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Saiba detectar a hora de mudar

Empreendedores contam como identificaram que era o momento de reinventar o negócio

CRIS OLIVETTE

26 Junho 2016 | 07h09

Antonio Miranda, fundador da Cuponomia

Antonio Miranda, fundador da Cuponomia

Antes de fundar o Cuponomia, portal que reúne cupons de descontos de diversas lojas virtuais, os sócios Antonio Jorge Miranda e Vinícius Dornela, criaram outras duas empresas.
“Aprendemos muito com os negócios anteriores, a bagagem que trouxemos foi determinante para o sucesso do negócio atual”, diz Miranda.

Ele conta que o primeiro empreendimento nasceu na época em que os sites de venda coletiva estavam em alta. “Muitas pessoas compravam por impulso e não aproveitavam o cupom. Criamos o Regrup no final de 2010 para efetuar a revenda desses cupons”, diz.
A prova de que a ideia tinha sido boa foi a sociedade proposta pelo grupo Apontador. “Eles fizeram um aporte e nos tornamos sócios. Juntos, criamos o Aponta Ofertas, com promoções geolocalizadas para ajudar o usuário a encontrar ofertas em sua região de interesse.”

Ele diz que o mercado de compras coletivas estava explodindo e ocorriam mais de mil ofertas por dia, vindas de centenas de sites. “Era impossível o cliente identificar as que mais lhe interessavam.”
O empresário afirma que as duas empresas foram tocadas em paralelo até sofrerem com os reflexos das mudanças do mercado e deixarem de existir.

“Por diversos motivos o mercado de compras coletivas acabou e não fazia sentido manter as nossas empresas que dependiam dele.” O motivo, segundo ele, é porque alguns donos de sites e donos de estabelecimentos eram “picaretas” e comprometeram esses negócios.
Ruptura. “O mais impressionante da internet é que tudo isso ocorreu em dois anos. Quando vimos que o mercado estava caindo, começamos a pensar em soluções. Como já entendíamos bem de criação de site e do mercado de cupons, pesquisamos alternativas nessa área.”

O caminho escolhido foi trocar o mercado de cupons para serviços pelo de cupons para produtos. “Com a criação da Cuponomia, no final de 2012, conseguimos aproveitar a maior parte dos funcionários.”
Ele conta que em 2013 o negócio gerou R$ 60 milhões em vendas para os parceiros que oferecem cupons de descontos no site. Já os usuários utilizaram dois milhões de cupons no mesmo período.
“Em 2014, foram R$ 150 milhões em vendas com a utilização de cinco milhões de cupons. No ano seguinte, R$ 300 milhões em vendas e dez milhões de cupons utilizados.”

Segundo ele, a receita da empresa vem do porcentual sobre o faturamento das lojas resultante das vendas incentivadas pelo uso do cupom. “Esse trabalho que fazemos é chamado de marketing de performance, só recebemos se cliente vender.”

Ele conta que no Cuponomia o consumidor não paga nada. “Ele entra no site, pega o cupom que normalmente tem um código, copia esse código e cola no carrinho de compras da loja virtual. O desconto costuma variar de 5% a 15%.”

Miranda diz que o portal conta com mais de 20 mil cupons provenientes de 1,5 mil lojas parceiras. “Os estabelecimentos usam esses cupons para atrair o consumidor, mas os consumidores têm de pesquisar as lojas que estão oferecendo cupons no site da Cuponomia. Essa é uma forma de pechinchar na internet. Quem está cadastrado no portal recebe aviso de há cupom da loja que está visitando.”

Miranda diz que quando o empreendedor percebe que o negócio não vai bem, tem de ser rápido. “Não fique muito tempo tentando criar o projeto perfeito porque muitas vezes só descobrimos se o negócio vai dar certo ou não quando damos a cara à tapa, ou seja, quando estamos executando o projeto. Conforme for obtendo resultados vá aprimorando a proposta.

Em 2011, Caio Bretones e Caio Lopes criaram um negócio de locação de tablets para eventos e feiras corporativas. “Junto com a locação oferecíamos aplicativos contendo cadastro dos participantes, lista de convidados, cardápio do evento etc.”

Não precisou passar muito tempo para que os sócios perceberem que a receita obtida não seria suficiente para custear a empresa. “Pagamos cerca de R$ 2 mil por cada tablet, gastando um total de R$ 50 mil. Vimos que seria necessário alugar muitas vezes cada aparelho para recuperarmos o investimento e começarmos a ganhar dinheiro. Isso estava previsto no plano de negócio, mas achávamos que as locações seriam mais recorrentes”, afirma Bretones.

