Negócios originais têm mais perspectiva de crescimento

CRIS OLIVETTE

08 de novembro de 2015 | 07h11

Mauricio Freitas (à esq.) tem uma unidade em Ribeirão Preto. A Direito de Ouvir foi fundada por Frederico Abrahão em 2011 e virou franqueadora em 2014, quando ocorreu fusão com a italiana Amplifon

Mauricio Freitas (à esq.) tem uma unidade em Ribeirão Preto da Direito de Ouvir, fundada por Frederico Abrahão em 2011. Marca virou franqueadora em 2014, quando ocorreu fusão com a italiana Amplifon

Quem pensa em entrar no universo empreendedor e busca a segurança oferecida por uma franqueadora, não dever descartar a possibilidade de atuar em segmentos pouco explorados, que têm baixa concorrência e oferecem boas perspectivas.

O empresário de televendas Mauricio Freitas buscava um plano B, como alternativa ao negócio familiar que mantém com o pai. “Vi uma oportunidade na Direito de Ouvir – especializada em aparelhos auditivos – por se tratar de uma franquia que é algo bastante estruturado. Também achei interessante trabalhar com o segmento de saúde, no qual não há crise. Sem falar no aumento da expectativa de vida da população brasileira.”

Convicto de que havia encontrado o negócio ideal, Freitas montou uma unidade da marca em 2014, no centro de Ribeirão Preto, região que conta com vários hospitais. Segundo ele, o resultado tem superado suas expectativas. “A cidade detém um mercado excepcional para atuar na área da saúde, e a tendência é melhorar com o passar do tempo, porque vamos ficar mais conhecidos.”

Para divulgar o negócio, recorreu à propaganda na televisão. “A demanda tem aumentado mês a mês. Como o comercial na TV abrange 100 cidades da região, temos bom potencial de expansão. Pretendo ter mais duas ou três unidades.”

O fundador da marca, Frederico Abrahão conta que criou o negócio em 2007. “Minha mulher concluiu a faculdade de fonoaudiologia e como eu já trabalhava com assistência técnica de celulares, acabei me envolvendo com assistência técnica de aparelhos auditivos.”

Abrahão diz que o passo seguinte foi comercializar os produtos. “Criei uma rede de representantes em todo o Brasil. Em 2011, comecei a estudar a possibilidade de criar a franquia. Isso se tornou realidade em 2014.”

Segundo ele, o rápido crescimento da Direito de Ouvir chamou a atenção da italiana Ampliafon, presente em 22 países e uma das maiores no ramo de franquias no segmento de prótese auditiva. “Fizemos uma fusão. Fiquei com 49% da operação e com o cargo de diretor da marca no Brasil”, conta. Para ser um franqueado o investimento inicial é de R$ 195 mil. Com cinco lojas abertas, marca pretende crescer 25% até o final de 2016 e abrir oito unidades.

Camila Soares é franqueada da Amiste Café

Camila Soares é franqueada da Amiste Café

Formada em economia, turismo e hotelaria, Camila Soares já trabalhou em hotéis, com exportação e comércio exterior. “Mas sempre procurei algo que pudesse me dar uma independência. Queria ter meu negócio. Acho que franquia é boa oportunidade para quem não sabe por onde começar, pois oferece o modelo pronto, suporte do franqueador e a chance de erro é menor”, afirma.

Desde 2013, ela é franqueada da Amiste Café – franqueadora na área de locação de máquinas italianas de café expresso e outras bebidas quentes – e atende clientes corporativos de toda a região metropolitana de Curitiba. “Tenho cerca de 90 empresas clientes, com 110 máquinas instaladas”, conta.

Camila está satisfeita com o negócio. “Ouço muita gente falar de negócios parados, mas o meu continua a crescer. Estou confiante para continuar investindo cada vez mais.”

O diretor de expansão da Amiste Café, Eduardo Vicente conta que a matriz instalada em Londrina tem 650 máquinas locadas em empresas da região. “E outras 450 máquinas foram alugadas pelas unidades de Maringá, Curitiba, Campo Grande e Belo Horizonte. No momento, está negociando unidades em Vitória e Recife”, diz.

Segundo ele, entre as vantagens de ser um franqueado da marca é não precisar ter ponto comercial em shopping ou em local de grande visibilidade, que exigem alto investimento. Para começar o negócio, o capital necessário é de R$ 120 mil, que dá direito a 15 máquinas.

Eduardo Vicente, sócio da franqueadora Amiste Café

Eduardo Vicente, sócio da franqueadora Amiste Café

 

“Mas o investimento total, ao longo de 24 a 30 meses é de R$ 350 mil. Porque o franqueado precisa ter de 110 a 120 máquinas para crescer.” Neste ano, a Amiste deve faturar R$ 4,5 milhões. Em 2016, espera crescer 30% em faturamento e fechar com três novos franqueados.

Outro negócio que não tem muitos concorrentes é o de recuperação do crédito de empresas e pessoas físicas. A Cred Limp, criada em 2014, virou franqueadora há três meses. “Com o agravamento da crise, a expectativa de crescimento é muito boa. Já temos quatro unidades em atividade, outra será inaugurada em um mês e 40 estão em negociação”, diz o fundador, Leonardo Lopes.

Ele diz que o franqueado vende os serviços. “Nossa equipe é que realiza todos os procedimentos para a recuperação de crédito, cobrança, revisão de créditos tributários e mapeamento fiscal. Na área financeira, elaboramos laudos revisionais para qualquer tipo de contrato bancário.”

Leonardo Lopes, fundador da Cred Limp

Leonardo Lopes, fundador da Cred Limp

Para ser um fraqueado atuando em home office, o investimento é a partir de R$ 17 mil. E para o modelo loja é necessário dispor de R$ 51 mil.

Projeto sob medida para áudio, vídeo e automação

Criada em 2010 por Paulo Alves e Sandro Barros, a Home & Tech tem loja conceito em Caxias do Sul (RS) e construiu sua história atendendo as cidades da Serra Gaúcha. “Em 2014, começamos a formatar a franquia, que foi finalizada há dois meses”, diz o diretor de expansão da marca e sócio da franqueadora, Daniel Gustavo Broilo.

Especializada no segmento de áudio, vídeo e automação, a Home & Tech tem outras linhas de acessórios como lareiras ecológicas e fechaduras biométricas. “Dentro de áudio e vídeo, trabalhamos com aparelhos de televisão super especiais como TVs curvas, 4k de altíssima definição, projetores full HD de alta resolução em 3D, telas de projeções motorizadas, inclusive acima de 100 polegadas. O diferencial do nosso negócio atrai cliente que busca um produto que não está nos magazines”, diz.

Daniel Broilo, da Home & Tech, que virou franqueadora há poucos meses

Daniel Broilo, da Home & Tech, que virou franqueadora há poucos meses

Segundo Broilo, a empresa cria projetos personalizados. “Estudamos a casa do cliente, o ambiente de instalação, dimensionamos a potência ideal dos equipamentos e trabalhamos com linhas de primeira qualidade. Nosso negócio não é simplesmente a venda dos equipamentos, mas o projeto em si.”

O empresário diz que o cliente chega até eles por intermédio do arquiteto, que sugere tecnologias de áudio, vídeo e automação. “A partir daí, integramos todo o sistema que inclui comando de climatização, persianas e criação de cenário de iluminação. Ao sair do trabalho, a pessoa pode programar a temperatura ideal de seu apartamento, a iluminação. E com a fechadura biométrica, libera a entrada de um funcionário à distância.”

A marca também trabalha com câmeras de segurança integradas a automação, que podem ser controladas e monitoradas à distância. “Não temos nenhum concorrente na área de franchising.”

Franquia. Broilo conta que já foi procurado por diversos interessados. “Estamos para assinar o contrato da primeira unidade na cidade de Gramado (RGS). Também temos interessados em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Estamos analisando o perfil do candidato para ver se o que oferecemos combina com o seu perfil.”

Ele diz que a loja master, com cerca de 130 m², é ideal para cidades com mais de 200 mil habitantes. “Neste caso, o investimento fica entre R$ 535 mil e R$ 725 mil. Para a loja Compact, a área necessária é de 75 m² e investimento entre R$ 355 mil e R$ 465 mil. Mas esses valores são de loja reformada e montada com todos os equipamentos, já incluindo a taxa de franquia e capital de giro” afirma.

A operação requer cinco funcionários e tem retorno entre 28 meses e 40 meses. “Treinamos os funcionários por duas semanas. Depois, oferecemos acompanhamento técnico na unidade, até que o franqueado tenha maturidade técnica. Ensinamos como fazer projetos e como instalar os equipamentos. Buscamos quem tenha afinidade com tecnologia.”

Broilo destaca que o segmento está em franca expansão, com média de crescimento acima dos outros negócios. “A projeção é de crescer 30% ao ano, conforme a Associação Brasileira de Automação Residencial e Predial (Aureside).

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