Primeira  infância se torna foco  de negócios
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Primeira infância se torna foco de negócios

Objetivo é potencializar o desenvolvimento por meio de estímulos e sensibilização dos pais

CRIS OLIVETTE

06 Novembro 2016 | 07h08

 

Débora Pláton e Larissa Bertagnoni

Débora Pláton e Larissa Bertagnoni

A Adoleta, criada pela psicóloga Débora Pláton e pela terapeuta ocupacional Larissa Bertagnoni, foi uma das 26 empresas de impacto social selecionadas para a segunda edição do Artemisia Lab Primeira Infância. “Esse processo de pré-aceleração durou cinco semanas e foi muito enriquecedor. No final, nosso negócio ficou entre os três selecionados para serem acelerados pela Artemisia. Também recebemos capital semente de R$ 10 mil”, conta Débora.

A Artemisia é uma organização sem fins lucrativos que dissemina e fomenta negócios de impacto social no Brasil com o objetivo de inspirar, capacitar e potencializar empreendedores que atuam nesse segmento.

Segundo a gerente de relações institucionais da entidade, Priscila Martins, um dos critérios de seleção é a real intenção de melhorar a qualidade de vida da população de baixa renda com soluções voltadas à primeira infância. “A organização deu prioridade a propostas alinhadas a temas como parentalidade, educação, brincadeiras, interação com a natureza, entre outros.”

Priscila Martins

Priscila Martins

Priscila afirma que o objetivo do programa é apoiar empreendedores com soluções inovadoras em estágio inicial, que tenham forte compromisso de gerar impacto positivo na vida de milhares de brasileiros em médio e longo prazos.

As fundadoras da Adoleta consideram que o investimento em primeira infância e em acessibilidade pode transformar a sociedade. “Acreditamos que mudando o início da história das crianças, podemos mudar o seu desfecho e construir uma sociedade mais justa e próspera”, dizem.

Larissa conta que participar do Artemisia Lab ajudou a aprimorar o modelo de negócio e potencializar o trabalho em larga escala. “Tivemos avanços importantes, como a parceria com a Creche Segura EAD e com o Instituto Mara Gabrilli”, diz.

A Adoleta atua em quatro frentes de trabalho, voltadas a equiparar as oportunidades de desenvolvimento das crianças de zero a seis anos. “Temos as Estações de Brincar Acessíveis, cursos e palestras para profissionais e cuidadores, consultoria em primeira infância e acessibilidade, e ferramenta de capacitação para educadores. Partimos da premissa que ao construir competências nos adultos, se fortalece o desenvolvimento infantil”, diz Débora.

Elas contam que a receita da empresa vem principalmente das estações de brincar. “Empresas compram o serviço para oferecer à população. Já estivemos em eventos como virada cultural sustentável e Slowkids. Também realizamos palestras em escolas particulares.”

Larissa explica que as Estações de Brincar são espaços para o brincar livre, que une experimentação sensorial e motora para crianças de zero a seis anos com ou sem necessidades especiais. “Usamos materiais comuns para que as famílias reproduzam em casa, como bacias com elementos da natureza, contação de histórias sensoriais, estações de tintas naturais. A proposta é de que os pais brinquem junto com as crianças, enquanto nossa equipe tira dúvidas e debate sobre o desenvolvimento infantil. A partir dessa troca e da construção de uma memória afetiva entre crianças e pais se constrói muitas relações.”

A Descobrir Brincando, fundada por Ana Maria Bastos Pinto, tem trabalho voltado às crianças mas que é concentrado na sensibilização dos adultos. “Acredito que ao construir as competências nos adultos, fortalecemos a relação adulto/bebê que é o alicerce para o desenvolvimento integral da criança, tanto no que diz respeito à saúde quanto ao comportamento e capacidade de aprendizagem”, afirma.

Ana Maria Bastos Pinto

Ana Maria Bastos Pinto

Ana Maria conta que realiza oficinas, que gosta de chamar de encontros voltados para adultos e bebês, nas quais organiza um espaço seguro e desafiador para o brincar, que também é ‘nutritivo’ afetivamente.

