Programa  ajuda a pôr startups em operação

Programa ajuda a pôr startups em operação

Sebrae vai escolher 50 negócios em todo o Estado para fazer capacitação e mentoria

CRIS OLIVETTE

02 Julho 2017 | 07h27

Guilherme Ralisch, coordenador do programa Startup SP. Foto: Patrícia Cruz

A segunda edição do programa de desenvolvimento de negócios Startup SP, realizado pelo Sebrae, está com inscrições abertas até 12 de julho. Podem concorrer startups em estágio de validação das cidades de São Paulo, Bauru, Piracicaba, Ribeirão Preto e São José dos Campos. Serão selecionados dez negócios de cada município.

A inscrição deve ser feita pelo site https://www.f6s.com/startupsp. A pré-aceleração irá oferecer capacitação, acompanhamento de negócios e mentorias.

Coordenador do Startup SP, Guilherme Ralisch afirma que existem três pré-requisitos para a participação: a equipe deve ter no mínimo duas pessoas, o negócio deve ser digital, e a startup tem de estar no momento de validação do produto ou serviço.

“Nessa fase, o empreendedor já entendeu o mercado, tem ideia de como será o produto, talvez já tenha atraído o interesse preliminar de um potencial cliente, mas ainda não chegou ao estágio de crescimento”, diz.

Segundo ele, a única ressalva será feita no programa a ser realizado em Piracicaba. “Lá, iremos selecionar, exclusivamente, startups relacionadas ao agronegócio, porque a região é muito voltada a essa atividade e os nossos parceiros são especializados no segmento. Então, achamos importante fortalecer esse movimento”, explica.

Ralisch conta que na edição realizada no início deste ano o programa recebeu 180 inscrições na cidade de São Paulo. “Nos municípios do interior, a média foi de cerca de 40 inscritos por cidade. Acredito que agora também manteremos essa média.”

Entre as selecionadas na primeira edição na cidade de São José do Rio Preto, estava a Field Control, criada por Eduardo Santos e Luiz Freneda. Eles desenvolveram um aplicativo para gestão de prestadores de serviço.

Luiz Freneda (à esq.) e Eduardo Santos, fundadores da Field Control. Foto: Michele Nogueira

Santos conta que o aplicativo foi criado para solucionar um problema que já foi vivenciado por muitas pessoas. “Ao agendar um serviço para ser feito em casa, o profissional chegou atrasado ou nem apareceu. É um problema recorrente”, afirma.

Estudando esse mercado, os sócios notaram que tal fato afeta a imagem e a gestão dessas micro e pequenas empresas que atuam nos ramos de climatização, segurança eletrônica, telecom, desentupimento, dedetização,serviços de chaveiros, entre outros.

“Nossa solução foi direcionada para a gestão dessas empresas. Queremos melhorar o nível de prestação de serviço no Brasil, este é o nosso propósito.”

O empreendedor afirma que pelo aplicativo o cliente acompanha o deslocamento do técnico e sabe o horário previsto de chegada. “Ele também recebe o nome e a foto do prestador de serviço. Tudo isso proporciona mais segurança ao cliente, que no final avalia o serviço. Dessa forma, o gestor da empresa pode corrigir possíveis falhas.”

Santos considerou “fantástica” a experiência de participar do programa. “Estamos em nossa primeira jornada empreendedora e o Sebrae contribuiu para a nossa formação como empreendedores. Além disso, nossa proposta entrou no programa como projeto e saiu como negócio”, conta.

Atualmente, o aplicativo está sendo utilizado por mais de 500 usuários que atuam em cerca de 80 empresas clientes da Field Control. “Mais de 100 mil serviços já foram concluídos utilizando nossa plataforma”, afirma.

Santos diz que agora a meta é atrair empresas de porte um pouco maior. “Nossa expectativa é de atingirmos três mil técnicos até o final do ano.”

Validação. Segundo Ralisch, o programa tem três pilares básicos: o primeiro é a capacitação, o segundo é acompanhamento dos negócios por um consultor do Sebrae, feito de forma individual e que se assemelha a um coaching. “No terceiro pilar está a mentoria. É realizada uma vez por mês, quando reunimos todas as startups e os parceiros locais para a realização de uma rodada de mentoria. Esse encontro tem por objetivo oxigenar a cabeça dos empreendedores e dar visão de mercado.”

O coordenador afirma que a iniciativa também tem grande preocupação com as métricas do negócio. “Procuramos validar a necessidade desse produto ou serviço no mercado, testá-los com clientes reais e fazer com que as startups comecem a ter faturamento.”

André Garcia, fundador da ConstruBee. Foto: Silvio Alves

Experiência. Depois de identificar uma necessidade no negócio da família, que atua há várias décadas com lojas de material de construção, o engenheiro civil André Garcia teve a ideia de criar a ConstruBee, também selecionada para a primeira turma do Startup Sp. O negócio é um marketplace de ponta de estoque de material de construção, que comercializa produtos com preços mais atrativos.

“Nossa solução aumenta a rotatividade da ponta de estoque do lojista, evitando que as mercadorias ocupem espaço por muito tempo, além de impedir que o dinheiro fique parado.”
Para expor os produtos no marketplace, Garcia cobra pequena mensalidade dos lojistas. Em troca, oferece um sistema para ajudá-los a organizar estes materiais, dar visibilidade aos produtos e aumenta as vendas.

