Os atrativos da venda de comida na rua

Os atrativos da venda de comida na rua

Marcas se preparam para colocar veículos de diversos formatos comercializando alimentos em áreas públicas da cidade de São Paulo

Claudio Marques

09 de junho de 2014 | 17h07

Cris Olivette
Atuando há oito anos como franqueador da Docella, Gustavo Ely Chehara achou uma forma de driblar o aluguel de shoppings durante uma viagem aos Estados Unidos. “Em 2013, vi um desses food trucks e pensei que, com esse modelo de negócio, a questão de aluguel estaria resolvida”, diz.

Na volta a São Paulo, Chehara e empresários foram à Câmara Municipal buscar apoio para legalizar a venda de comida nas ruas da cidade. “O vereador Andrea Matarazzo comprou a ideia e fez o projeto de lei. Mesmo antes de a lei ser aprovada, criei a Salgado Mania, para ser operada como franquia móvel.”

Agora, com a lei já regulamentada, Chehara e outros empreendedores estão em contato com as subprefeituras para obter os alvarás. “Segundo a lei, os interessados preenchem um cadastro na subprefeitura da região de interesse, indicando os pontos que têm interesse. Em seguida, técnicos da prefeitura vão analisar se o local é adequado e se não vai atrapalhar a circulação de pedestres, de ônibus e demais veículos. Só então a autorização é concedida.”

Ele conta que antes, sua expectativa era de colocar 20 veículos nas ruas até dezembro. “Agora a procura aumentou muito. Acredito que teremos cerca de 30 carros em funcionamento até o final do ano.”

Segundo ele, para ser um franqueado da Salgado Mania o investimento é de R$ 69 mil. “O valor inclui o veículo e o primeiro estoque de produtos.” Chehara afirma que a rentabilidade desse tipo de negócio será em torno de 45% a 50%, porque o custo fixo é muito baixo. “Enquanto nas franquias de alimentação com ponto fixo, a rentabilidade fica entre 15% e 20%.”

Ele diz que essa é uma ótimo oportunidade, porque os aluguéis cresceram muito. “Tenho quiosque em shopping que custava R$ 4,5 mil há três anos e hoje está R$ 14 mil. Embora tenhamos de pagar uma taxa à prefeitura, ela será infinitamente menor do que um aluguel de shopping”, afirma.

O diretor da consultoria Vecchi Ancona Inteligência Estratégica, Paulo Ancona, diz que essa é uma forte tendência em diversos países. “Esse movimento já existia em alguns pontos, mas agora está tomando grandes proporções. Acho que esse tipo de negócio tem imensas vantagens. Por exemplo, do ponto de vista do urbanismo de uma cidade, esses veículos podem preencher pontos considerados mortos, mal aproveitados, degradados ou abandonados, que passariam a ter uma atividade significativa”, defende.

Ancona afirma que ao promover a ocupação desses locais por food trucks, a cidade estará criando um polo gastronômico que terá como consequência a valorização urbana. “Será uma atração a mais dentro da cidade, porque poderá misturar esse fato com eventos culturais. Isso enriquece a cidade, promove mais vida e convivência entre os habitantes. Acho que é um movimento que está pegando e vai crescer. Isso tem a ver até com o conceito atual de mobilidade. Tudo hoje tem o apelo da mobilidade”, diz. 

Outro empresário que está investindo nesse modelo é o dono da Duty Gastronomia, Cacau Ribeiro, fabricante de salgados que são comercializados em hotéis e restaurantes. “Em 2005, vi esse modelo de negócio em Nova York e fiquei com a ideia na cabeça. Até que, há um ano e meio, descobri que a Motocar tinha um modelo de triciclo que se encaixava perfeitamente com o que eu estava imaginando. Comprei um desses ‘tuc tuc’ e já estou com outras três unidades encomendadas.”

Ribeiro afirma que a primeira unidade vai ser instalada na zona norte. “Já tenho reunião agendada com a subprefeitura do Tucuruvi e estou aguardando a subprefeitura de Pinheiros agendar uma data.”

O empresário afirma que, no ano que vem, pretende comprar mais dez triciclos. “Estou acreditando bastante nesse modelo. Por ser fabricante de salgados, já tenho a documentação da vigilância sanitária, bombeiros, agora só preciso dos alvarás da Prefeitura”, conclui.

O diretor de relações institucionais da Motocar, Fábio Di Gregório, conta que o projeto do triciclo nasceu em 2009. “A partir daí, foram alguns anos para desenvolver e homologar o produto. Hoje, ele é o único homologado pelo Renavan, Contram, Conama e Ibama.” Ele conta que a velocidade máxima do veículo é de 65 km por hora.

Di Gregório conta que, com a regulamentação da lei, a procura tem sido grande. “O fato de o baú ser isotérmico, atrai pessoas interessadas em vender salgados, açaí, doces etc. A vantagem é que o investimento inicial é de apenas R$ 15 mil reais. Além disso, por ser um veículo pequeno, ele ocupa pouco espaço, por isso, o custo com as taxas e alvará também é menor. Assim como o custo de manutenção, que é 1/3 menor do que o de um utilitário leve.”

O franqueador da Creps, Rodrigo Cataldi, afirma que em setembro também vai lançar o modelo de franquia móvel. “Vamos aproveitar a feira de franquias da ABF no Rio de Janeiro.” Ele conta que a marca optou por carrinhos como dos de sorveteiro, mas com estilo vintage. “Enxergamos que havia no mercado a necessidade de um modelo de negócio com baixo investimento e resolvemos apostar nisso. Acreditamos que dessa forma estamos criando um diferencial para a marca.”

Cataldi afirma que o investimento será entre R$ 40 mil e R$ 80 mil. “Os carrinhos poderão ter 4, 6 ou 8 metros. Quanto maior o carro, maior o mix de produtos.” Ele afirma que o veículo poderá ser movido por tração humana, ou ser rebocado por um veículo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.