“Os bebês são colocados no centro de um circulo e escolhem objetos para manipular, sem a ajuda do adulto. Temos sempre um ou dois mediadores que estimulam os adultos para que ocorra uma observação compartilhada e que destacam as conquistas dos bebês. O objetivo é sensibilizar o olhar do adulto para a criança. A experiência serve para fortalecer o vínculo entre o bebê e os adultos com os quais convive.”

Segundo ela, adulto referência pertencente às classes C, D e E muitas vezes não teve essa experiência na infância, por isso, a dificuldade para modelar esse tipo de comportamento é maior. “A falta de repertório na história da pessoa influência na relação com o bebê.”

Para levar as oficinas à população de baixa renda ela faz parcerias com empresas, bancos e Ong’s. “Também fechamos parceria com o Sesc”, conta.

O Erê Lab, negócio de impacto social voltado à construção de mobiliário urbano lúdico de grande porte, tem por objetivo criar o território da criança na cidade e estabelecer a conexão afetiva dela com a urbe e com as demais pessoas.

Criado pelo cenógrafo Roni Hirsch e pela publicitária Heloisa Paoli, em 2014, o negócio c tem atualmente 16 itens no catálogo. “Nosso objetivo é resgatar o tempo e o lugar do brincar nas praças e espaços públicos das cidades”, diz Hirsch.

Segundo ele, a ideia surgiu após o nascimento de seu filho, quando ocorriam as manifestações de junho de 2013. “Vendo as imagens na TV com meu filho no colo, desejei fazer algo para que ele e as demais crianças pudessem se tornar adultos melhores. Escrevi o Manifesto pela Criança do Século XXI e coloquei em xeque questões como a ditadura do medo e o fortalecimento da criança como cidadão. A criança só pode ter uma relação melhor com a cidade se for respeitada desde o princípio.”

Roni Hirsch e Heloisa Paoli

Roni Hirsch e Heloisa Paoli

O primeiro set de equipamentos foi montado em uma feira de design no Jockey Club de São Paulo. “Em seguida, fomos convidados pela prefeitura para participar do Festival de Direitos Humanos, realizado na Praça do Patriarca. Em agosto deste ano inauguramos um espaço permanente no mesmo local. Também montamos cinco espaços em comunidades carentes do Rio de Janeiro, em parceria com Nike. E outro na Largo da Batata, em Pinheiros.”

O empresário afirma que recebe diversos retornos que apontam a melhora no convívio entre as crianças moradoras dessas comunidades. “As peças possibilitam interação livre das crianças que encontram seus próprios limites. Enquanto os pais ficam livres para interagir entre si, isso cria outras consequências além das relacionadas às crianças ou ao espaço.”

Segundo ele, o negócio tem quatro divisões: produtos; projetos específicos que desenvolve temáticas específicas de acordo com a comunidade, topografia de terreno, disponibilidade de investimento etc; e o Erê Lab em Ação, que loca equipamentos para eventos em espaço público. “Já realizamos cerca de 70 eventos e atingimos mais de 15 mil crianças.” O Erê Lab foi um dos vencedores do Artemisia Lab realizado em 2015.

Sementes Brilhantes é uma ONG criada por Gláucia Maciel que no ano passado passou por aceleração na Artemisia. A solução tem por objetivo capacitar pais, educadores e cuidadores a estimular crianças da forma adequada nos primeiros mil dias de vida, possibilitando o acesso a iguais oportunidades.

Gláucia Maciel

Gláucia Maciel

“Nosso kit inclui programa de coaching e reconhecimento integrado; planos de aula dinâmicos e interativos nas modalidades de psicomotricidade, sensibilidade musical e expressão artística, e mais de dois mil equipamentos e brinquedos de ponta exclusivos”, conta.

Gláucia conta que no momento está em processo de pesquisa e desenvolvimento dos kits. “Pretendemos iniciar as vendas em fevereiro de 2017. Nossa missão é estimular um milhão de cérebros em mil dias. Para atingir este objetivo, estimamos vendas para cinco mil creches, duas mil ‘mães crecheiras’ e 100 mil kits para pais nos próximos 3 anos.”

Ela diz que o estímulo inadequado dos bebês limita o desenvolvimento intelectual, emocional e social na vida adulta. “O ensino nas creches públicas além de ser desigual, é mais focado em vigiar do que estimular a criança.”