Por que Rio Preto é berço de franqueadoras

CRIS OLIVETTE

04 Setembro 2016 | 07h59

Rogério Gabriel, fundador do grupo Prepara

Rogério Gabriel, fundador do grupo Prepara

Situada a mais de 400 quilômetros da capital paulista, São José do Rio Preto tem demonstrado grande vocação para o empreendedorismo. Hoje, o município ocupa a terceira colocação entre as cidades que mais criam redes franqueadoras.

A justificativa para este fato passa pela localização geográfica. “A cidade é um polo importante por estar a cerca de 200 km tanto de Minas Gerais quanto de Mato Grosso do Sul, e a 300 km de Goiás. Esse entroncamento fez nascer muitos negócios na área de serviços”, diz o fundador do grupo Prepara, Rogério Gabriel.

Segundo ele, outro ponto que fortalece a veia empreendedora dos rio-pretenses é a existência de colônias de imigrantes árabes, libaneses e armênios. “São pessoas que têm grande cultura empreendedora e expansionista. É interessante observar que a cidade foi distrito de Jaboticabal, que hoje tem 80 mil habitantes, enquanto Rio Preto tem 442 mil”, comenta Gabriel.

O empresário conta que a primeira empresa do grupo Prepara nasceu em 2004. Dois anos depois, o negócio virou franquia. Depois vieram as marcas Ensina Mais, English Talk e Pingu’s. Hoje, o grupo tem 800 unidades, atende 200 mil alunos e fechou 2015 faturando R$ 305 milhões.

O criador da Lug’s Franchising, Denilson Lugui, acrescentna outra informação. “Há também o histórico da Microlins, primeira franqueadora fundada na cidade e que foi responsável pela formação de muita gente na área de franchising. Depois, ela foi vendida a o grupo Wizard. Além disso, noto que o rio-pretense gosta de buscar coisas novas e isso vai alimentando o sonho de quem deseja empreender”, diz.

Lugui conta que sua incursão no universo do franchising começou há sete anos, quando tentou tornar, junto com quatro sócios, a faculdade Unifass Sistema de Ensino, pertencente ao grupo, em franqueadora.

O criador da Lug’s Franchising, Denilson Lugui

O criador da Lug’s Franchising, Denilson Lugui

“Não foi possível por conta da burocracia no credenciamento de instituição de ensino no País. Acabamos desistindo do projeto. Nossa intenção era levar educação de qualidade para muitos pontos do Brasil.” A vontade de criar uma franqueadora, porém, persistiu.

Ele conta que tinha uma receita secreta de frango que fazia sucesso nas confraternizações da família. “Pensei em lançar uma marca de chicken tasty, mas precisava de outro produto como acompanhamento.”

A ideia de vender frango no balde e batata no cone nasceu durante uma viagem à Bélgica. “Lá, conheci a batata no cone. O país tem o solo mais apropriado do mundo para a produção de batata. O resultado são fritas macias por dentro e crocantes por fora. Conseguiu fechar parceria com a Lustosa, maior indústria de batatas da Bélgica. “Eles desenvolveram um corte especial da batata e nos deram exclusividade para comercializá-las na América do Sul.”

A Lug’s Franchising nasceu há três anos, em São José do Rio Preto. Hoje, tem 107 unidades em operação e 200 comercializadas. “Em outubro entram em operação três unidades na Colômbia e uma no Uruguai. Também estamos com um quiosque para degustação em Macau, na China, e estamos para fechar negócio com um master fraqueado”, conta. Para ser um franqueado o investimento inicial é de R$ 250 mil.”

O empresário afirma que na área de fast food, a Lug’s é a marca que mais cresce na América do Sul. “Uma franquia que nasce no interior de São Paulo ter a maior indústria da Bélgica fazendo corte de batata especialmente para ela é uma grande conquista. Nossos testes demonstram que oito em cada dez pessoas preferem a nossa batata”, afirma.

