Empreendedorismo: ‘O coração do restaurante Rodeio são os recursos humanos’
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Empreendedorismo: ‘O coração do restaurante Rodeio são os recursos humanos’

Superintendente do tradicional e bem-conceituado restaurante da capital aponta as razões da longevidade do empreendimento fundado em 1958

Claudio Marques

12 Setembro 2016 | 07h55

Silvia Machado Levorin, superintendente do restaurante Rodeio

Silvia Macedo Levorin, superintendente do restaurante Rodeio

Fundado em 1958, desde 1960 o restaurante Rodeio, que nasceu como churrascaria, tem a participação da família Macedo, que havia entrado no negócio um ano antes. Foi em 1959 que os sócios-fundadores, então com dificuldades, ofereceram 50% do negócio a Nestor de Macedo, que atuava no mercado publicitário, era bem relacionado e freguês constante do local.

Ele aceitou e seu filho Roberto ficou encarregado de participar da gestão. E foi responsável por implantar mudanças que deram fôlego ao restaurante. Em 1960 a família Macedo se tornou única dona do empreendimento. Foi com Roberto à frente do empreendimento que o Rodeio se tornou um respeitado marco da gastronomia, de onde saíram pratos que ficaram famosos e foram adotados por diversos outros restaurantes como a picanha fatiada, arroz Biro Biro e creme de papaia com Cassis.

Silvia Macedo Levorin, superintendente do Rodeio e filha de Roberto, atribui o sucesso do negócio à gestão no estilo “não dar um passo maior que a perna” implementada pelo pai, além dos elevados padrão dos pratos e do atendimento dispensado aos clientes, à adoção de medidas como a implantação do processo ISO 9001 e do plano de carreira para os cerca de 200 funcionários que atendem entre 15 mil e 18 mil clientes por mês. O faturamento mensal do Rodeio nas duas casas varia entre R$ 2,7 milhões e R$ 3 milhões.

“Meu pai sempre teve boa visão de negócio. À medida que o Rodeio ia fazendo sucesso, ele ia comprando casas ao lado e ampliando, até chegar ao máximo de ocupação”, conta Silvia , que começou a trabalhar com Roberto em 1986. Com as aquisições, o Rodeio da Rua Haddock Lobo passou de uma área de 250 m² para 1.250 m².

Ao longo dos anos, houve muitos convites para que a família abrisse filiais, inclusive no exterior. “Mas meu pai sempre achou que não se podia dar um passo maior que a perna. Ele pensava que era muito difícil multiplicar e manter a qualidade”, diz Silvia, lembrando que o Rodeio teve duas franquias que não deram certo. A decisão de abrir uma nova casa só aconteceu em 2007, quando veio o convite do Shopping Iguatemi para o Rodeio se instalasse no local.

Ela lembra que no ano 2000, o Rodeio deu passo importante: decidiu buscar a certificação ISO 9001 e implantar o sistema de qualidade necessário para isso. A família então, se engajou no esforço para obter a certificação. “Foi muito gratificante, do ponto de vista de gestão, de crescimento profissional, de profissionalização. Achávamos que seria bom para o cliente, e foi, mas foi muito melhor para nós, funcionários e da direção.”

Com a ISO, o plano de carreira foi aprimorado. “Também acabamos buscando uma consultoria de sucessão familiar”, conta. De acordo com Silvia, quando o pai morreu em 2012, a cultura de separar família e negócios já estava implementada. O avô havia ficado no negócio até falecer, em 1983. “Temos um conselho administrativo, código de ética, um modelo de governança. Tudo isso, foi ajudando no crescimento e na gestão.”

Ela ressalta um fator que considera de grande importância para o sucesso do Rodeio. “Antigamente, obter carne de qualidade era difícil. E isso era um diferencial do Rodeio. Hoje, já não é mais difícil conseguir carnes boas. Então, o diferencial, além da preocupação com a matéria-prima, é com o atendimento. E o atendimento passa pelo plano de carreira. Estamos preocupados que os colaboradores estejam motivados e satisfeitos, porque só um colaborador satisfeito vai conseguir deixar um cliente satisfeito.”

Ela também ressalta a preocupação com a infraestrutura, a manutenção preventiva. Os cuidados com a compra, recebimento e armazenamento da matéria-prima. “Mas acho que o coração da empresa são os recursos humanos. São os colaboradores que acolhem o cliente quando ele chega, tempera a salada do jeito que ele gosta. Acho que isso é um motivo de sucesso. É difícil replicar essa característica e por isso demoramos tanto para ter outra unidade.”