Pequenos exploram mercado editorial

Pequenos exploram mercado editorial

Produção de e-books atrai empreendedores que identificam públicos segmentados

Claudio Marques

21 de julho de 2014 | 13h50

Cris Olivette
Dados da consultoria IDC Brasil apontam que, neste ano, os brasileiros devem comprar 11 milhões de tablets.  As vendas crescentes desse tipo de mídia, impulsionam a produção de livro digital e ampliam as oportunidades no segmento editorial.

Um exemplo é a editora Webliv, de Conrado Adolpho. “Vemos um novo papel para as editoras, que devem se posicionar como geradoras de conteúdo. Estamos criando um novo modelo para o mercado editorial.”

Segundo ele, o plano de negócio tradicional deu lugar à uma modelagem de negócio. “Definimos o que queríamos produzir, para onde desejávamos ir, dividimos o processo de crescimento em três fases e começamos a trabalhar”, conta.

A Webliv opera há um ano, com estrutura pequena, e teve investimento inicial de R$ 55 mil. “Hoje, temos 15 colaboradores e fechamos o primeiro ano faturando R$ 3 milhões.” A linha editorial da empresa é voltada para a produção de cursos dirigidos, de acordo com quatro dimensões: profissional, individual, social e familiar. “Produzimos conteúdo para melhorar a vida das pessoas, essa é nossa linha mestra”, diz. 

O consultor do mercado editorial, Hamilton Terni afirma que o centro desse mercado é a geração de conteúdo, e o meio de veiculação depende cada vez mais da escolha do leitor. “O e-book é um processo em construção, que traz grandes desafios e oportunidades. Cabe às editoras buscar alternativas de como trabalhar com as novas mídias e de como desenvolver material específico para isso.”

Terni diz que vivemos o começo do fim do início da fase digital. “Daqui para frente, o impacto causado pela chegada da fase digital não será tão exponencial. Esses produtos continuarão dividindo a atenção com outras mídias, mas não vão substituí-las integralmente.”

Segundo ele, a produção digital será cada vez mais impulsionadora de títulos, sendo que hoje já é a responsável pela recuperação de alguns deles. “Um fator importante da obra digital é permitir acesso a catálogos completos. Não existe mais, em tese, títulos esgotados. Estando digitalizados poderão ser comercializados”, conclui.

Garimpar e transformar em e-book os bons textos e os bons autores da área acadêmica foi o que inspirou, há três anos, a criação da Editae Cultural. “Observei que as editoras não valorizavam a fantástica produção de textos acadêmicos e decidi apostar nesse nicho” conta o editor Elizeu Silva.

Ele afirma que os dois primeiros anos foram mais complicados porque precisaram conquistar a credibilidade dos autores. “Agora, estamos tendo um desempenho ótimo, com expectativa de crescimento entre 25% e 30% para este ano.”

Silva conta que teve de solucionar um fato curioso após os primeiros lançamentos. “Observamos que alguns autores ficavam extremamente frustrados após a edição do e-book porque não podiam tocá-lo nem presentear parentes e amigos. Imagine um coquetel de lançamento sem livros sobre a mesa, do qual as pessoas saem de mãos vazias. Então, passamos a distribuir os e-books gravados em DVD, com estojo e capa. Isso tem funcionado.”

Para quem deseja empreender na área, Silva diz que além das exigências legais, comuns para a constituição de uma empresa, a editora precisa se cadastrar na Biblioteca Nacional. “Assim, poderá obter o International Standard Book Number (ISBN) das obras, e requerer a ficha catalográfica para cada obra publicada. Em São Paulo, a ficha catalográfica pode ser obtida junto à Câmara Brasileira do Livro (CBL)”, afirma.

O empresário diz que tem observado que há uma tendência de editoras especializadas, que conhecem muito bem determinados segmentos do mercado. “Essa tendência abre espaço para os pequenos, favorecidos pelas facilidades de divulgação e distribuição via internet.”

O professor de empreendedorismo do Centro Universitário da FEI Edson Sadao considera que quem vai entrar nesse mercado deve avaliar o que já existe. “Para agilizar sua pesquisa, recomendo que busque em universidades informações já elaboradas. Há várias teses que discutem esse segmento. ”

Consultor do Sebrae-SP, Renato Fonseca diz que a primeira coisa a ser feita antes de entrar nesse mercado é definir os perfis de públicos que podem se interessar em publicar e-books, além de definir o tipo de serviço que poderá oferecer. “A etapa seguinte é olhar o que o mercado já oferece em termos de produção, distribuição, registro na biblioteca nacional, impressão etc. Tudo isso vai servir para evitar que ele repita um modelo de negócio já existente.” 

Segundo Fonseca, o empreendedor terá mais chances se criar uma prestação de serviço inovadora e criativa. “Uma boa opção pode ser o serviço customizado. Muitos idosos sonham em publicar um livro contando sua história de vida. Outra possibilidade é contar a história de uma família, ou a de um casal que está junto há décadas.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: