Negócios crescem e impulsionam outras atividades

Hotéis, restaurantes e academias colhem benefícios proporcionados por plataformas

CRIS OLIVETTE

04 Outubro 2015 | 07h36

Tiago Ferro (à esq.), criador da plataforma Lovelô e Márcio Torres Scomparin, um dos sócios da academia Les Cinq Gym

Tiago Ferro (à esq.), criador da plataforma Lovelô e Márcio Torres Scomparin, um dos sócios da academia Les Cinq Gym

Entre as contribuições que os negócios digitais proporcionam à economia, o mercado conta, também, com plataformas e aplicativos que ajudam a reduzir a capacidade ociosa de academias, hotéis e restaurantes. Além de levar mais clientes a estes estabelecimentos, as ferramentas servem de vitrine para promovê-los e ajudam a girar a economia.

Um exemplo é a plataforma Lovelô, criada por Tiago Ferro em agosto de 2014, que permite ao usuário circular por dezenas de academias, estúdios de pilates e aulas ao ar livre, praticando boxe, cross fit, muay thai, dança, corrida etc.

Ao se cadastrar no site da Lovelô, o usuário passa a pagar mensalidade de R$ 98,90 e tem acesso a oito mil aulas oferecidas por cerca de 60 academias parceiras, situadas na capital paulista. “Basta selecionar uma academia e reservar um horário para fazer a aula. O cliente pode frequentar a mesma academia três vezes por mês”, explica.

Segundo ele, o Brasil é o segundo País no mundo em número de academias. Só perde para os Estados Unidos. “Lá, as academia surgiram nos anos 1950. Aqui, foi a partir do final dos anos 1970. Mesmo com esse intervalo de décadas, quase alcançamos os EUA em número de academias, mas não em número de usuários.”

Ferro afirma que cerca de 17% da população americana faz alguma atividade física em academia. “No Brasil, são menos de 5%. Temos uma capacidade instalada gigantesca e pouca demanda. A ociosidade é muito grande. Então, ter uma plataforma que reduz essa taxa e ainda divulga as academias, interessa aos proprietários.”

A proposta de Ferro é oferecer uma ferramenta social para atividade física. “Queremos atrair pessoas que valorizam o aspecto social na hora de malhar. Tanto, que há um feed de notícias para acompanhar o que os amigos estão fazendo e convidá-los para atividades”.

Uma das parceiras da Lovelô é a Les Cinq Gym, de Márcio Torres Scomparin. “Criamos uma academia butique, que tem tíquete médio um pouco mais alto. A parceria cria oportunidade de experimentação e nos dá visibilidade. É muito favorável porque permite que mais pessoas possam usufruir de um espaço premium. O número de visitas tem sido considerável e 100% dos que experimentam, voltam”, afirma.

Max Campos, criador do Hotel Quando

Max Campos, criador do Hotel Quando

Já a plataforma Hotel Quando, criada por Max Campos, tornou possível reservar um quarto de hotel por três, seis, nove, ou 12 horas, pagando 40%, 45%, 65% ou 70% do valor de uma diária convencional, respectivamente. “Nosso público-alvo são executivos ou pessoas que estão na cidade e precisam de um hotel por poucas horas.”
Campos afirma que o negócio é bom para os hotéis porque a plataforma cria mercado.

“Pessoas que pagam por algumas horas não pagariam por uma diária. Estamos gerando novos negócios para o hotel. É um dinheiro novo que está entrando para o hoteleiro, que consegue rentabilizar a ociosidade dos quartos.”

Segundo ele, a ferramenta também beneficia a área corporativa, pois reduz despesas. “O público de lazer também está aproveitando a oportunidade. Pessoas da própria reservam hotel para usufruir de sua piscina, SPA, sauna e academia.”

Ele diz que hotéis das principais capitais do Brasil já fazem parte da plataforma. Ele ganha comissão por reserva confirmada. O valor varia de 12% a 15%. “Em um ano de operação, alcançamos 130 estabelecimentos. Esse número não para de crescer, assim como a quantidade de empresas cadastradas.”

Segundo ele, hoje, o serviço vai além dos quartos. “Também é possível reservar sala de reunião dos hotéis de forma rápida e nada burocrática. Basta acessar o hotel pela plataforma, informar quantas pessoas irão participar, horário de início e duração. A pessoa paga um preço justo e a confirmação é imediata.”

Campos espera terminar 2015 com 300 hotéis de todo o Brasil cadastrados. “Em paralelo, vamos iniciar processo de expansão, primeiro para a América do Sul e Estados Unidos. Nossa intenção é replicar o modelo em hotéis instalados no entorno dos principais aeroportos do mundo. Depois, nos grandes centros dessas capitais.”