Dentre as 34 marcas que nasceram em Rio Preto, a mais antiga em atividade é a Hoken International Company, de Hélio Yostsui, fundada em 1997. “Quando começamos, não se falava em franquias na cidade. Havia apenas a Hoken e a Microlins”, recorda o empresário.

Hélio Yostsui, fundador da Hoken

Hélio Yostsui, fundador da Hoken

Ele conta que, no início, a empresa adotava um sistema de distribuição convencional. “Em 1999, o negócio virou franqueadora. Hoje, o modelo tem pouca diferença. Antes, só fazíamos venda direta, agora, temos loja. Além disso, antigamente só vendíamos produto, hoje, nosso negócio está muito mais focado na área de serviços e locação de filtros.”

Atualmente, a marca tem 500 unidades e no ano passado faturou mais de R$ 120 milhões. O negócio conta com 100 funcionários diretos, sendo que a rede emprega mais de 1.500 pessoas. “Recentemente criamos o formato de franquia mobile, com base em home office, com custo a partir de R$ 15 mil. Já no formato store, que requer loja e empregados, o investimento total fica próximo a R$ 100 mil.”

Antes de criar a franqueadora Yostsui tinha uma indústria em Sorocaba, chamada Clean Water. “Em 1997, vendi o negócio e vim para São José do Rio Preto. Minha intenção não era trabalhar com filtros de água. Mas como havia recebido mil filtros como parte do pagamento, comecei a vendê-los”, conta.

Posteriormente, eu iria montar uma corretora de planos de saúde, daí o nome Hoken, que significa seguro saúde em japonês.”

O vice-presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Altino Cristofoletti, conta que o franchising brasileiro, em um primeiro momento, se desenvolveu nas capitais. Logo em seguida, chegou às grandes cidades. “São José do Rio Preto fica distante da capital, por isso passou a ocupar certa relevância na região, o que fez com que a cidade se desenvolvesse muito nos setores de comércio e serviços.”

Segundo ele, hoje o município concentra mais de 400 marcas de franqueadoras em atividade. “Por ser um município importante e ter vários shoppings, muitas marcas têm interesse de marcar presença no local. Alimentação é um dos segmentos que congrega mais unidades, assim como acessórios e calçados. Também é relevante a presença de redes de saúde e beleza”, afirma.

Ele considera que a localização da cidade, cortada por importantes rodovias como Washington Luis e Transbrasiliana, além da existência de um aeroporto, serviram de incentivo para a proliferação dos negócios na cidade. “Trinta e quatro marcas nasceram no local. Inegavelmente, está entre as maiores em número de franqueadores.”

Cristofoletti acrescenta que nos anos 1990, foi criada na cidade uma franqueadora com foco em cursos profissionalizantes. Ele conta que a Microlins cresceu bastante e formou muitos profissionais no sistema de franchising.

vice-presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Altino Cristofoletti

vice-presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Altino Cristofoletti

“O franqueador tem de oferecer suporte ao franqueado. Isso inclui capacitação, consultoria e marketing. A Microlins teve de treinar pessoas da cidade para atender os franqueados da região. Ao ser vendida, deixou muita gente capacitada”, diz.

Segundo ele, alguns passaram a dar consultoria para formatar novas marcas, enquanto outros investiram na fundação de redes. “Eles viram no franchising um canal de distribuição de produtos e serviços”, afirma.

O vice-presidente da ABF afirma que a cidade se tornou um polo significativo para o desenvolvimento do franchising. “Seja pelo surgimento de novas redes ou no aspecto de receber unidades franqueadas de grandes marcas.”

Outra empresa que ajudou a formar muitas pessoas neste segmento foi a Hoken International Company, de Hélio Yostsui, fundada em 1997. “Tenho muitos ex-funcionários que se tornaram franqueados da Hoken, enquanto outros viraram franqueadores.

O empresário acredita que os exemplos de negócios bem sucedidos deixados pelas primeira marcas que nasceram na cidade serviram de inspiração para despertar o perfil empreendedor em vários rio-pretenses.