Qual é a melhor hora de profissionalizar a sua empresa?

Qual é a melhor hora de profissionalizar a sua empresa?

Empreendedores e consultores dizem como detectar a necessidade e relatam os benefícios que a medida proporciona aos negócios

CRIS OLIVETTE

05 de março de 2017 | 07h38

Fabiana Patury

Fabiana Patury

A Pop Mobile – Locação de Objetos e Móveis para Festas foi criada há dois anos pela advogada e administradora Fabiana Patury. “Comecei o negócio como microempreendedor individual (MEI), de maneira muito informal, no escritório de casa.”
A necessidade de profissionalização veio com o aumento da demanda. “Há um ano, notei que não estava dando conta de cuidar da gestão e contratei uma consultoria”, conta.

Fabiana recebeu suporte para criar um plano de negócio. “Hoje, a consultoria administra as finanças da empresa e uma vez por mês nos reunimos para decidir os próximos passos, traçar metas, fazer planejamento financeiro, avaliar o que podemos introduzir de novidade etc.”

A empresária afirma que esse apoio tem sido essencial para o crescimento da empresa. “Eles nos indicam novas tecnologias que podem nos ajudar a melhorar a performance. Agora, vejo os números com mais clareza. Isso é fundamental para a tomada de decisões. E definimos uma meta de vendas bem alta. Esperamos ter 80% de aumento no número de locações em relação ao ano anterior.”

Segundo o diretor da Prosphera Educação Corporativa, Haroldo Eiji Matsumoto, o melhor momento para profissionalizar um negócio é quando o empreendedor percebe que sua jornada de trabalho, que antes era desafiadora, mas trazia satisfação, se tornou uma aflição de problemas e conflitos. “Isso costuma ocorrer depois de a empresa começar a crescer e a contratar colaboradores”, diz.

Por outro lado, o consultor de gestão da Inside Business Design, Marcelo Scharra, afirma que o processo de profissionalização costuma ser doloroso para o pequeno e médio empresário, por exigir que ele mude a sua rotina.

“Ele passa a ser questionado e tem seus maus hábitos profissionais questionados de forma direta, além de ter de rever seus paradigmas. Este último é um dos principais pontos críticos de sucesso no processo de profissionalização”, ressalta.

Segundo Scharra, quando ele inicia esse tipo de processo e o empresário diz ‘mas eu sempre fiz de outro jeito e dessa forma não vai funcionar’, é um forte indício de que o processo tem grandes chances de naufragar.

Marcelo Scharra

Marcelo Scharra

Naufrágio. “Portanto, o melhor momento é quando os sócios estiverem convencidos de que o tempo de profissionalizar chegou e que isto é mais importante que manter os antigos hábitos”, afirma o consultor.

Matsumoto diz que outra percepção do momento de profissionalizar o negócio é quando as responsabilidades do empresário crescem e ele não consegue dar conta de tudo e fica esgotado.

“Ele pode sentir os reflexos da falta de profissionalização pelos atrasos no prazo de entrega, retrabalho, desperdício, conflitos entre as pessoas e processos. Mas , principalmente, quando a empresa, que antes era lucrativa, começa a ter dificuldade de cumprir seus pagamentos ou já está em dívida financeira.”

Segundo ele, vale lembrar que a empresa pode ter um ou mil colaboradores. “A questão da profissionalização está na visão de futuro do empresário e o que ele espera como retorno de seu empreendimento.”

O consultor afirma que a maior dificuldade é o empresário acreditar que é possível sair do modelo atual para se tornar uma ‘pequena grande empresa’. “Pequena no faturamento, mas grande nos processos e na forma como interage com o mercado”, diz.

Scharra alerta que o processo de mudança pode ser boicotado pelos colaboradores que não querem deixar sua zona de conforto. “Já vi isso ocorrer. Por esse motivo, o posicionamento firme da liderança é fundamental neste processo.”

O consultor afirma que ferramentas de baixo custo podem ajudar na gestão. “Para controle de estoque e finanças existe uma série de softwares (ERP) que integram todos os dados e processos da organização em um único sistema e podem ser contratados por valores bem acessíveis”, diz.

Segundo ele, para a área de vendas, o software de gerenciamento de relacionamento com o cliente (CRM) tem custo a partir de R$ 10 por usuário. “A ferramenta oferece um grau de organização importante e expõe colaboradores menos empenhados”,afirma.

Custos e lucratividade. É nessa fase de implantação do software CRM que está a rede de clínicas Doutor da Coluna, criada há dois anos. “Com o sistema poderemos reduzir custos e aumentar a lucratividade”, diz o fundador da marca, Joe Rosário.

Segundo ele, isso será possível porque a ferramenta irá gerenciar o controle de fidelidade e satisfação do cliente nas áreas de vendas, marketing e atendimento ao cliente. “Também poderemos automatizar as respostas, acelerando os processos e liberando a equipe para outras atividades”, afirma.

Formado em fisioterapia e PhD em coluna, Rosário diz que na faculdade não teve treinamento de gestão. “Precisei buscar informações e contratar profissionais que me ajudaram a formatar o negócio para poder crescer por meio de licenciamento”, conta.

Joe Rosário

Joe Rosário

O empresário afirma que é preciso ser formado em fisioterapia para ser um licenciado da marca. “Capacitamos esses profissionais em nosso Instituto de Terapia Manual, que oferece mais de 20 cursos.”

Até o momento, a marca tem sete unidades licenciadas e a meta para 2017 é encerrar o ano com 50 unidades.

Formada em moda, Luciana Collet criou, em 2011, o Atelier Luciana Collet Couture, para confeccionar vestidos de festa e de noiva. “O negócio era bem pequeno. No primeiro ano de atividade, eu ia até a casa das clientes para tirar as medidas e para fazer as provas. Um ano depois, abri meu espaço físico no bairro Cidade Jardim. Aos poucos, a demanda foi crescendo.”

Até 2015, Luciana cuidou sozinha da gestão. “No ano passado, senti a necessidade de contratar uma empresa para analisar todos os setores da empresa, principalmente o financeiro. Percebi que a gestão precisava ficar mais profissional. Tive receio de perder o controle e colocar tudo a perder”, conta.

A empresária diz que a consultoria a ajudou a entender o negócio, além de profissionalizar o setor financeiro, considerado por ela o coração da empresa. “Ela me ajudou a elaborar um plano de negócio e a traçar metas para os próximos cinco anos”, conta. “Implantamos sistemas muito simples para lidarmos no dia a dia. Às vezes, achamos que a parte financeira é um bicho de sete cabeças. O grande erro dos pequenos empresários é não saber lidar com o assunto e não buscar ajuda.”

Luciana Collet

Luciana Collet

Segundo ela, o plano de negócio indica o faturamento mensal e onde pode diminuir despesas. “Isso vai me ajudar a alcançar meus objetivos dentro de cinco anos.”

Ela conta que vai se reunir uma vez por ano com a consultoria para avaliar o cumprimento das metas e se os programas de controle estão funcionando conforme o previsto.

Luciana afirma que o negócio mais que dobrou desde que foi lançado. “Por isso, precisei dessa ajuda profissional, porque estava com medo de me perder no meio do caminho. A consultoria também me ajudou a definir onde investir.”

Por conta da crise, a meta para 2017 é realista. “Se empatarmos o faturamento com o de 2016 será uma vitória. Até 2019, pretendo dobrar a produção, mas não quero crescer muito mais que isso, porque nosso trabalho é muito delicado e personalizado. Prefiro aumentar o valor das peças no lugar de aumentar a produção”, afirma.

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