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Problemas antigos, soluções inéditas

Ideias originais impulsionam a criação de novos negócios que contribuem para solucionar adversidades na área da saúde e agrícola

CRIS OLIVETTE

19 Agosto 2018 | 07h06

Soraia Benavides e a filha, Julia. Foto: Daniel Eid/Divulgação

A melhor saída para solucionar um problema pessoal pode ser a criatividade. Foi assim que Soraia Benavides e sua filha, Julia, estudante de administração, encontraram uma lacuna para inovar. Elas desenvolver um lençol impermeável, com válvula para escoamento da água, para que pacientes presos a cama hospitalar tenham o prazer de tomar banho com água corrente.

“Minha tia teve esclerose lateral amiotrófica (ELA) e ficou dois anos num hospital. Nessa situação, o ‘banho’ é um pano úmido passado pelo corpo. Inconformada, minha mãe criou o lençol”, conta Julia.

Segundo ela, os enfermeiros gostaram da ideia e divulgaram o produto para familiares de outros pacientes. “Percebemos que poderíamos ajudar outras famílias. Fizemos uma pesquisa e descobrimos que não havia nada parecido no mercado. Em 2012, entramos com pedido de patente”, diz.

O negócio, Banho no Leito Seláh, foi formalizado em 2016. “Nos primeiros anos, minha mãe doava o produto. Seláh significa Siloé, tanque no qual Jesus curou um cego. Buscamos na água e na fé, esperança e conforto para os doentes”, afirma.

Julia diz que está em negociação avançada com um grande hospital. “Quando o contrato se concretizar teremos know-how para abordar outros hospitais de forma mais assertiva. Ter um hospital como cliente nos dará mais credibilidade. Hoje, a venda é maior entre pacientes assistidos em casa.”

O produto é reutilizável e dura cerca de 150 banhos. “O kit com um lençol, uma mangueira de escoamento e uma mangueira para chuveiro custa R$ 450. Recebemos vários retornos dos familiares e é tocante ver o quanto ajudamos a melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. O banho proporciona prazer e previne escaras, assaduras e infecção urinária.”

Proteção

Mesmo não tendo uma ideia inédita, o empreendedor pode aprimorar um produto e lançar algo diferenciado. Esse é o caso do negócio criado por Fabiane Kuhn e três sócios, fundadores da Raks.

Fabiane kuhn, Guilherme de Oliveira Ramos (em pé) e Vinícius Muller Silveira. Foto: Rodrigo Blum

A inspiração veio da vontade de contribuir para a redução do desperdício de água durante a crise hídrica de 2014, quando ainda cursavam ensino técnico em eletrônica. Pesquisando, descobriram que 70% da água do mundo é destinada à agricultura e cerca da metade desse volume é desperdiçado.

“Desenvolvemos uma tecnologia para atuar diretamente no processo de irrigação. Criamos um sensor que mede a umidade do solo. O produto fica fixo no campo, é alimentado com energia solar e transmite os dados usando sistema de comunicação sem fio”, conta Fabiane.

A jovem de 22 anos diz que o agricultor pode acompanhar, por meio de aplicativo instalado no celular ou pelo site da empresa, o que realmente está acontecendo na lavoura e o momento adequado para acionar o sistema de irrigação.

O sensor está em fase final de validação e chegará ao mercado até o final do ano. “Mesmo já havendo tecnologia semelhante, descobrimos que elas apresentam informações imprecisas e têm alto custo. Queremos atingir o grande e o pequeno produtor. O sistema é modular, assim, enquanto o pequeno vai precisar de um ou dois sensores, o grande poderá utilizar 30 para cobrir toda a lavoura.”

A monetização da Rakz virá da venda do sensor e de serviços adicionais inseridos no software. “Nosso site tem versão gratuita, com funcionalidades básicas. Mas vamos vender adicionais, como a identificação de vazamento, conexão dos dados medidos pelos sensores com estimativa climática etc.”

Diagnóstico

No sudeste do Brasil, principalmente na capital paulista, não é novidade ter laboratório especializado na coleta de líquor (fluído corporal presente no cérebro e na medula espinhal), para diagnosticar patologias do sistema nervoso como meningite, encefalite, esclerose múltipla ou Alzheimer.

Rene Pimenta. Foto: Carolina Barbosa/Divulgação

No restante do País, no entanto, médicos e pacientes não contam com esse serviço. Para ampliar o acesso ao diagnóstico correto, a CRM Líquor, fundada pelo patologista Rene Pimenta em 1987, passou a atuar como franqueadora no ano passado. Além de ter três unidades próprias na grande São Paulo, a marca já opera em Brasília e Paraíba.

“Por meio do franchise espero difundir a especialização na coleta do líquor pelo País. Esse o modelo permite levar formatação, treinamento e software aos neurologistas e infectologistas, para que possam utilizar o exame que irá auxiliá-los nos diagnósticos e terapêuticas”, afirma Pimenta.

O investimento é de R$ 100 mil para criar um centro de coleta que cuidará do envio do material para análise no laboratório central da CRM em São Paulo.

“Nesse caso, a coleta será feita em horário próximo a saída de voo para São Paulo. O material vem acondicionado em caixa térmica e o resultado é enviado pela internet. O médico que possui clínica neurológica na qual realiza outros exames pode utilizar a estrutura existente.”

Pimenta diz que fará divulgação massiva da marca durante o Congresso Brasileiro de Neurologia, que será realizado em outubro, no qual a CRM Líquor terá estande.