Ciriaco Vieira

 

Vieira diz que a inspiração para criar a empresa surgiu quando trabalhava em uma oficina especializada nos modelos 4×4. “Percebi a dificuldade que os donos do modelo Troller tinham para encontrar peças. Criei o negócio voltado só para esse modelo de veículo e supri essa necessidade do mercado.”

Segundo ele, o negócio começou muito pequeno, sem capital de giro e sem estoque. “Posso dizer que crescemos mais de 80%. Hoje, temos todos os itens em estoque e operamos com pronta entrega. Este é o nosso diferencial. Em dois anos, consegui montar um estoque que tem alto giro e obtive muitas visualizações, ampliando minha carteira de clientes.”

O empresário diz que na rede social existem cerca de 20 comunidades Jeep e Troller. “Minha loja faz parte de todas elas, o que facilita a divulgação. Meus clientes compartilham a página da loja e fazem indicação aos amigos. “Confesso que fiquei surpreso com a velocidade do crescimento do negócio.”
Ele conta que mantém o cadastro dos clientes atualizado para o envio de e-mail marketing e realização de trabalho de fidelização. “Mais importante do que vender é ganhar o cliente para que ele volte a comprar em minha loja”, avalia.

Fundada há 17 anos, em Limeira, a Papa Rica marca presença no canal digital desde o ano passado, quando aderiu a plataforma de social commerce da Nuvem Shop. “Em 2014, criamos e-commerce e loja no Facebook, dessa forma, pudemos ampliar nossa área de atendimento”, afirma um dos sócios, Rodrigo Cavalheiro.

Rodrigo Cavalheiro, sócio da Papa Rica

Rodrigo Cavalheiro, sócio da Papa Rica

Ele diz que o faturamento cresceu cerca de 20% desde que passou a vender pela internet. “Neste ano, uma cliente já consumiu mais de R$ 5 mil em papinhas para o bebê. Ela faz pedidos todas as semanas.”
O empresário diz que com a venda pela internet passou a atender 20 cidades da região. “A mais distante é Valinhos, que fica a 60 km de Limeira”, conta.

Segundo Cavalheiro, os alimentos são 100% naturais e não levam aditivo químico. “Temos logística própria de distribuição e para clientes de outras cidades mandamos produtos congelados, com validade de 60 dias. Nossos produtos têm respaldo nutricional.”

A Papa Rica tem 25 funcionários e vende cerca de 13 mil unidades por mês. “No futuro, pensamos em montar um centro de distribuição para podermos chegar a cidades mais distantes. Outra possibilidade de expansão seria por franquia.”

Novata. A loja Baú Blau Brinquedos e Brincadeiras foi lançada há dois meses por Cláudia Graner. “Criei a loja no Facebook usando a plataforma Facílime que é super intuitiva e não requer nenhum conhecimento de HTML. Consegui montar a página bem rápido. É tudo muito fácil.”

Cláudia Graner, do Baú Blau Brinquedos e Brincadeiras

Cláudia Graner, do Baú Blau Brinquedos e Brincadeiras

Ela diz que há um mês passou a investir em publicidade na rede social e tem tido bom retorno. “É legal porque o pouco que investi já está dando resultado. O pessoal está começando a comprar.” Segundo ela, o fato de a plataforma ser integrada ao PagSeguro é um grande facilitador. “E quem já tem o domínio do nome da marca na internet, como é meu caso, pode vincular a loja da rede social ao site da empresa, que também funciona como e-commerce.”

Cláudia conta que também tem uma plataforma de financiamento coletivo para esporte. “A venda de brinquedos de madeira e educativos do Baú Blau é um negócio que mantenho com minha irmã, que mora no Peru. Queremos focar muito nas brincadeiras. O brinquedo deve ser só um acessório. A cada compra, enviamos junto com os produtos cartelas que ensinam brincadeiras antigas. São essas atividades que desenvolvem a inteligência emocional nas crianças e incentivam as atividades físicas.”

 

Canal aproxima o cliente e promove relação de confiança

Sócia da agência de desenvolvimento digital WV Todoz, Cynthia Akao diz que a primeira vez que ouviu falar em social commerce foi em 2010, lendo uma revista americana. “Na matéria, um empresário dizia que seu negócio tinha crescido 300% com a criação de loja em uma rede social. Denis, meu irmão e sócio, e eu ficamos muito interessados”, conta.

Cynthia Akao, idealizadora do Facílime

Cynthia Akao, idealizadora do Facílime

 

Depois de pesquisar e estudar o assunto, criaram a plataforma Facílime, lançada em 2011. “Quando o PagSeguro viu nosso produto, nos propôs parceria, pois a marca ainda não estava presente em uma plataforma de social commerce.”

Hoje, o negócio tem mais de 52 mil lojas cadastradas. “Lógico que existe rotatividade de lojistas, mas a demanda está crescendo e as pessoas estão aprendendo a trabalhar melhor as lojas. Fazemos trabalho de educação sobre como anunciar e divulgar. Passamos dicas e realizamos workshops periódicos.”

Cynthia afirma que atualmente há cerca de 15 empresas concorrentes no mercado. “Mas algumas são voltadas para negócios de médio e grande porte, e cobram valores bem superiores. Nós oferecemos plano mensal, trimestral e semestral. O custo mensal equivale, respectivamente, a R$ 50, R$ 45 e R$ 35.”

A empresária conta que no Brasil quase não há dados de social commerce. “Mas lá fora, esse tipo de ferramenta está crescendo muito e a tendência é de crescer cada vez mais, assim como o e-commerce, que continua em alta aqui no Brasil mesmo nesta época de crise.”

Segundo ela, a parceria com o PagSeguro foi muito importante para consolidar os negócios de micro e pequenos empresários. “Por ser um intermediador que tem credibilidade no mercado e oferece um sistema de pagamento que faz toda a análise de risco no momento da compra, além de manter os dados dos clientes em sigilo, o que dá mais segurança ao público.”

Ela conta que ao criar a loja no Facebook é possível utilizar os recursos sociais como curtidas e compartilhamento, além de usar a área social para divulgar a loja. “Mas é claro que é necessário fazer anúncios e marketing. O social commerce é um canal de relacionamento que leva o cliente a conhecer a marca e construir credibilidade. Depois disso, ele passa a se identificar com a marca, cria um laço e só então compra.”

Já no e-commerce convencional, segundo ela, o cliente entra em um site de pesquisa, digita o produto que deseja, recebe uma lista de lojas, compara os preços e compra. “Neste caso, ele já entra no site com a intenção de comprar. Pela rede social, cria relacionamento com a marca. O Facebook é um boca a boca digital que funciona por meio de recomendação.”

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