Pequenos utilizam redes sociais para projetar negócios

Empreendedores usam as ferramentas para divulgar promoções, efetuar vendas, ativar marca, atender e interagir com a clientela

CRIS OLIVETTE

21 de agosto de 2016 | 07h51

 Mariana Borges, dona da marca de biscoitos saudáveis para cães Panela da Bela

Mariana Borges, dona da marca de biscoitos saudáveis para cães Panela da Bela

Cris Olivette
É crescente o número de pequenos empreendedores que têm nas redes sociais uma aliada para alavancar os negócios. A fundadora da marca de biscoitos saudáveis para cães e gatos Panela da Bela, Mariana Borges, afirma que começou o negócio pelo Facebook. “Como o início foi um teste para ver se realmente haveria aceitação do produto, comecei a pagar publicidade no Facebook para impulsionar os posts e direcionar as mensagens”, relembra.

Hoje, após seis anos de atividade, também utiliza Instagram e WhatsApp. A empreendedora afirma que o perfil dos usuários da rede social de fotos é melhor para o seu segmento.

“Há grande diferença no comportamento dos usuários das duas redes sociais. No Instagram as pessoas interagem muito mais. O conteúdo também tem de ser bem diferente. Quando coloco imagens engraçadinhas de animais o público adora. No Facebook, eles gostam mais de arte com o logo da Panela da Bela e de textos sobre nutrição animal, por exemplo.”

Mariana diz que por seu produto ser premium, em termos de preço, está inserido no mercado de luxo. “Provavelmente é por este motivo que o retorno no Instagram é bem maior. “Hoje, existem cachorros celebridades, alguns com um número inacreditável de seguidores, e eles estão no Instagram. O Facebook concentra mais os donos de lojas”, diz.

A empresária conta que o WhatsApp é bom para fechar negócios. “Muitos compradores nem entram no site, me chamam direto no WhatsApp. Lojistas também usam o ‘inbox’ do Facebook para falar comigo. Já o consumidor final me procura pelo ‘direct’ do Instagram. A diferença em relação a rede social utilizada por lojistas e público final é bem marcante.”
A Panela da Bela não vende diretamente para o público final, mas Mariana usa as redes sociais para atingir esses consumidores e divulgar os produtos.

A sua produção de biscoitos naturais começou em casa, para atender os animais da família que sofriam com alergias. “Minha mãe fez petiscos sem conservantes e corantes e a resposta foi muito boa. Então, começamos a investir. Fomos pioneiras nessa produção. Hoje, estão surgindo muitas marcas.”

André Ximenes Aragão, franqueado do Mercadão dos Óculos

André Ximenes Aragão, franqueado do Mercadão dos Óculos

Formado em marketing, o franqueado do Mercadão dos Óculos, André Ximenes Aragão, sabe da importância de usar estratégias apropriadas para cada rede social. “O WhatsApp é uma ferramenta mais completa para nós, usada para comunicar promoções e efetuar vendas. Muitos clientes encomendam óculos e enviam foto da receita usando o aplicativo. O mesmo esquema é usado para fazer orçamento.”

Aragão afirma que a frequência de envio é moderada para não gerar incomodo ao cliente. “No Facebook fazemos no mínimo um post por dia, no horário em que acreditamos ser o de maior audiência.”

O empresário conta que as postagens seguem algumas regras. “Em determinados dias, elas têm conteúdo alto astral. Em outros, são mais promocionais. Também usamos conteúdo de curiosidade. Variamos e buscamos conteúdos que sejam relevantes aos clientes.”

Segundo ele, é considerável o número de clientes que chegam à loja por conta das redes sociais, principalmente o Facebook. “Sabemos disso pelo cadastro que os clientes preenchem, no qual informam como souberam da loja. Para quem tem loja física é fundamental cruzar estratégias do online com offline porque uma complementa a outra.”

Capacitação. O sócio-diretor de operações do Mercadão dos Óculos, Fábio Nadruz, afirma que durante o treinamento dos franqueados eles são orientados sobre como alavancar, impulsionar e promover produtos e campanhas promocionais por meio das redes sociais. “Em média, de 20% a 35% dos investidores que entram na rede mantém o primeiro contato com a marca através das mídias sociais.”

O fundador da marca de calçados femininos Quinta Valentina, Renato Kuyumjian, desenvolveu treinamento em vídeo que mostra como utilizar as redes sociais. “Também criamos um manual. Ambos ensinam a criar perfil nas redes sociais e dão dicas de como se relacionar com a cliente, captar novas clientes, apresentar lançamentos, divulgar promoções e eventos.”

Kuyumjian afirma que a receptividade da clientela é muito boa. “Como nosso produto é comercializado pelo canal de vendas diretas personalizadas, as redes sociais facilitam a comunicação e interação.”
Franqueada da Quinta Valentina, Tatiana Ambrozio depende das redes sociais para divulgar o seu trabalho. “A divulgação ocorre muito no boca a boca pelas redes sociais. Quando posto um vídeo a visualização triplica. Tenho trabalhado bastante com essa ferramenta.”

