As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

‘Nunca tivemos uma bolada de investimento’

Gilberto Mautner, fundador da Locaweb, acredita na tecnologia como ferramenta de crescimento para empresas

Claudio Marques

18 Dezembro 2017 | 07h42

Gilberto Mautner. Foto: Gabriela Bilo/ Estadão

Letícia Ginak
ESPECIAL PARA O ESTADO
Muitos empresários testemunharam o ‘florescer’ da web no Brasil. Porém, poucos conseguiram atuar no segmento com o desempenho de Gilberto Mautner, engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Mautner viu isso acontecer de perto duas vezes. A primeira foi em Palo Alto, Califórnia, Estados Unidos, quando trabalhava na Accenture, empresa global de consultoria.Poucos anos depois, o empresário viu tudo se repetir aqui no Brasil, quando voltou ao País e fundou em janeiro de 1998 a Locaweb.

Inicialmente com o foco na hospedagem de sites, a Locaweb se consolidou e acompanhou a evolução da internet no Brasil. Quase 20 anos depois de sua fundação, a empresa incorporou e criou novas frentes ao negócio, como a solução de pagamentos online, plataformas de e-commerce e inteligência de e-mail marketing.

Atualmente a empresa atende 280 mil clientes. “Fazemos com que negócios cresçam e prosperem por meio da tecnologia. Transformamos o mundo tecnológico, que parece complexo e intimidador, em uma oportunidade tangível e viável para pequenas empresas”, completa Mautner.

Início. Assim que voltou ao Brasil, em meados de 1997, Mautner se reuniu com o primo, que na época tocava um negócio próprio ao lado do pai na área têxtil, para juntos empreenderem. A proposta era começar um novo empreendimento que tinha como pilar a internet. “Sempre fui fascinado”, conta.

Surgiu então o Intermoda, portal direcionado para confecções, uma espécie de market place. Em seis meses o resultado da empreitada era igual a zero.

“A gente tinha que reestruturar ou fechar. Foi então que pensamos em partir para um negócio de maior alcance, que era a hospedagem de sites. Nosso raciocínio foi o seguinte: levantamos a estrutura, o que podemos fazer com o que já temos?”

A mudança de foco se mostrou uma escolha certa logo de início. Nos primeiros quatro meses de atuação, a Locaweb já tinha conquistado 100 clientes.

Tradição. A inovação sempre fez parte do DNA da empresa, mas a forma de administrar o negócio tem bases sólidas em modelos tradicionais. “Nós viemos de uma cultura familiar. A Locaweb começou comigo, meu primo e também meu tio, que sempre foi empresário no Brasil. Ele tinha uma visão de que se a empresa não traz dinheiro, não faz sentido”, diz.

Mautner acredita que seguir este modelo foi fundamental, principalmente no auge da internet, no início dos anos 2000. “Atravessamos o período da euforia. Nunca tivemos uma bolada enorme de investimento mas, por outro lado, a Locaweb continuou crescendo no mesmo ritmo forte que tinha durante e antes dessa bolha.”

Empreender hoje. Mautner acredita que o brasileiro tem muitos pontos a seu favor para empreender, independentemente da evolução do cenário macroeconômico.

“Para levantar um servidor era preciso ir para os Estados Unidos, comprá-lo e trazê-lo para cá. Com a tecnologia em nuvem, hoje é possível ter um servidor com toda a capacidade computacional equivalente ao que investimos na época (1997) cerca de U$ 30 mil por R$ 50 por mês”, conclui.

O código aberto também proporciona a aquisição de ferramentas importantes para construir a presença da empresa na internet, de acordo com o engenheiro. “É só fazer o download e usar, sai literalmente de graça. Temos acesso as mesmas tecnologias que qualquer empresa do mundo. A Locaweb usa ferramentas para prestar serviços com o mesmo nível de excelência do que qualquer concorrente internacional”, explica.

Aprendizado. Mautner leva em sua bagagem profissional o fracasso e o sucesso. A lição que tirou dessas experiências foi ficar atento aos sinais. “Um negócio quando é viável se prova desde o início. A resposta do mercado é rápida, pode vir em pequeno volume, mas vem. A diferença entre ter zero e meia dúzia é infinita para quem está começando.” E acrescenta: “normalmente o tipo da ideia e a complexidade na escala é diferente de quando se opera a empresa começando. Eu não estou falando de construir uma máquina, mas sim uma organização”, finaliza.

Mais conteúdo sobre:

organizaçãoaprendizadotradição