Novas ideias para melhorar velhas práticas
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Novas ideias para melhorar velhas práticas

Conhecer propostas inovadoras além de processos diferentes que deram bons resultados ajudam a manter o seu negócio em movimento

EDILAINE FELIX

01 Fevereiro 2015 | 10h46

Tania (dir., com sua sócia Andréa Freitas), aprendeu em missão aos EUA a melhorar a exposição dos calçados

Tania (dir., com sua sócia Andréa Freitas), aprendeu em missão aos EUA a melhorar a exposição dos calçados

Edilaine Felix

A empresária Tania Veronez Ribeiro é dona de uma loja de calçados na cidade de Franca, no interior de São Paulo, a Be.Tri. O empreendimento, que também atua por meio do comércio eletrônico em todo o País, começou com um investimento de R$ 80 mil e faturou R$ 300 mil em 2014, menos de dois anos depois da fundação.

Em janeiro deste ano, Tania esteve com um grupo de aproximadamente 200 empreendedores em Nova York participando da Retail’s Big Show, feira de varejo que reúne empresários do mundo inteiro, organizada pela National Retail Federation (NRF). Com a viagem, ela realizou um sonho: “Os Estados Unidos são referência em varejo e marketing, eu queria conhecer e entender como se faz negócio por lá”.

Na cidade americana, visitou estandes, participou de palestras e encontros. “Deu para entender os conceitos de varejo, as políticas e práticas utilizadas nos EUA, o merchandising, a exposição de produtos nas lojas e a tecnologia que pode ajudar o empreendedor a impulsionar o seu negócio”, diz.

Na bagagem, afirma, trouxe muito aprendizado para colocar em prática na Be.Tri e já listou as prioridades. “Não dá para aplicar tudo que vimos por lá, mas alguns conceitos já estou estruturando para pôr em prática no meu negócio.

Por exemplo, a exposição dos calçados, a vitrine e até a iluminação da loja.”
Tania conta que, para ela, um dos pontos altos da missão foi ver de perto como os varejistas norte-americanos estão extremamente preocupados com a satisfação do consumidor. “Esse foi um grande aprendizado, o cuidado e o respeito amplo que os varejistas têm com o cliente, não importa o tipo de negócio.”

Tania fez parte da missão empresarial NRF 2015 realizada pelo Sebrae, que levou um grupo de empresários brasileiros para visitar a feira, conversar com empresários locais e conhecer empresas inovadoras, como Google, Facebook, Yahoo!. Segundo o consultor Renato Fonseca de Andrade, esse tipo de evento é uma oportunidade para os empreendedores ampliarem conhecimento, terem contato com novas tecnologias, novos formatos e possibilidades de fazer negócio.

“O objetivo é que o empreendedor traduza esse aprendizado em prática do dia a dia”, diz. Para tanto, segundo Andrade, é preciso filtrar tudo que viu e ouviu durante a missão e saber o que é aplicável em seu negócio.
Além da feira de varejo, os integrantes da missão visitaram lojas modelos e conceituais e empresas de alta tecnologia.

Empresários participaram de feira, palestras e visitaram empresas de alta tecnologia e inovação

Empresários participaram de feira, palestras e visitaram empresas de alta tecnologia e inovação

Eles também assistiram a palestras de empresários experientes norte-americanos, com dicas de negócios e tiveram momentos para networking. “Esperamos que ao final do evento o empreendedor entenda o que é possível aplicar em seu negócio. Para isso, elencamos sete passos (quadro ao lado) para ajudá-lo a entender quais são as prioridades da sua empresa. Queremos que ele retorne para o Brasil preparado para pôr em prática os conhecimentos adquiridos. Assim, a visita valerá a pena”, diz Andrade.

Social. Depois de ser o vencedor do Socap 14 (Social Capital Markets) evento que reúne inovadores globais, investidores, fundações, governos, instituições e empreendedores, o cofundador da empresa Programa Vivenda, Fernando Assad, teve a oportunidade de participar de feira de empreendedorismo social em São Francisco, EUA.
Segundo ele, que tem uma empresa que vende kits de reformas para habitação de pessoas da baixa renda, a visita foi importante para conhecer projetos para compra de materiais e acesso a o microcrédito habitacional. “Entendemos como o tema avança, com quem se comunicar, iniciativas de risco e como os atores deste contexto se relacionam”, diz Assad.

A troca de experiências práticas e o contato também foram fatores importantes na visita.
Já o empresário Marcos Mazzieri, da Digital Place, empresa incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), foi por sua conta em busca de intercâmbio de ideias e processos. A Digital Place trabalha com geoprocessamento para vendas. E, numa viagem à França, encontrou técnicas possíveis de serem aplicadas a seu negócio no Brasil e nos Estados Unidos.

“Faço doutorado no Brasil e estive em Grenoble, na França. Lá, encontrei um ecossistema de empreendedorismo com uma visão mais colaborativa entre a universidade e a empresa, que é aplicável a meu negócio.”
Seguindo a linha do que viu nas startups francesas, ele procurou trazer processo para sua empresa. “Percebi que no Brasil não conseguiria a integração com o governo, mas poderia utilizar trabalhos acadêmicos e a prática e a metodologia das organizações francesas no meu negócio”, diz.

E assim fez. Mazzieri implantou na Digital Place o que chama de governança da inovação (uma espécie de governança corporativa da startup) – um conjunto de processos administrativos alinhados ao conhecimento acadêmico. “A visita resultou em uma visão mais colaborativa, essencial para o meu negócio”, conta.

Mercado. De olho nas possibilidades de mercado para intercâmbios voltados especificamente para empreendedores, a Central de Intercâmbio e Viagens (CI) criou uma visita técnica a empresas e empresários norte-americanos. O programa prevê palestras nas universidades de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e visitas a empresas como Google, GnuBio e escolas de negócios.

VEJA MAIS:  Intercâmbio deve proporcionar visão global do negócio

“Criamos o programa que deve levar para os EUA cerca de 20 pessoas, que sejam empreendedores ou que estejam pensando em abrir o negócio próprio”, diz o gerente de produtos do CI, Eduardo Frigo.