Na tentativa de contornar a situação, começaram a frequentar feiras para oferecer os tablets. “Até que a APS Feiras & Eventos, uma das maiores organizadoras de feiras, virou nossa cliente. Um dia, nos solicitaram aplicativos específicos para as suas feiras.” Inspirados em aplicativos usados na Alemanha, eles desenvolveram o primeiro produto para ser baixado nos celulares dos participantes de uma feira de serigrafia.

“Exploramos a lista de expositores, planta da feira, atrações, localização etc. Foi o maior sucesso e iniciamos uma virada no jogo. Vimos que podíamos mudar o mercado de feiras. Esse aplicativo teve mais de dois mil downloads.”

Bretones conta que em 2013 eles suspenderam o serviço de locação e venderam todos os tablets. “Recuperamos parte dos R$ 50 mil e criamos a Mobile2you, uma desenvolvedora de aplicativos.”
Hoje, a maior parte da receita vem do desenvolvimento de aplicativos sob encomenda, a outra parte vem de projetos próprios que estão disponíveis em lojas de aplicativos, para os quais fazem manutenção, atualização e inclusão de novas funcionalidades. “Até agora, a Mobile2you tem 11 aplicativos próprios e mais de 120 desenvolvidos a pedido de clientes”, diz.

Em 2015, a empresa faturou R$ 1 milhão e a previsão para este ano é que a receita ultrapasse R$ 4 milhões. “A crise é sempre uma geradora de oportunidades, esta é uma lição que quanto mais cedo for aprendida, melhor. Para transformar o negócio é preciso entender quais são as tendências e buscar outros canais”, diz Bretones.

Empresário, investidor e um dos fundadores da Curitiba Angles, Allan Costa afirma que existem dois momentos em que um negócio pode precisar mudar de rumo.

“Startups, por exemplo, trabalham com ideias e conceitos novos e é comum que, ao iniciar a operação, o empreendedor descubra que existem cenários melhores do que havia imaginado. Grandes empresas já passaram por esse momento. O Youtube é um exemplo. O negócio começou como plataforma de vídeo para namoro online.”

Segundo ele, o principal indicador de necessidade de mudança surge quando o volume de atração de clientes não corresponde às expectativas.
“Empresas constituídas há algum tempo e que já tiveram sucesso, mas por alguma razão percebem que o crescimento está estagnando. Essa é a hora de reavaliar se a oferta apresentada ao mercado ainda atende às necessidades dos clientes”, diz.

“É comum que empresas morram de sucesso. É estranho, mas pode ocorrer quando o dono se apega ao sucesso e não percebe as mudanças que estão ocorrendo”, afirma.
Costa afirma que para identificar novas oportunidades também é preciso estar conectado com o mercado. “No afã de conquistar novos clientes, muitos esquecem de estabelecer relacionamento próximo com os clientes que já possuem. É desses clientes que virão os primeiros sinais de que alguma coisa pode não estar indo bem.”

Outro lado. No caso de Daniel Liebert, dono da plataforma de ensino Stoodi, a necessidade de mudança foi decorrente do sucesso do negócio. “Em meados de 2012, comecei a dar aulas particulares de física e matemática. Logo os alunos solicitaram aulas de outras disciplinas e contratei um time de professores que ficavam em várias regiões de São Paulo, para evitar grandes deslocamentos.”

Seis meses depois, com o crescimento da demanda, o empresário viu que seria necessário criar um novo modelo. “Aulas presenciais limitavam o número de pessoas que podíamos atender, sem falar no custo de deslocamento do professor até o aluno e o custo do tempo dos professores com cada aluno. Vi que seria mais negócio produzir aulas online.”

Liebert diz que, a partir de 2014, a empresa passou a atuar só com aulas online com foco em reforço escolar para alunos do ensino médio e curso preparatório para o Enem.
O empresário espera crescer neste ano três a quatro vezes em relação a 2015. “Na passagem de 2014 para 2015 crescemos cinco vezes. Até agora atingimos uma parcela pequena do público que pretendemos atrair. Temos muito para crescer nos próximos anos.”

Segundo o empresário, o modelo de venda das aulas por assinatura é o mesmo desde o início. “O que tem mudado muito é o produto que oferecemos, que passa por aprimoramentos constantes. Começamos só com vídeo-aulas de matemática e hoje temos de todas as disciplinas, exercícios, resumos de conteúdo, monitorias ao vivo, plano de estudo e correção de redação”, afirma Liebert.

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