Tudo pelo Coletivo

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Empresárias de Santos e de Goiás contratam profissionais de São Paulo para treinar empresários e suas equipes com o objetivo de fomentar conhecimento e novos negócios nas regiões onde vivem

CRIS OLIVETTE

01 de junho de 2015 | 18h21

31.5 Ludmilla Curadora e criadora do TIP

Ludmilla Rossi, curadora e criadora do TIP

Desde 2010, pequenos empresários da Baixada Santista contam com um serviço criado para promover o conhecimento e estimular o desenvolvimento do mercado de comunicação, tecnologia e comunicação digital da região. Trata-se do TIP, que tanto pode significar ‘dica’ (em inglês), quanto Treinamento, Inovação e Pesquisa.

O centro de educação foi criado pela jovem empresária Ludmilla Rossi, de 33 anos, que há 14 anos comanda a agência de marketing digital MKT. “Quem atua nesse mercado começa muito jovem e é importante que tenha contato com profissionais de talento para absorver informações e referências. O TIP nasceu para melhorar e qualificar profissionais da região.”

Ludmilla conta que uma área de 450m² foi dividida em dois espaços distintos. A MKT opera em um deles com seus 50 funcionários. Já o espaço do TIP comporta 40 pessoas, sendo que conteúdos de até 60 minutos são compartilhadas no www.youtube.com/user/pensetip. “No lugar de mandar 40 profissionais para fazer curso em São Paulo, criamos o caminho inverso.” Com a iniciativa, os pequenos empresários não gastam com viagem, hospedagem, alimentação etc.

“O TIP oferece cursos geralmente aos sábados, ou em horários compatíveis para quem trabalha. O fato de não termos de ir para São Paulo é um grande facilitador. Além disso, o TIP tem essa pegada de convidar gente do mercado para falar de assuntos relacionados a nossa realidade. Eventos em São Paulo costumam apresentar casos de grandes empresas, eles não falam nossa linguagem”, diz a dona da Salt Propaganda, Paula Salgueiro. “Eu e vários empresários recorremos ao TIP para capacitarmos nossas equipes.”

Ana Paula da Salt Progpaganda

Ana Paula da Salt Progpaganda

Para identificar os palestrantes, Ludmilla adota dois critérios. “Convido quem admiro. Vou a muitos a eventos em São Paulo e quando vejo uma palestra incrível, ou me deparo com um conteúdo interessante em um meio digital, passo a observar esse nome. Sigo a pessoa por um tempo para ver se suas ideias estão alinhadas com nossa proposta porque, para topar vir palestrar em Santos, a pessoa tem de gostar de compartilhar conhecimento e de responder perguntas”, explica.

Segundo ela, outra alternativa de capacitação é feita por meio de repasse de conhecimento. “Um exemplo é quando enviamos funcionários para eventos fora do País. Na volta, eles montam um conteúdo resumido e repassam as informações para o mercado de forma gratuita ou beneficente.”
Ela explica que em evento beneficente é cobrado ingresso, com valor inferior ao praticado pelo mercado. Além disso, costuma solicitar um quilo de alimento. Tudo é doado para instituições de caridade da região.

Ludmilla também realiza eventos com conteúdo voltado ao público carente. “Recentemente, atendemos a um pedido do Instituto Querô – projeto social de empreendedorismo ligado a cinema, e demos três dias de curso de audiovisual para os meninos do projeto.”

A dona da agência de marketing digital para celebridades Sow Fan, Karina Martins conta que desde o início frequenta os cursos. “Alguns foram fundamentais para a montagem do meu negócio.”
Segundo Karina, ela faz cursos com profissionais de alto nível, sem a necessidade de gastar tempo e dinheiro indo à São Paulo. “Além da praticidade, há interação com o pessoal da região. Já fechei negócios e parcerias durante os eventos. Além disso, se eu precisar de um curso em alguma área e falar para a Ludmilla, é bem provável que a sugestão seja contemplada.”

