Um empreendedor de sucesso

Um empreendedor de sucesso

Jennifer Gonzales

25 de julho de 2011 | 15h50

Nascido em 1920, o idealizador e presidente da escola de idiomas CelLep, uma das mais conceituadas do País, Walter Toledo Silva é um paulistano que tem seu próprio ritmo quando fala de sua vida e trajetória profissional. Não que seja lento ou algo do gênero – apenas não se atropela nas próprias palavras, como acontece com pessoas de gerações mais novas hoje em dia. Professor aposentado de física da Escola Politécnica da USP, Walter lecionava na década de 1960 quando teve a ideia de importar equipamentos de gravação para o ensino de idiomas. “Além do meu trabalho na universidade, fui responsável pela criação de escolas técnicas e formação de profissionais no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Walter viajava muito devido ao seu trabalho com o Senai e, certa vez, foi parar na cidade de Eindhoven, sede da holandesa Philips. “A escola dirigida a técnicos da empresa tinha um laboratório de línguas, com equipamentos de gravação para que as pessoas pudessem ouvir sua voz e aperfeiçoassem a fala e compreensão”, lembra. Decidiu, então, importar os mesmos equipamentos para o Brasil – que levaram dois anos para chegar. “No final dos anos 1960, os trâmites burocráticos eram ainda maiores do que hoje em dia, mas no final acabei criando uma escola de idiomas dentro do Senai.”

Pouco depois, no entanto, ele percebeu que uma escola de línguas não daria certo no interior de uma escola técnica. “Para o verdadeiro aprendizado de um idioma as turmas precisam ser pequenas e, no Senai, as classes tinham 30, 40 alunos”, explica Walter. “E se diminuíssemos as turmas, não poderíamos aumentar o valor das mensalidades.” Em sociedade com um colégio privado do Itaim que ia do maternal ao nível médio, Walter abriu o Cel Lep – ou Centro de Ensino de Línguas do Liceu Eduardo Prado – em 1968.  “As turmas tinham cerca de oito alunos, modelo que dura até hoje, e foi um sucesso desde o início.” Não apenas os estudantes do Liceu se interessaram, mas o boca a boca atraiu profissionais de alto escalão que, na época, não tinham a oportunidade de estudar inglês. “Havia listas de interessados de um ano de espera. A maioria de nossos alunos eram altos executivos de grandes empresas, e a primeira unidade foi na Avenida Rebouças. Abríamos uma unidade por ano.”

Aos 91 anos, Walter tem energia para dar e vender. “Saio de casa às 7h30, 8h e trabalho o dia inteiro. Essa história pode ser antiga, mas tenho amigos que, no momento em que se aposentaram, começaram a definhar.  Trabalhar é importante, não importa o tamanho do empreendimento.”

Foto: Daniel Teixeira/AE

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