‘Qualidade sempre vai ser primordial’, diz jovem empreendedor

‘Qualidade sempre vai ser primordial’, diz jovem empreendedor

Fernando Costa Junior é sócio da Ethnos, que atua no segmento de próteses para amputados; ele diz quais são as estratégias que mantêm sua empresa no mercado

Claudio Marques

16 de janeiro de 2017 | 07h07

Fernando Costa Júnior mostra a capa protetora para amputados, novo produto da Ethnos. Foto: Divulgação / Ethnos

Fernando Costa Júnior mostra a capa protetora para amputados, novo produto da Ethnos. Foto: Divulgação / Ethnos

Cláudio Marques
Atuando há 10 anos no especializado e difícil mercado de próteses substitutivas de membros amputados e órteses ortopédicas, a Ethnos fechou 2016 com um faturamento de R$ 6 milhões. O número representa uma elevação de 15% em relação a 2015, e a projeção da empresa é crescer 30% neste ano, impulsionada principalmente pelo novo produto da empresa, a Confete – uma capa protetora de poliuretano para usuários de próteses externas, que acaba de ser lançada.
Sócio fundador da empresa juntamente com seu pai, Fernando Costa Junior afirma que a companhia sempre procurou se desenvolver por meio de processos bem definidos.
“Desde 2010, quando assumi definitivamente o comando da empresa, implantei o sistema de gestão da qualidade e conseguimos obter certificação ISO 9001, além de implantar um software de gestão, que auxilia muito nos relatórios. Com processos e com software de gestão, conseguimos ser mais eficientes e tomar as decisões mais rapidamente”, diz.
Ele afirma que para se manter nesse mercado é essencial ter um trabalho de qualidade. “Isso sempre vai ser o primordial. Costumo dizer que o paciente não é um cliente, porque depois que você consegue fazer a prótese dele e ele se reabilita, ele torna-se um parceiro. Esse é o primeiro ponto, trabalhar fidelizando o paciente.”
Ao longo de uma década no segmento, a Ethnos atendeu 10 mil pacientes e hoje tem 50 funcionários dispersos pelas três unidades da empresa em Duque de Caxias (RJ), Rio de Janeiro e Aracaju.
Costa Jr., hoje com 28 anos, tinha apenas 18 quando a empresa foi colocada em atividade. Desde então, tem participado da direção da empresa, sob a supervisão do pai, que era dono de uma indústria de componentes para a montagem de próteses.
Marca. “Na verdade, a direção geral da empresa, desde o início, foi minha. Mas até mesmo pela inexperiência que tinha na época, sempre tive muito suporte do meu pai, para que pudesse me especializar e assumir definitivamente.”
Isso acabou ocorrendo em 2010, depois de ele ter se graduado em administração pela PUC-RJ e de ter feito intercâmbio. A partir daí, Costa Junior trabalhou para elevar a participação do segmento de clínicas e pacientes particulares na carteira de clientes e assim reduzir a dependência do INSS e de secretarias de Estado da Saúde no faturamento da empresa. “Continuamos atuando na área pública, mas temos um foco maior no particular, que é onde há muitos menos inadimplência.”
O jovem empreendedor conta que, desde a inauguração da empresa, participa de feiras, principalmente na Alemanha, para se manter atualizado no ramo em que atua. Foi em um desses eventos que veio a ideia de produzir a Confete.
“Em 2014, eu vi um produto muito bacana, só que feito em tecnologia 3D, algo que fica um pouco distante da realidade do mercado brasileiro. Quando voltei, procurei uns amigos que trabalham com design e desenvolvemos a Confete em conjunto”, conta.
De acordo com o empresário, a principal diferença da capa para as que existem hoje é que ela é “extremamente acessível e inclusiva.”
“Trata-se de um produto adaptável, feito em poliuretano, fabricado em larga escala. É diferente de um produto 3D, que é um bom produto, porém muito exclusivo.” Enquanto a Confete é comercializada por R$ 399, as concorrentes têm preços que variam entre R$ 1.500 a R$ 2.000.
“Estamos confiantes. Temos uma expectativa bem alta em relação a esse produto. Os pacientes têm o desejo grande de ter uma capa desse tipo.”
Proteção e volume. Ele diz que, além da função protetora, a capa também tem a função de devolver o volume da panturrilha. “Quando se usa uma prótese, há o tubo acoplado ao encaixe, que vai anexado ao coto – a parte amputada. Portanto, há o coto, o encaixe, o joelho, o tubo, e o pé lá embaixo, basicamente. Não há o volume da panturrilha, e perna fica com uma estrutura fina na parte de baixo. Isso incomoda muito os pacientes”, alega Costa Junior.
“Essa capa, protetora do joelho, devolve esse volume e ainda dá ao paciente a opção de personalizá-la, trocando a cor ou adesivando alguma tatuagem na superfície”, acrescenta.
Fernando afirma que sempre teve o sonho de inovar, de fazer diferente. “É muito legal desenvolver um produto exclusivo, mas é mais gratificante ainda desenvolver um artigo que tenha qualidade excelente, é inovador e extremamente acessível à população.”

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