Recuperação judicial: Empolgação levou empresa a crise

Recuperação judicial: Empolgação levou empresa a crise

Após forte crescimento, fabricante de ventiladores enfrentou problemas quando a demanda caiu, mas conseguiu se reerguer

Claudio Marques

16 de agosto de 2014 | 22h29

Delatogna cresceu na empresa fundada por seu pai e agora comanda a recuperação (Foto: Divulgação)

CRIS OLIVETTE

Os verões de 2008, 2009 e a 2010 foram excepcionais para os negócios da Arge Ventiladores. “O fator climático interfere bastante em nosso segmento”, diz o engenheiro mecânico André Delatogna, diretor da empresa fundada por seu pai há 30 anos.

Toda essa boa perspectiva, segundo ele, fez aumentar o otimismo de todos na empresa. “Fizemos projetos mais ousados. Em 2011, estávamos com uma alavancagem financeira alta, fruto do crescimento superior a 60%, ocorrido em 2010, e investimos tanto na parte física da indústria quanto em maquinários e contratação de pessoal.”

Delatogna diz que a empresa praticamente dobrou de tamanho em 2011. “Acontece que em 2011, o verão foi mais ameno, choveu muito e a venda de ventiladores caiu. Na mesma época, houve restrição ao crédito e aumento nas taxas de juros, que nos pegaram no contrapé.”

O empresário afirma que tentou de diversas formas corrigir a crise. “Enxugamos a empresa e tentamos renegociar créditos. Até que em meados de 2013, procuramos ajuda de especialistas em gestão de crise.”

Ele conta que o profissional contratado fez um diagnóstico preciso da situação. “O estudo apontou que a empresa tem viabilidade, mas que teríamos de tomar providências para não deixar a fábrica parar de rodar, além disso, era inevitável fazer o processo de recuperação judicial”, diz.

Segundo ele, foi feito um trabalho minucioso para equalizar as compras, com a produção e o departamento financeiro. “Hoje, temos uma gestão muito justa. Não uso mais crédito, compramos tudo à vista. Essa foi uma das grandes mudanças. Tudo é feito de forma muito mais racional. Estamos numa situação muito pé no chão.”

Entre as transformações na operação, está o uso de uma ferramenta que o ajuda a entender a rentabilidade de cada produto. “Os que tinham rentabilidade baixa, tiramos de linha.”

Também foi preciso reduzir a equipe. “Tínhamos 1,1 mil funcionários, passamos para 700 e hoje são pouco mais de 500. Implantamos muitos processos de otimização na fábrica.”

A Arge entrou em recuperação em agosto de 2013 e a assembleia com os credores está prevista para o final de 2014. Segundo o empresário, a demora se deve ao fato de ser um trabalho minucioso, que deve seguir alguns trâmites.”

Ele conta que muitos fornecedores voltaram a atender a Arge, por acreditarem em sua recuperação. Agora, diz ele, a meta é organizar cada vez mais o negócio.

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