Para fazer negócio dar certo, pequenos devem seguir regras básicas

Para fazer negócio dar certo, pequenos devem seguir regras básicas

No Dia da Pequena Empresa, empresários contam as dificuldades que superaram para sobreviver no mercado

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05 de outubro de 2014 | 08h07

 

 

FR85 SÃO PAULO SP - 30/09/2014 - OPORTUNIDADES - EMPREENDEDORES QUE PASSARAM POR DIFICULDADES - Fotos da Milena Pagliacci, dona da Papelaria e Atelier de Artes Crayon, para matéria de empreendedores que passaram por dificuldades na gestão do negócio e sup

Cris Olivette
Festejar o Dia da Pequena Empresa, comemorado neste domingo, será mais animado para empresários que não cometeram os três erros mais frequentes. Segundo o consultor do Sebrae-SP, Fabiano Nagamatsu, a falta de planejamento formal, falhas na gestão de pessoas e falta de capital de giro são os vilões mais comuns que rondam os negócios.

A dona da Papelaria e Atelier de Artes Crayon, Milena Pessoa Pagliacci conta que o negócio está no mercado há 14 anos e sobreviveu a todas essas provações. “No início, meu pai era meu sócio e era aquela bagunça, ninguém fazia fluxo de caixa. Há sete anos, rompemos a sociedade e mudei para um ponto maior, perto de um colégio. Por ter mais espaço, criei um atelier para cursos de arte e uma área para presentes”, conta.

O crescimento do negócio, somado a falta de gestão, deu a ela a sensação de perda de controle. “Há quatro anos, procurei ajuda de consultores que abriram meus olhos e apontaram coisas que eu jamais pensaria sozinha.”

Ela diz que a primeira dica que colocou em prática foi separar a conta física da jurídica. “Todo mundo se enrola nessa questão, que vira uma bola de neve. Também passei a colocar todos os gastos em uma planilha. Computo desde a gasolina usada para ir comprar mercadoria, até o papel higiênico utilizado na loja.”

Milena também começou a controlar os cartões de crédito e débito, usando-os nas melhores datas. “Eu não sabia nem qual área dava mais lucro. Fiquei cinco meses fazendo cálculos e vi que a ala de presentes dava pouco lucro. Reduzi esse espaço, incrementei a papelaria com materiais técnicos de desenho. De 2009 para cá, a loja cresceu 40%”, afirma.

SOCIAL CLIQUE

Quando, aos 21 anos, Felipe Rodrigues e Tiago Brandão fundaram o grupo 360 Mídia, voltado para a produção de mailing e publicidade online, a maior dificuldade foi ter voz ativa perante os funcionários. “Precisávamos de pessoas experientes na área de tecnologia e contratamos um pessoal mais velho. Por sermos muito novos, eles não gostavam de receber nossas ordens ”, recorda.

Rodrigues diz que algumas pessoas acabaram se adequando e outras foram substituídas. “Também tínhamos dificuldades para dar feedback à equipe. Esses problemas foram superados com muita conversa. Hoje, todos acreditam no que estamos fazendo”, diz.

O jovem conta que precisou contratar uma pessoa para cuidar da área financeira. “Estávamos ficando sobrecarregados e perdendo o controle das contas a receber. Demoramos para achar alguém de confiança. Agora está tudo bem redondinho.”

Hoje, os sócios também comandam a Social Clique, plataforma de recomendação usada por quem têm perfil em uma rede social. Após preencher um cadastro, o usuário tem acesso a uma lista com marcas que são clientes da Social Clique.

“Quando alguém recomenda uma delas, a informação segue para a sua lista de amigos. A cada clique dado pelos amigos, quem recomendou ganha um determinado valor, se houver uma venda, a pessoa recebe um porcentual. Alguns usuários chegam a faturar mais de R$ 2 mil por mês”, garante.

cacá cid da casa de marcas crédito jeniffer glass

Depois de criar a agência Casa de Marcas, Cacá Cid achou que seria melhor encontrar um sócio para complementar suas competências. “Essa sociedade durou três anos, não deu certo porque não tínhamos objetivos e valores comuns”, diz.