Tatiana Ambrozio, fraqueada Quinta Valentina

Tatiana Ambrozio, fraqueada Quinta Valentina

Tatiana explica que a marca adota modelo de venda com visita personalizada. “A cliente agenda dia, horário, local e informa os tipos de calçados que deseja ver e o número que calça. Monto uma mala que tem rodinhas e prateleiras para expor os sapatos e vou ao encontro dela.”

Periodicamente ela paga taxa para divulgar sua página no Facebook. “Esse serviço permite mapear o raio de distância que desejo atingir. Esse tipo de divulgação faz com que minha página seja visualizada por duas mil a três mil pessoas. Cada vez que uma potencial cliente curte minha página, inicio um trabalho de aproximação para tentar conquistá-la”, diz.

Horário. O WhatsApp é usado por ela para manter contato com clientes mais próximas. “Faço um mapa com o gosto das clientes. Quando vejo um produto que pode interessar, mando foto e pergunto se quer agendar uma visita. Mantenho esse tipo de contato só em horário comercial. Nunca aciono a cliente fora de hora, a não ser que ela me chame.”

Já o canal de entretenimento financeiro Me Poupe na Web, de Nathalia Arcuri, é um negócio que opera dentro de uma rede social. “O trabalho é realizado no YouTube, mas uso as demais redes sociais para divulgar os vídeos que produzo”, conta.

Segundo ela, a monetização ocorre por meio de anunciantes. “Não vendo produto para o público final. A assinatura é gratuita. O Me Poupe na Web sempre será um veículo gratuito para o público final”, afirma.
Nathalia diz que para cada rede social produz conteúdo diferente. “Cada uma delas tem uma linguagem. Atualizo as redes diariamente, o canal no YouTube duas vezes por semana e o blog três vezes por semana.

Formada em jornalismo é apaixonada por finanças desde criança. Atualmente seu canal tem 50 mil inscritos e espera chegar ao final do ano com 300 mil. “As redes sociais me ajudam muito na divulgação do canal e na interação com o público.”

“Assim como tudo na vida é preciso planejar antes de inserir uma marca nas redes sociais”, afirma o consultor do Sebrae-SP, Adriano Augusto Campos.
O primeiro ponto, segundo ele, é o fato de não ser obrigatório marcar presença em todas as redes sociais. “Para avaliar qual é a melhor ou a mais adequada para o seu tipo de negócio, é importante conhecê-la e verificar se ela se encaixa no perfil de sua empresa e de seu público. Vale, inclusive, conferir o que os concorrentes fazem.”

Outro ponto é identificar quanto tempo de seu dia o empresário tem para investir nas postagens, ou se vai precisar fazer algum tipo de capacitação.
Campos ressalta a importância de manter regularidade nas postagens para evitar a sensação de vácuo. “Sugiro pelo menos uma postagem por dia. Por isso, tem de selecionar redes que mais tenham a ver com o negócio.”

O consultor afirma que não é recomendável usar o mesmo conteúdo em todas as redes, pois cada uma tem uma característica. Ao mesmo tempo, diz que o empreendedor deve evitar exageros e não postar coisas o tempo todo.

Em relação ao conteúdo, ele diz que tem de ser relevante, rápido, conectado com os acontecimentos e com o momento. “Dependendo da empresa, esse conteúdo pode ser bem humorado ou uma mensagem positiva. Afinal, a maior parte das redes sociais são para as pessoas se divertirem.”

Campos afirma que é bom priorizar as imagens. “É possível usar filtros existentes em celulares e computadores para criar efeitos e ajustar a imagem, e utilizar tamanho de letras e fontes legíveis para telas pequenas. Também é bem relevante usar vídeo, especialmente agora que as redes têm o recurso auto play, que permite a exibição de vídeos sem que seja preciso clicar no play.”

Segundo ele, o empreendedor deve dar preferência a vídeos curtos, com um bom áudio. “Também deve evitar fazer muita propaganda. A cada três publicações, uma pode ter conteúdo bem direto, com informação comercial, apresentando um produto ou comentando uma promoção. Nas demais, aborde temas relacionados. Por exemplo, se vende cosméticos, fale sobre saúde, cuidados com a pele no inverno etc.”

As postagens no Facebook, segundo ele, podem se mais frequentes, mas no WhatsApp, por ser uma comunicação muito dirigida ao cliente, deve haver mais controle. “Se o cliente não autorizou o enviou de mensagens e o conteúdo não é relevante, uma hora ele vai te bloquear”, alerta.

O consultor do Sebrae afirma que marcar presença das redes sociais ajuda a aumentar as vendas e atrai clientes. “Alguns segmentos fazem isso mais para manutenção da imagem. E em outros casos, ajuda a atrair e fidelizar, mas não é milagroso.”

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