Nordeste é meca para abrir negócio

Nordeste é meca para abrir negócio

Ligia Aguilhar

21 de dezembro de 2010 | 13h25

Quer abrir um negócio e não sabe em qual cidade investir?  Na dúvida, vá para o Nordeste. É o que aponta um levantamento sobre o setor de serviços feito à pedido do Estado pela Cognatis, empresa de inteligência aplicada a negócios, com foco em geomarketing e em estudos estatísticos.

No último domingo, o Oportunidades publicou a primeira parte do estudo, na qual foram identificados os distritos paulistanos com mais potencial para receber novas empresas do setor de serviços em oito ramos de atuação: oficinas mecânicas, lanchonetes, academias, cabeleireiros, lavanderias, lojas de roupas, padarias e farmácias.  Nesta segunda parte, foram destacadas as cinco capitais brasileiras com mais oportunidades (veja infográfico abaixo) nesses mesmos setores.

O Nordeste é a região campeã em número de oportunidades, com demanda para todos os tipos de negócio contemplados no estudo.  Já o Sudeste aparece pouco, representado pela capital de São Paulo – terceira com mais carência de farmácias – e do Rio de Janeiro, que apresenta demanda por farmácias, loja de roupas e padarias.

O Centro-Oeste entra com duas capitais: Cuiabá, com espaço para novas academias, e Campo Grande, onde a demanda é por cabeleireiros.  O Sul não figura entre as cinco primeiras posições e o Norte foi excluído do estudo.  “Percebemos que é uma região com muita carência de todo tipo de estabelecimento, mas com muita informalidade, por isso, não conseguimos dados seguros para comparar com outras regiões”, diz Reinaldo Gregori, responsável pela pesquisa.

Apesar de o Nordeste apresentar renda total alta – o que muda, em relação ao Sudeste é o poder aquisitivo per capita, que lá é menor – o seu alto potencial para geração de novos negócios é explicado pelo volume populacional.  “Listamos negócios com pouca elasticidade, ou seja, a receita desses estabelecimentos não sofre alterações de acordo com a renda da população, mas sim, pelo número de consumidores”, explica Gregori.

O ranking das capitais foi feito por meio do cruzamento da renda total da população com o número de habitantes e de estabelecimentos formais em cada região.  E é justamente por isso que os especialistas recomendam um estudo mais aprofundado da concorrência e do perfil consumidor de cada capital antes da abertura de um negócio.

“Há muita informalidade no Nordeste e, como só estão disponíveis dados sobre estabelecimentos formais, é possível que exista concorrência maior do que a esperada”, ressalta.

O setor de serviços têm apresentado taxas expressivas de crescimento, destacando-se como grande gerador de empregos – 79 mil em novembro e 86 mil em outubro, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) – e participação cada vez maior no número de empresas constituídas na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) – 27% entre 1995 e 1999 e 38% entre 2003 e 2009.

A tendência de divisão do trabalho, além da economia em crescimento e da movimentação do mercado em torno da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, devem gerar cada vez mais oportunidades no setor. Só que para aproveitá-las os empreendedores precisam não só investir em um plano de negócios adequado, como estar preparados para lidar com dificuldades como o acesso ao crédito.

“Faltam políticas específicas para empresas do segmento de serviços, já que a ausência de ativos dificulta o acesso ao crédito”, diz o membro do Conselho Deliberativo da Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse), Vander Morales.  “Para conseguir dinheiro, muitas vezes o empreendedor precisa envolver seu patrimônio pessoal. ”

A saída para que esses entraves não prejudiquem o crescimento do setor e a geração de novos negócios, segundo Morales, é a criação de um marco regulatório para o segmento.

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