Promessa torna-se real e clínica vira negócio em expansão

Promessa torna-se real e clínica vira negócio em expansão

Médico cria unidades de atendimento com ‘preços acessíveis’ e ‘atendimento humanizado’; faturamento em 2016 foi de R$ 60 milhões

Claudio Marques

01 de maio de 2017 | 07h07

ADIEL FARES. FOTO ALEX SILVA/ESTADAO

Por Cláudio Marques
Quando se formou, em 1980, o médico Adiel Fares fez uma promessa ao pai. “Jurei que iria criar uma clínica na Vila Nova Cachoeirinha (bairro da zona norte da capital) para pessoas com dificuldades, e que fosse a mais completa possível.”

Ele conta que sua infância teve influência na decisão. “Quando eu era criança, aqui na Cachoeirinha, eu percebia que não havia medicações de emergência para crises de asma em clínicas, eu era uma criança asmática. Era preciso ir até um hospital fazer inalação. Não havia uma clínica mais completa e acessível”, recorda Fares, que é cardiologista e geriatra. Já adulto, constatou que a situação pouco havia se alterado.

No entanto, a promessa precisou esperar e somente em 1988, com ajuda do pai, então um próspero comerciante de móveis, ele alugou um espaço no bairro e começou a dar forma à Clínica Fares. No início, eram apenas dez especialidades. Sempre oferecendo atendimento com preços acessíveis, o número de clientes foi crescendo. Hoje, são 36 especialidades médicas atendidas por 450 médicos em 340 consultórios nas três unidades, onde trabalham 400 colaboradores. Entre as especialidades, estão oftalmologia, pediatria, ginecologia e urologia e outras.

O faturamento, segundo ele, tem sido progressivo: em 2016 foram R$ 60 milhões e, para este ano, está investindo R$ 40 milhões, para inaugurar mais quatro unidades para assim elevar o faturamento a até R$ 100 milhões. Para chegar a esses resultados, a estratégia de Adiel tem sido preço acessível, atendimento humanizado e a adoção do modelo de clínica resolutiva.

“A Fares atende da consulta até o pós-operatório. Nós levamos o paciente para operar, nossos médicos fazem mais de 700 cirurgias/mês dentro de hospitais, é um número grande. Isso faz com que a comunidade entenda que a clínica é solução. É diferente daquele modelo em que a clínica faz só algumas consultas, diferentemente do modelo o resolutivo”, diz o médico.

“Por isso, eu digo que a Fares consegue resolver 95% dos problemas de saúde da comunidade, exceto as emergências graves, os tumores.”

Claro que a crise e o vácuo deixado por planos de saúde, que ficam além das possibilidades de boa parte da população, s que não quer enfrentar o SUS, contribui para a expansão. “Em 2016, atendemos 1 milhão de pacientes. Agora, estamos na faixa de 100 mil por mês. O Hospital São Paulo, por exemplo, faz 300 mil consultas/mês, mas olha o tamanho deles”, compara.

Os valores cobrados podem ajudar a explicar esses números. “O preço das consultas fica entre a R$ 80 e R$ 200, dependendo da especialidade. Uma ressonância magnética chega a custar um quarto do mercado, R$ 600, enquanto em outros locais pode custar até R$ 2.400.” Ele afirma que seus aparelhos são os mesmos usados em hospitais e laboratórios conceiturados. “E operado pelo mesmo médico formado no Hospital das Clínicas, o mesmo médico que lauda para o Sírio-Libanês”, diz, para argumentar que a Clínica Fares “prima por qualidade”.

Ele, porém, diz que não tem foco em uma classe social específica. “A Fares atende qualquer pessoa que queira fazer seu diagnóstico de forma completa e acessível. Eu não atendo uma classe social, atendo todas as pessoas que têm interesse. Não estamos focados em uma classe social, mas em pessoas que estão doente e querem resolver o problema dentro do menor prazo possível e de uma forma acessível.”

A remuneração dos médicos é um ponto delicado para Adiel. “Eu não gosto de comentar como é a forma do contrato com eles. Mas comparado a outras clínicas , a remuneração deles é 50%, 60% maior.”

Divisão. Os valores da consulta também remuneram a clínica. “Tudo tem um porcentual. Os médicos deixam um porcentual do atendimento deles, mas eles ficam a maior parte.”

Segundo Adiel, 77% dos pacientes são mulheres. “Elas conseguem fazer consultas ginecológicas, exames de ultrassom, colposcopia, mamografia, em quatro horas. Uma semana depois, se for o caso, fazem uma biópsia. Então, elas conseguem fazer o diagnóstico de um eventual câncer de colo uterino ou de mama rapidamente e tratar. É um quadro compatível com os melhores centros de referência para tratamento de mulheres no mundo. É acessível.”

Adiel diz que os médico são constantemente treinados para fazer um “atendimento humanizado”. Recebem o paciente na porta do consultório, conversam com ele e depois o acompanham até a saída. A proximidade com o paciente é proposta da clínica. “O paciente não fica solto, largado, há pessoas toda hora acolhendo-o, porque se ele está doente, está carente, por isso, é preciso ampará-lo.”

Ele afirma que tem uma gestão voltada para a satisfação do paciente. “Por isso, nossa procura é alta e nosso índice de satisfação, elevado.” E ressalta ter um ótimo time na gestão e que investe recursos próprios na expansão de rede. Para uma unidade padrão, são necessários R$ 10 milhões e uma área de cerca de 2,5 mil m² em locais bem servidos de transporte público e de estacionamento.

Em julho, a Fares vai pôr em funcionamento um sistema que permitirá acompanhar todas as evoluções nos exames do paciente, pois todos resultados ficarão armazenados no sistema.

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