Reduzir o custo fixo dá saúde ao negócio

A vitalidade financeira depende da adoção de medidas simples como corte de gastos

CRIS OLIVETTE

05 Agosto 2018 | 08h12

Marcel Serra da Fonseca. Foto: Felipe Rau/Estadão

A queda no faturamento pode refletir tanto a conjuntura externa quanto interna do negócio. Quando a receita bruta cai, o empresário procura adotar várias medidas para sanar o problema. Mas uma delas, em especial, é bem simples e costuma passar despercebida.

“Às vezes, a melhor solução é trabalhar primeiro a redução de custos fixos. Quando falo sobre o assunto, costumo brincar dizendo que os custos fixos (aluguel, salários, taxas etc.) são iguais às nossas unhas, não percebemos, mas eles estão sempre crescendo”, diz o consultor, Felipe dos Anjos Chiconato.

Segundo ele, nesse momento é comum o empreendedor querer vender mais. “Mas quanto menor for o custo fixo, menos a empresa tem de vender para ter resultado positivo. O controle é feito usando o Demonstrativo de Resultado de Exercício (DRE).”

Chiconato afirma que muitas contas pagas pelos empresários são desnecessárias, como pacotes de tarifas bancárias, de telefonia e de TV a cabo, que têm itens que não são usados.

Felipe Chiconato. Foto: Elaine Satomi/Divulgação

“Não é uma única decisão que salva a empresa. É uma soma de coisas, mas o corte deve começar com os menores custos, porque passam despercebidos e, ao final de 12 meses, representam boa economia.”

Reorganização

Em 2015, quando o dono do Ateliê do Doce, Marcel Serra da Fonseca, identificou queda de 30% no faturamento, passou a trabalhar com foco na redução do custo fixo e no aumento das vendas. “Consegui reduzir o valor do aluguel, busquei novos fornecedores, atualizei o cardápio, renegociei contrato com a operadora de celular, os valores das taxas das máquinas de cartão e passei a procurar promoções para repor o estoque”, conta.

Com as medidas, o custo fixo do negócio caiu 25%. “Acho que essa redução foi vital para salvar a empresa. Uma das dicas mais interessantes que recebi do Sebrae foi aproveitar a estrutura que já possuía para desenvolver outros produtos e aproveitar melhor o maquinário.”

Hoje, o Ateliê do Doce produz o chocolate usado em mais de 200 variedades de doces e o sorvete vendido nas duas lojas da marca, que também é fornecido para bufês. “Eu pagava R$ 35 por quilo de sorvete. Agora, fabricando o produto, o quilo sai por R$ 11. No ano passado, nosso faturamento aumentou 22%. Neste ano, manteremos a mesma faixa.”

Na loja de móveis e decoração infantil Vandi & Cia, Leonardo Pantaleão Mendes mexeu em três esferas do negócio após constatar queda de 30% no faturamento de 2015.

Leonardo Pantaleão Mendes. Foto: Isabella Toiomoto/Divulgação

“Reduzi o custo fixo, o custo variável e adotei a precificação correta. Também implantei meta mensal de venda. Nossa falta de organização fazia com que as costureiras trabalhassem aos sábados, gerando hora extra. Bastou montar um cronograma de trabalho de segunda à sexta-feira para eliminar esse gasto.”

Frequentemente, Mendes contratava trabalho de motoboy para fazer entregas. “Achava que não fazia diferença pagar R$ 30 por esse serviço. Mas identifiquei que fazendo entrega pelo correio ou com o nosso carro, o custo é bem menor.”

O empresário também não sabia que ao precificar um produto tinha de levar em conta inúmeros fatores. “Descobri que quando vou ao Brás comprar tecido tenho de considerar a gasolina consumida, o preço do estacionamento, bem como o salário da costureira, comissão do vendedor e taxa da máquina de cartão de crédito, ou seja, estava perdendo dinheiro.”

Há um ano, quando montou a segunda unidade da Sant’Ana Boutique, o objetivo de Ana Paula de Oliveira era elevar o faturamento, meta que não foi alcançada. “Por serem unidades próximas, meu público ficou dividido e o custo fixo dobrou.” Ela concluiu que a melhor solução será ficar apenas com a unidade que tem melhor localização e mesclar os produtos premium com peças básicas, para atrair mais clientes.

Ana Paula de Oliveira. Foto: Patrícia Cruz/Divulgação

“Negociei o valor do aluguel e obtive redução de R$ 200. Também consegui baixar a taxa da máquina de cartão. Juntando cartão de crédito e de débito, a redução foi de 1,5%. Por mês, isso representa economia de cerca de R$ 400.”

Ana Paula conta que está investindo em sistema para gestão do cadastro de clientes e em marketing digital para atrair público de outros Estados vendendo pela internet. “Estou investindo para crescer mais estruturada e melhorar a minha relação com a clientela.”