Segundo ele, cadastrar os produtos demanda grande trabalho. “Visito os potenciais clientes e dou essa assessoria para identificar e organizar o material. Para mim é um trabalho tranquilo, porque estou dentro da minha área. Nesse sentido, a dica que dou para quem quer empreender é que resolva um problema dentro de sua área de atuação. Isso faz muita diferença, porque poderá passar confiança e credibilidade.”
A ConstruBee está em operação há dois meses e, até o momento, possui seis clientes cadastrados. “Mas temos mais de 20 lojas engatilhadas para visitarmos e selecionarmos os produtos. Dentro de dois meses, será possível comprar esses materiais pela nossa plataforma. No momento, é possível apenas fazer a cotação.”

O empresário diz que o negócio está sediado em Cosmópolis, na região de Campinas, que concentra aproximadamente quatro mil lojas. “Pretendemos encerrar o ano atendendo entre 100 e 150 lojistas.”
Inicialmente, o negócio está voltado apenas ao material de ponta de estoque, mas sua ideia é agregar a venda de todos os produtos comercializados por pequenas e médias lojas de material de construção. Quando isso ocorrer, receberemos porcentual sobre as vendas.”

Participar do Startup SP, segundo ele, foi importante em dois sentidos. “O networking nos abriu portas e conhecemos pessoas com as quais aprendemos muito. Além disso, o know-how da equipe do Sebrae é muito bom. Eles nos deram apoio nas áreas de marketing, jurídico e vendas. Todos são muito preparados.”

Empresa usa roteador para obter dados e analisar clientes

Engenheiro de computação, Leonardo Alves de Paula e Silva tinha uma empresa de prestação de serviço de instalação de redes de computador e distribuição de áudio e vídeo.

“Certo dia, um cliente, dono de uma padaria, nos procurou dizendo que queria usar o Wi-Fi pra obter informações sobre seus clientes para divulgar produtos. Além disso, queria limitar o tempo de acesso ao Wi-fi, para aumentar a rotatividade no estabelecimento”, conta.

Leonardo Alves de Paula e Silva, fundador da Up!Wi-Fi. Foto: Leonardo Silva

Estudando o potencial dos equipamentos com os quais trabalhava, viu que eles permitiam captar dados. “Depois disso, fiz pesquisa com 40 empresas e concluí que a necessidade do meu cliente era um problema recorrente entre donos de lojas de conveniência, restaurantes, bares e casas noturnas.”

No final de 2015, procurou o Sebrae para falar sobre a ideia do novo negócio. “Eles explicaram que eu estava criando uma startup e precisava validar o produto. Voltei para São José do Rio Preto, consegui dois clientes e a partir daí vendi minha parte na outra empresa a meu sócio e passei a me dedicar à Up! Wi-fi.” A startup foi uma das selecionadas pelo Startup SP que ocorreu no início do ano.

Segundo ele, quando o cliente de um dos estabelecimentos atendidos pela Up!Wi-Fi faz cadastro para ter acesso à internet, o sistema capta seus dados. “Assim, é possível saber quem é a pessoa, com que frequência vai ao local, quanto tempo fica, faixa etária e gênero.”

Ele diz que o simples fato de oferecer acesso ao Wi-Fi não traz retorno ao estabelecimento. “Com a ferramenta, é possível entender o comportamento e o perfil dos frequentadores.”

O empreendedor conta que já tem 14 clientes de cinco cidades do interior do Estado e está fechando contrato com o primeiro cliente da capital paulista, uma franquia de alimentação.

“O sistema já recebeu 150 mil visitas feitas por 33 mil consumidores cadastrados. Por dia, são preenchidos cerca de 300 novos cadastrados”, diz.

O empreendedor conta que ganha dinheiro de três formas: com a mensalidade, que proporciona renda recorrente; com a taxa de implantação, cobrada no primeiro mês; e vendendo roteadores homologados para que a aplicação possa funcionar.

Segundo ele, uma questão legal também envolve o negócio. “O marco civil da internet determina que os estabelecimentos que oferecem Wi-Fi aos clientes têm as mesmas responsabilidades de um provedor. Se um cliente cometer um crime cibernético e o proprietário não souber identificar quem foi, o proprietário é responsabilizado.”

Caso o problema ocorra em um local que utiliza o Up!Wi-Fi, o comerciante poderá informar os dados da pessoa que estava conectada naquele determinado dia e horário. “A solução também é uma forma de proteção, além de fazer marketing muito direcionado ao cliente.

“A passagem pelo programa fez aumentar em 140% o faturamento e 75% o número de clientes. Aprendi a definir muito bem nossa proposta de valor, a reconhecer a dor do cliente e como apresentar o produto que vai solucionar seu problema. Agora, também sei avaliar quanto vale a empresa, utilizar ferramentas de marketing digital e técnicas para reter clientes.”

A startup está em fase de crescimento e irá atingir o ponto de equilíbrio quando conquistar 65 clientes. “Agora, procuramos investidores”, diz Silva.