Startups que passam por aceleradoras ganham escala rapidamente

Startups que passam por aceleradoras ganham escala rapidamente

Claudio Marques

29 de abril de 2014 | 15h41

Palos (à esq.) e Iuguchi criaram a CargoBr para reduzir ociosidade de caminhões ao conectar quem quer enviar mercadoria com transportadoras

Cris Olivette
Criada em maio de 2013, a Intoo está, desde agosto, na aceleradora Wayra, ligada à Telefônica.  Uma aceleradora ajuda empresas a ganhar escala em curto espaço de tempo.  Segundo o fundador da Intoo, Arthur Farache, a empresa nasceu para fazer com que pequenos e médios empreendedores obtenham, de formar rápida e segura, as melhores condições de financiamento.  Para acessar o serviço, basta entrar no site www.intoo.com.br e preencher um cadastro, citar o valor pretendido e informar qual é finalidade.
“A ideia surgiu durante o curso de mestrado.  Estudei modelos de outros países e adaptei a ferramenta para o Brasil.  Hoje, temos 19 mil empresas cadastradas e atuamos com 14 instituições financeiras. ” Segundo ele, o sistema busca em até 300 bases de dados informações sobre o CNPJ do solicitante.  “Em seguida, produzimos o perfil da empresa e encaminhamos o pedido aos bancos.  Nossa comissão é paga pela instituição que fizer o financiamento”, diz.
Assim como a Intoo, outras startups chegam ao mercado determinadas a oferecer soluções aos clientes, e para atingir esse objetivo rapidamente, elas disputam vaga em uma aceleradora.  Um exemplo é a CargoBr, que desenvolveu um software para conectar empresas que precisam embarcar  mercadorias com as transportadoras, e que está desde setembro de 2013 na Aceleratech.
“Durante uma pesquisa descobri que 46% dos caminhões que circulam pelo País estão rodando vazios.  Eles vão para um determinado local carregados e voltam sem carga.  Faltava uma conexão efetiva entre as duas pontas”, diz
o criador da ferramenta, Rodrigo Palos.
Ele conta que o dono da carga entra no site http://cargobr.com, cadastra o produto e do outro lado as transportadoras oferecem as cotações.  “Ganhamos comissão sobre o frete realizado.  Hoje, temos 700 transportadoras cadastradas e atendemos 1,6 mil empresas.  Uma das parceiras da CargoBr na Aceleratech é a D-Wings, que começou a ser acelerada há menos de um mês.  “Desenvolvemos a plataforma Appit Yourself que possibilita a publicação mobile de documentos digitais.  A assinatura mensal do serviço dá direito a um determinado número de publicações”, diz o fundador João Marcos de Oliveira.
Ele conta que entre 2012 e 2013, sua empresa atuou desenvolvendo aplicações customizadas para mobile.  “Fizemos uma boa carteira de clientes, mas começamos a receber solicitações para passar publicações digitais para outros formatos.  Para isso, seria necessário transformar os dados para o formato appit, o que demoraria mais de três semanas, a um custo absurdo.  Criamos a plataforma para potencializar o processo. “
Hoje, a empresa está na aceleradora para trabalhar a evolução da Appit Yourself.  “O produto ainda não foi lançado oficialmente.  Quando chegar ao mercado, o próprio cliente fará a conversão, porque criamos um ambiente bastante amigável. “
Já a Energy Spin, empresa que está em estado pré-operacional, desenvolveu um equipamento para produzir micro geração de energia.
“Estamos em contato com investidores e aceleradoras, mas já temos um acordo assinado com o Metrô.  No momento, procuramos alternativas para tornar funcional a geração de energia, a partir do movimento das catracas do Metrô promovido pelos passageiros”, diz o inventor do equipamento, que foi concebido nos laboratórios da FEI, Lucas Lamas.
Segundo ele, a ideia tem várias aplicações.  “As pessoas podem gerar energia a partir de atividades do seu dia a dia.
Nosso primeiro produto é uma bicicleta spin, que tem um gerador acoplado.  O modelo é para ser utilizado em academias de ginástica, que pode usar a energia produzida no próprio espaço.  As soluções podem ser aplicadas em residências, empresas, indústrias, e até quando as pessoas estão nas ruas”, garante.
Quanto ao projeto com o Metrô, ele diz que está em fase de desenvolvimento.  “Ainda não temos dados conclusivos sobre o potencial de geração, nem a melhor forma de empregar essa energia na empresa. “
Criada em julho de 2011, a Kaplen surgiu para solucionar problemas enfrentados por varejistas que não conseguiam fazer o controle do recebimento das vendas feitas por meio de cartão de crédito.  “Meu sogro tinha cerca de 40 lojas e mantinha 12 pessoas para fazer esse controle.  Mesmo assim, o valor nunca batia com os dados da Receita Federal”, afirma o fundador da Kaplen, Leo Pinho.
Ao estudar o mercado, ele viu que faltava uma série de dados nas informações fornecidas pelas operadoras de cartão.  “Dependendo do horário da compra, o valor só é lançado no dia seguinte e o varejista não tem como controlar isso.  O mesmo ocorre com os centavos de compras parceladas, já que é impossível saber em qual parcela os centavos serão creditados. “
A saída para sanar o problema foi desenvolver um software que detalha melhor essas transações.  “Agora, recebemos diariamente os dados das operadoras de cartão e fazemos  um controle muito mais eficaz. “
Pinho conta que a empresa foi criada em Recife, mas só ganhou escala quando veio para São Paulo e passou pela Aceleratech.  “O processo de aceleração terminou em fevereiro deste ano e foi muito importante porque fomos estimulados a rever o modelo de negócio.  Antes, cobrávamos por cliente e tínhamos prejuízo às vezes.  Agora, a cobrança é por transação.  Hoje, atendo mais de 300 empresas de todos os portes.”