Karina Martins, fundadora da agência de marketing digital para celebridades, Sow Fan

Karina Martins, fundadora da agência de marketing digital para celebridades, Sow Fan

 

A empresária diz que 30% dos cursos são gratuitos, 40% têm desconto com a entrega de alimentos e os demais são beneficentes – exclusivamente para arrecadar fundos destinado a entidades sociais.
“Por ano, são cerca de 500 horas de conteúdos. Em cinco anos, já atendemos mais de 2, 6 mil pessoas. É muito gratificante e também aprendo. E ao fortalecer as empresas, indiretamente gero potenciais clientes para o meu negócio, e ainda atraio talentos.”

Empresárias montam agenda mensal de cursos e movimentam cena empreendedora 

Em Goiânia, as irmãs Sabrina e Paula del Bianco são sócias de Fernanda Machado no Coletivo Centopeia, um espaço de 500m² no qual desenvolvem atividades de coworking locando, além de estações de trabalho e salas de reunião, dois ateliês.

No mesmo local, elas realizam cursos com palestrantes vindos de grandes centros. “Queremos fomentar a criatividade, o conhecimento, novas ideias e negócios”, diz Sabrina. 

Sabrina (à esq.), Fernanda e Paula comandam o Coletivo Centopeia

Sabrina (à esq.), Fernanda e Paula
comandam o Coletivo Centopeia

A iniciativa começou há quatro anos. “Víamos eventos que ocorriam em São Paulo e não tínhamos condições de ir por falta de tempo ou de dinheiro, e resolvemos trazê-los para cá. Nesse período, já atendemos mais de três mil pessoas.”

Hoje, elas mantém agenda mensal de cursos. “Cuidamos da prospecção, comercialização, buscamos o convidado no aeroporto, o levamos ao hotel etc. Além desse tipo de evento, organizamos bate-papos gratuitos entre profissionais da região sobre temas específicos.”
Aos palestrantes, Sabrina paga cachê com o valor de mercado. “Nossa margem de lucro é quase zero porque queremos abranger o maior número de pessoas, além de arcarmos com os custos de passagens, hospedagem, refeições etc.”

Ciro Rocha, Enredo

Ciro Rocha, Enredo

 

O dono da empresa de branding Enredo, Ciro Rocha, sempre que pode frequenta as palestras, ou envia pessoas de sua equipe. “Sem o Coletivo Centopeia teríamos de viajar em busca de capacitação.”
Segundo ele, a iniciativa fez aumentar muito o nível de conhecimento dos empreendedores de Goiânia, assim como a concorrência. “Isso passou a ocorrer porque o networking gerado nos eventos é muito bom e acabam impulsionando a criação de novas empresas.”

A fundadora do Casulo Moda Coletiva, espaço que comercializa modelos exclusivos de estilistas de Goiânia, Maiene Marques Horbylon conta que o modelo colaborativo adotado pelo Centopeia serviu de inspiração para a criação de seu negócio.

“As marcas pequenas têm dificuldade de terceirizar alguns serviços porque produzem uma quantidade reduzida. O negócio foi criado tanto para comercializar essas peças de designers quanto para prestar serviços especializados em produção de moda”, diz.

Maiene (à esq.) e as parceiras Raphaela e Milleide no espaço do coletivo de moda

Maiene (à esq.) e as parceiras Raphaela e Milleide no espaço do coletivo de moda

A jovem também tem uma marca de roupas chamada Novelo. “Dentro do Casulo, temos um braço de capacitação no qual realizamos cursos e oficinas para adultos e crianças. No futuro, penso em organizar nosso ateliê para ser um coworking de produção.”

Maiene conta que leva os produtos do coletivo de moda para vários lugares do Brasil. “Participamos de feiras e festivais de música para divulgar o trabalho que realizamos.”

Além de participar de cursos oferecidos pelo Coletivo Centopeia, ela diz que eles são os seus maiores parceiros. “Já usamos o espaço para várias oficinas.”

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