Renata Ciotti, gerente comercial do Hotel Base Concept

Renata Ciotti, gerente comercial do Hotel Base Concept

A gerente comercial do Hotel Base Concept de Brasília Renata Ciotti diz que viu no Hotel Quando uma oportunidade de pulverização do nome da marca. “A ferramenta veio inovar o mercado oferecendo esse diferencial de vender por hora. Além de atender nossa estratégia de divulgar a bandeira”, diz.

Ela conta que esteve em Salvador para uma reunião com um consultor de hotelaria, que disse a ela que está implantando o Hotel Quando nos estabelecimentos da cidade. “Muita gente já sabe do portal. Recebemos várias ligações de pessoas que viram nosso hotel na plataforma. Os fundadores tiveram uma ótima sacada”, avalia.

Receita de restaurante aumento 20%

O diretor financeiro do restaurante Piselli, Fabiano Cunha, está muito satisfeito com o retorno que o aplicativo Experiences vem proporcionando. “Com ele, tivemos aumento de receita de 20%. E todos os clientes que vieram por meio da ferramenta retornaram e trouxeram novos fregueses. Tem sido uma parceria bem positiva”, diz.

O criador do Experiences, Josué Alencar, afirma que o objetivo do aplicativo, que entre outros serviços permite efetuar reserva em restaurantes de alta gastronomia, é proporcionar experiências únicas. “Nos propomos a agregar valor ao cliente final proporcionando uma experiência diferenciada através do uso de tecnologia”, conta.

Segundo ele, isso é feito de três formas. “A primeira é a reserva. Pelo aplicativo é possível conseguir reserva mesmo em locais difíceis. A segunda, é o atendimento.

Quando o cliente se cadastra no serviço, solicitamos que inclua uma séria de informações para que o atendimento seja personalizado. A terceira forma de agregar valor e que torna a experiência ainda melhor é em relação ao pagamento, que é 100% invisível, ajudando não só o cliente como o estabelecimento.”

Segundo ele, o sistema de cobrança do restaurante é integrado à plataforma. A partir de cadastro prévio do cartão de crédito do cliente, o débito é feito de forma automático no final da refeição. Ele afirma que consegue dar uma taxa melhor do que a oferecida pelas adquirentes (máquinas de cobrança). “Nossas condições são bastante competitivas”, diz.

Fabiano Cunha, diretor financeiro do restaurante Piselli

Fabiano Cunha, diretor financeiro do restaurante Piselli

Outro benefício do Experiences é o giro de público. “Há um estudo que aponta que o cliente perde 20% de seu tempo no processo de pagamento da conta. A burocracia atrapalha sua experiência. Para o restaurante também é ruim, porque precisa ter uma pessoa cuidando do fechamento e cobrança. Nesse período, outro cliente já poderia estar ocupando o local e consumindo”, afirma.

Alencar conta que o aplicativo tem avaliações muito positivas dos clientes e dos restaurantes parceiros. “Na minha opinião, os estabelecimentos aprovam o serviço por perceberem que têm um parceiro trabalhando junto, se o cliente sair satisfeito ele tem maior taxa de retorno, fidelização e retenção. É um aspecto importante para qualquer negócio.”

O empresário diz que faz curadoria dos restaurantes. “Os que constam na plataforma fazem parte de um grupo seleto.” A receita do negócio vem de uma taxa de R$ 19,90. “Se considerar que o tíquete médio é superior a R$ 500, cobramos menos de 5% da venda por três produtos: reserva, atendimento personalizado e pagamento invisível.”

Segundo o diretor do Piselli, o aplicativo proporciona grande comodidade aos clientes. Uma preocupação sobre a qual conversamos muito com o Alencar, é nosso desejo de deixar o cliente à vontade. É uma preocupação recorrente e o aplicativo complementou esse cuidado. O cliente se sente especial.”

Ele diz que ao chegar no Piselli, o cliente é recepcionado pelo nome, pois no ato da reserva o restaurante recebe a sua fotografia. “Também já sabemos o drink que ele gosta, os temperos de sua preferência, se é alérgico a algum alimento ou, ainda, se gosta de uma taça de espumante na recepção. É uma ferramenta a mais para que possamos dar uma experiência enogastronômica aos clientes.”

Alencar diz que a alta gastronomia está presente em 300 estabelecimentos do País. Ele pretende atingir 100 até o final do ano. “É um mercado que movimenta R$ 5 bilhões e conta com público de 20 mil pessoas.”