Oliveira, da D-Wings (à esq.) e Waengertner, da Aceleratech

Diferente de incubadoras que oferecem prazo de permanência maior,
o processo de aceleração é feito em tempo reduzido

O diretor da Wayra Brasil, Carlos Pessoa, conta que a aceleradora da Telefônica atua no Brasil desde 2012.  “Nesse período, aceleramos 29 empresas. ” Segundo ele, a Wayra seleciona 16 startups por ano.  Elas passam dez meses recebendo mentorias e treinamentos.

“Oferecemos financiamento de R$ 100 mil em dinheiro, além de serviços de aceleração, com custo estimado de R$ 150 mil.  O valor engloba desde o aluguel do escritório até workshops. “
Pessoa diz que a seleção ocorre três vezes por ano e que as inscrições são feitas pelo site.  “Os interessados devem acompanhar a Wayra pelo Twitter, onde anunciamos as convocatórias.  Selecionamos os melhores projetos e fazemos entrevistas individuais.  Na etapa seguinte, montamos um júri com executivos do mercado e da Telefônica e escolhemos o novo time de empreendedores Wayra.  A aceleradora tem participação minoritária nas empresas aceleradas que varia de 5% a 10%.

Pessoa, da Wayra, seleciona 16 startups em três processos que ocorrem ao longo do ano

Já a Aceleratech nasceu para solucionar a dificuldade que seus fundadores tinham para identificar empresas no estágio de maturação que desejavam para investir.  Fundada em 2012 por Mike Ajnsztajn e Pedro Waengertner, em parceria com a ESPM, a aceleradora está formando a terceira turma.  “As inscrições para montar o próximo grupo ficarão abertas até o final de julho”, diz Waengertner.
O empresário conta que na última seleção foram feitas mais de 300 inscrições.  “Aceitamos de seis a dez empresas em cada turma.  Podendo ser um pouco mais se tiver boas empresas. “
A participação da Aceleratech em cada empresa fica entre 10% e 15%.  “O valor que damos como investimento é de R$ 20 mil a R$ 50 mil.  Além disso, temos mais de 40 parceiros que fornecem produtos subsidiados ou gratuitos para os acelerados. ” Segundo ele, no final do processo ocorre o Demo Day quando as empresas são apresentadas ao mercado.
“No último evento reunimos 200 investidores. ” Ele conta que a remuneração da aceleradora ocorre quando um investidor compra a participação deles.  “Nossa expectativa de retorno gira entre três e cinco anos. “
Com foco em negócios que geram impacto social para pessoas de baixa renda, a Artemisia foi fundada no final de 2007 e já acelerou 75 empresas.  “Nos últimos três anos, articulamos mais de R$ 26 milhões para 35 negócios acelerados nesse período.  Juntos, eles beneficiaram três milhões de pessoas e geraram mais de 350 empregos diretos, oferecidos pelas empresas aceleradas”, conta o diretor da aceleradora, Renato Kiyama.
Segundo ele, as inscrições para participar do processo de aceleração ficam abertas o ano todo e podem ser feitas no site www.artemisia.org.br.  “Aceleramos desde empresas que entram com zero de receita até as que têm R$ 2 milhões de receita.  Por isso, o perfil de aceleração é diferente para cada caso. “
Da parceria de investidores brasileiros e americanos nasceu a 21212, que mistura no nome os códigos de área do Rio de Janeiro (21) e de Manhattan (212), em Nova York.  Em operação desde 2011, já acelerou 31 startups.  “No momento, estamos acelerando seis empresas.  Um dado que considero relevante é que dos 31 negócios que passaram por aqui, 16 já receberam investimentos que totalizam R$ 25 milhões”, afirma o sócio, Frederico Lacerda.
O investidor conta que o tempo de aceleração é de seis meses e o valor de investimento total é de R$ 250 mil, sendo que R$ 50 mil é oferecido em dinheiro.  “Mantemos as inscrições abertas o ano todo no site 21212.com e desde o ano passado, só recebemos empresas que participam do programa Startup Brasil, mantido pelo governo federal”, conclui Lacerda.

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