Ele conta que teve grande dificuldade para lidar com questões financeiras e administrativas. “Contratei um consultor que me ajudou a desenvolver esse lado. Hoje, estamos caminhando bem e o desempenho da empresa tem sido excepcional. Todos estão felizes porque dei aumento de salário e de responsabilidade.”

No comando de 12 funcionários, Cid diz que ter implantado os departamentos de criação e de planejamento, e ter capacitado uma funcionária para ajudá-lo a cuidar das finanças, contribuiu para impulsionar os negócios. “Acreditei nas pessoas, deleguei e dei oportunidades.”

Livro conta como negócio quebrou

O autor do livro “Quebrei – guia politicamente incorreto do empreendedorismo”, Leonardo Matos diz que na publicação conta sua trajetória empresarial até o momento em que quebrou e perdeu mais de R$ 1 milhão.

LEONARDO MATOS

 

“Assumo o erro. A culpa foi minha. Na parte dois do livro, avalio o que me levou aos erros e aponto as armadilhas do empreendedorismo, como dívidas, juros, impostos e obrigações trabalhistas. Na terceira e última parte, discuto as ilusões comuns entre os empreendedores.”

Matos considera que o erro mais comum é a pessoa não saber qual é a sua verdadeira vocação. “Percebo que as pessoas confundem muito o espírito empreendedor que os brasileiros têm, com a capacidade empreendedora. Outro erro comum é querer fazer a empresa crescer e não estar preparado. Cito esses exemplos porque foram erros que cometi.”

Ele conta que ficou muito magoado com a quebra do último negócio, uma confecção, e resolveu pesquisar para saber se só ele era tão ingênuo. “Estou entrevistando pequenos empresários e vejo que muitos têm as mesmas ilusões e caem nas mesmas armadilhas. O propósito do livro é contribuir para que outras pessoas não cheguem ao ponto que cheguei.”

Matos diz que, depois de falir, criou a sigla PCV em referência às palavras “papel”, “caneta” e “você”. O PCV pressupõe um planejamento, com base em uma lista de prioridades, que serve tanto para montar a empresa, fazê-la crescer ou mantê-la.

“Quando minha empresa de confecção começou a ir bem e comecei a ganhar dinheiro, decidi que queria mais e trabalhei para que ela crescesse, só que isso ocorreu sem critério e sem planejamento”, ressalta.

Segundo ele, sua história é a do “avô rico, filho nobre e neto pobre”. “Infelizmente sou o neto. Meu pai faleceu e, com 16 anos, herdei um fundo de comércio de um hotel no interior de São Paulo. É um fundo de comércio porque o prédio não é nosso. Até completar 18 anos, cuidei da administração. Mas não queria ser taxado de herdeiro e sempre quis construir algo por mim mesmo.”

Foi nesse momento que ele começou sua aventura empreendedora. “Comecei um negócio de compra e venda de carro e me dei mal. Depois, montei uma lavanderia. Após um ano, tinha lucrado apenas R$ 100.”

Resumindo, Matos passou duas décadas montando empresas em diversos ramos. “Encerrei meu CNPJ em abril de 2012. De lá para cá, minha mulher, Liana Corsini, assumiu o negócio.”

Ele explica que isso foi possível porque, depois do primeiro fracasso, eles mudaram o regime de comunhão de bens para separação total de bens. “Dessa forma, preservamos nosso casamento e o patrimônio dela.”

Matos conta que, quando a empresa faliu, ele tinha uma dívida com Liana e o pagamento foi feito com o estoque da confecção. “Ela resolveu assumir o negócio e criou a marca O Bonitão. Hoje, trabalho para ela e cuido das áreas de desenvolvimento e vendas. Liana cuida muito bem da gestão administrativa e financeira.”

Ele afirma ter descoberto que sua vocação é trabalhar com criação e vendas. “Esses são os meus talentos. Hoje, exploro minhas reais qualidades. Mas leio bastante sobre gestão e finanças.”

Ele diz que já não é mais tão otimista. “Fui muito sonhador. Hoje, não trabalho com sonho. Tudo o que faço é com base em planejamento e penso mil vezes antes de tomar qualquer decisão.”

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