O suporte que faz a diferença. E fortalece

O suporte que faz a diferença. E fortalece

Mais do que apenas vender seus produtos e serviços, empresas oferecem ajuda a clientes para torná-los fiéis à marca e ganhar mercado

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29 de julho de 2018 | 08h49

SAO PAULO O CEO e fundador da JoyPay, Fernando Castro. Foto: João Roberto Azambuja/ JoyPay

Ana Katia /Especial para o Estado

Há 14 meses atuando em um mercado dominado por poucas e grandes empresas, o de aluguel de maquininhas de pagamento por crédito e débito, Fernando Castro, CEO da Joy Pay, atribui o fato de estar abrindo caminho nesse segmento à consultoria que dá para os estabelecimentos credenciados pela empresa. Isso permite, segundo ele, que a empresa cresça 10% ao mês. “Nosso poder de fogo competitivo, nossa inovação, é muito mais na parte de serviços e venda do que na tecnologia”, diz. “É ensinar o cliente a descobrir o custo que ele está tendo na operação, a expandir a operação dele de forma correta. Eu não vendo a máquina e sumo. Optamos por uma relação de longo prazo.” A empresa cobra aluguel pela uso das máquinas.

Assim como a Joy Pay, muitos empreendedores oferecem serviços extras para se diferenciar e ganhar posições no mercado. Castro diz ter identificado que um dos maiores problemas das empresas facilitadoras de pagamento, que estão em cinco milhões de estabelecimentos no País, estava no pós-atendimento. “Investimos em um portal confiável, simples, para dar clareza para o cliente. O estabelecimento comercial tem de enxergar o que foi transacionado. Muita gente não sabe o que vendeu”, afirma.

Para o professor do curso de pós-graduação em Gestão Estratégica da Inovação e Competitividade da FAAP José Sarkis Arakelian, num mercado em transformação, quando o consumidor não percebe diferença entre os serviços dos diversos fornecedores, ele se volta ao mais barato.

“Criar pontos de relevância faz com que o cliente passe a valorizar sua marca e o relacionamento que tem com você, de uma maneira que ele não vai troque sua empresa por qualquer desconto que o concorrente ofereça”, afirma. “Empresas precisam criar relacionamento. Muitas dessas marcas oferecem esses serviços para solidificar o relacionamento, para que o cliente perceba valor nesse fornecedor. É a ‘descomoditização’ dos serviços.”

Castro cita também o problema das máquinas quebradas. “As minhas também quebram. Elas têm players envolvidos, mas fazemos um atendimento presencial que procura solucionar o problema rapidamente.”

Segundo o Castro, a atitude vem dando certo desde a primeira transação. A Joy Pay já trocou de sede, contratou profissionais e hoje tem 1,5 mil clientes, cerca de 2 mil maquinas em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e no Rio Grande do Norte, e está entrando em dois outros Estados. “A consultoria ajuda a evitar a saída do cliente. Hoje, o brasileiro procura saber sobre a empresa antes de contratá-la.”

O fundador da Elo7, Carlos Curioni. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Criada há dez anos, a Elo7 é uma plataforma de e-commerce para artesãos, designers e estilistas que a utilizam para vender diretamente ao consumidor final produtos autorais, segundo o CEO da empresa, Carlos Curioni. Mas além de oferecer um “shopping virtual” para esse público, a empresa ajuda seus clientes, oferecendo gratuitamente para eles conteúdos sobre gestão de planejamento e financeira, precificação e estratégia de marca, além de promover encontros em todo o País.

A plataforma abriga 90 mil artesãos, sendo 90% deles mulheres, e cinco milhões de produtos cadastrados, muitos deles feitos sob encomenda. No ano passado, a Elo7 teve 30 milhões de acessos por mês, movimentou R$ 550 milhões com tíquete médio de R$ 100. Os vendedores que utilizam o market place estão espalhados por 3,5 mil cidades do Brasil, e pagam à plataforma comissão de 12% sobre as vendas, no plano básico, e 18% no plano que inclui anúncio para dar mais exposição à loja.

“Os vendedores se intitulam artesãos, mas são empreendedores e demora um pouco para cair essa ficha”, diz Curioni. “Aprendi que, para empreender em qualquer área, precisamos de soluções. A plataforma me auxilia com atendimento ao cliente, elaboração do portfólio, prazos, planilhas, nas informações da parte financeira do negócio, enfim, várias soluções”, afirma a dona de uma loja de produtos de crochê abrigada na plataforma, Roberta Fortunato, de Campos de Goytacazes (RJ).

“Quando eu vendia apenas pelas redes sociais, eu perdia muito tempo atendendo as dúvidas dos clientes. O tempo que eu levava ‘trabalhando o cliente’ poderia ser empregado na execução das encomendas já fechadas. Isso dificultava e restringia muito a minha capacidade de produção”, conta.

Segundo Roberta, com o tempo, ela foi perdendo vendas, pois se desdobrava para atender cliente, que muitas vezes não fechava o negócio. “Percebi que precisava de uma plataforma de vendas para direcionar os clientes que estavam em busca de informações, e assim otimizar meu tempo apenas para a produção. Os pedidos aumentaram, pude organizar a minha agenda e planilhas e atender melhor. Aumentei em quatro vezes as vendas do mês.”

Com seis anos atuando como um ‘banco de freelancers, a Workana tem e 40 mil empresas e 1 milhão desses trabalhadores cadastrados e mil projetos postados. A proposta da empresa é eliminar barreiras geográficas ao reunir profissionais e companhias de diferentes partes do Brasil e América Latina para qualquer trabalho que consiga ser feito de um computador e ser entregue pela internet.

Guillermo Bracciaforte, fundador da Workana. Foto: Eduardo Bermudez

A plataforma é outra empresa que enxerga nos serviços extras uma forma de fazer diferença. Guillermo Bracciaforte, cofundador, conta que desenvolveu uma ferramenta gratuita, a Calculadora, que permite aos profissionais calcularem o quanto devem cobrar por projeto. Também fez campanha para ajudar os freelancers a saírem da informalidade. “Só cobramos se o projeto é bem-sucedido. O dinheiro fica com a Workana até que o projeto seja concluído, o que é bom para o freelancer e o contratante”, defende Bracciaforte.

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