Tecnologia permite monitorar quase tudo

Tecnologia permite monitorar quase tudo

Claudio Marques

30 de setembro de 2013 | 08h55

Eric Bergeri (E) e Regis Mendonça criaram a idrone.tv que atua na captação de imagens aéreas

Cris Olivette
A preocupação com a segurança impulsiona a disseminação de negócios relacionados à vigilância eletrônica. Mas esse recurso também é explorado por outros segmentos, como o de prestação de serviços.

Um exemplo é o sistema de monitoramento criado pelo catarinense Cristian Aquino. “Eu trabalhava com informática e resolvi propor parceria aos comerciantes de Joinville, onde moro, para instalar câmeras em fachadas de lojas para poder captar imagens das principais vias da cidade, dando às pessoas a possibilidade de consultar em tempo real, pela internet, a situação do trânsito ou a ocorrência de enchentes na época das chuvas.”

Aquino conta que em fevereiro de 2012 instalou 15 câmeras e ativou o site VejoaoVivo. A divulgação foi feita por e-mail, Facebook e Twitter. “O serviço foi ao ar em um domingo à noite. Na segunda-feira, mais de 30 mil pessoas acessaram o site.” Com a ajuda de amigos, Aquino continuou ampliando o serviço. “Quatro meses depois do lançamento, fechei sociedade com David Abuhab e Ricardo Machado, que aportaram R$ 1 milhão no negócio.”

Abuhab diz que o interesse crescente do público deixou claro que o VejoaoVivo seria bem recebido em grandes centros, onde os problemas são ainda maiores. “Em um ano, instalamos câmeras em mais de 90 cidades do Brasil. Hoje, estamos com 750 câmeras no ar. Nossa missão é oferecer informações para o dia a dia das pessoas.”

O site também oferece outros canais. “Temos uma rede com mais de 40 câmeras em praias de surf, pistas de skate, jaulas de animais, estradas e pontos turísticos. Em algumas cidades, são monitorados mais de 100 locais.” Segundo eles, a grande fonte de receita do site é a publicidade. “Mas também vendemos conteúdos das câmeras para grandes portais e veículos de mídia.”

A captação de imagens áreas para a produção de filmes publicitários e de ficção, documentários, institucionais ou mesmo video clipe, inspirou os sócios Eric Bergeri e Regis Mendonça a criarem a idrone.tv. “A ideia de construir os drones (veículos aéreos não tripulados), surgiu em 2010, a partir da necessidade do Eric de produzir imagens aéreas com custo reduzido”, conta Regis Mendonça.

Segundo ele, há um ano o mercado passa por um boom, com muitas empresas oferecendo produtos semelhantes. “Claro que eles não têm a estabilidade tão boa quanto os nossos, que são de fabricação própria.” Ele afirma que a demanda pelos serviços da idrone.tv tem acompanhado essa explosão. “Temos feito mais de uma diária por semana e recebido muitos pedidos de orçamento.”

Mendonça diz que o sistema requer dois operadores. “Um pilota o helicóptero e o outro faz movimentos horizontais ou verticais da câmera, e controla o enquadramento por meio de um monitor que recebe retorno do que está sendo gravado.”

Bergeri ressalta que o equipamento possibilita a gravação de takes originais e exclusivos, com ângulos que antes seriam impossíveis. Ele faz uma ressalva em relação à segurança. “Para nós, essa questão é primordial. Não gravamos sobre locais que possam gerar risco à integridade física de pessoas e nem trabalhamos próximo de aeronaves e aeroportos”, garante.

Mendonça lembra que o equipamento pesa cerca de cinco quilos e que tem muita gente usando drones indiscriminadamente. “A falta de legislação nos impede de atuar na fabricação de produtos para serem comercializados. Não vamos colocar no mercado equipamentos com nossa marca que poderão ser usados de forma irresponsável.” Segundo ele, há a expectativa de que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), faça a regulamentação desse tipo de equipamento até o final do ano.

Na área do agronegócio, a empresa de agricultura de precisão Agritotal, tornou realidade o velho ditado popular: É o olho do dono que engorda o gado. Segundo o gestor da empresa, Carlos Gomes Ribeiro Junior, entre as diversas novidades oferecidas, está o monitoramento das plantações via câmeras.

“Ao comprar, por exemplo, um piloto automático para plantio, o cliente pode acoplar quatro câmeras na máquina e visualizar todo o processo.” Ribeiro Junior diz que, nesse caso, uma das vantagens é poder eliminar a função do rabeteiro, empregado que fica em cima da plantadeira acompanhando o plantio. Tarefa, segundo ele, muito arriscada. “Com o equipamento, o fazendeiro vê o que está acontecendo em sua propriedade de qualquer lugar do mundo.”

Espionagem atrai leigos e profissionais

Outra vertente de negócios de monitoramento é a de espionagem. A loja virtual Auto Antigo Shop foi criada para anunciar carros antigos. “Inclui no mix acessórios como câmeras que gravam imagens externas e internas do veículo. Com o tempo, acrescentei caneta, bolsa, relógio e boné com microcâmera embutida. Hoje, vendo cerca de 90 peças desse tipo por mês”, diz o proprietário Carlos Hallai.

No centro de São Paulo, está instalada a loja Missão Impossível, que comercializa os mais diversos objetos com microcâmeras escondidas. “Vendemos para advogados, jornalistas, órgãos governamentais e de segurança, além de pessoas comuns”, afirma o proprietário, Kid Marlon.  

O empresário diz que após 13 anos no mercado, hoje ele tem orgulho por ter auxiliado tantas pessoas , empresas e órgãos públicos na melhoria de seus trabalhos e no combate ao crime.

“A entrada de produtos chineses popularizou esse mercado. É o Big Brother implantado na sociedade. Se pensarmos pelo lado do bem, vemos que isso ajuda a diminuir os crimes e a corrupção, propiciando a denúncia de crimes, maus-tratos e ocorrência de acidentes. Tudo flagrado e registrado por câmeras e microcâmeras ocultas.”

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