Yasuyoshi Chiba/Reuters
Yasuyoshi Chiba/Reuters

Bovespa já tem 12 mil pessoas físicas a menos investindo neste ano

Profissionais do mercado avaliam que esse tipo de investidor ainda não se sente seguro em deixar recursos aplicados em bolsa durante períodos turbulentos

Vanessa Stecanella, da Agência Estado,

18 de agosto de 2011 | 15h35

A queda de dois dígitos do Ibovespa no acumulado do ano está mantendo os investidores pessoa física fora do mercado acionário ao contrário dos planos da própria BM&FBovespa de ampliar essa base. Profissionais do mercado avaliam que esse tipo de investidor ainda não se sente seguro em deixar recursos aplicados em bolsa durante períodos turbulentos. Para eles, o retorno desses segmento só será possível quando a Bovespa engatar uma melhora e sustentar seguidas altas frente as perdas acumuladas de 20% no ano.

Desde o começo do ano, a Bolsa perdeu 12.682 pessoas físicas, reduzindo para 598.233 essa base de investidores. A ideia, no final do ano passado, era ter 5 milhões de CPF cadastrados até 2015, mas diante da turbulência que se abateu nos mercados na últimas semanas, a estimativa do prazo para alcançar a meta foi revista para 2018.

Conforme o analista do HSBC Research, Paulo Ribeiro, a aversão geral ao risco global e o fraco desempenho do mercado de ações local reduziu o apetite da pessoa física no segmento da Bovespa. Recentemente, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, disse que se surpreendeu com o comportamento das pessoas físicas, que não saíram em massa diante da crise. Segundo ele, isso é fruto do amadurecimento desse investidor. Por outro lado, o executivo reconheceu que o momento não é favorável para a entrada de novos investidores dessa classe e, por isso, a Bolsa decidiu alterar o prazo para atingir a meta de 5 milhões de CPF.

Por mais que tenham amadurecido nos últimos anos, os analistas entendem que o conhecimento das pessoas físicas sobre o mercado acionário ainda é primário, principalmente quando o mercado atravessa períodos de forte volatilidade. Elas não conseguem resistir à tentação de vender quando a bolsa engata um canal de baixa e comprar só quando a tendência de alta se consolida. "A pessoa física ainda espera obter lucro de curto prazo com ações, acaba se desesperando quando vê suas aplicações encolherem e sai da bolsa prematuramente. O melhor seria diversificar seus investimento, entrar na baixa da bolsa e sair na alta", afirma o gerente da mesa de investimentos pessoa física da Fator Corretora, Alfredo Sequeira.

Em agosto, as pessoas físicas já retiraram quase meio bilhão da Bovespa. Conforme dados da BM&FBovespa, na primeira quinzena do mês, esse tipo de investidor comprou R$ 19,725 bilhões em ações e vendeu R$ 20,215 bilhões, resultando em um saldo negativo de R$ 490 milhões.

Especialistas avaliam que o brasileiro ainda tem dificuldade com a cultura da renda variável e se frustra mais facilmente quando não consegue obter o retorno esperado, embora a BM&FBovespa esteja empenhada em ações para atrair esse perfil de investidor. "Normalmente, essa fatia do mercado não aceita obter, sequer, o retorno da renda fixa", avalia Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria.

Veja aqui relatos de investidores que ganharam e perderam em períodos de turbulência

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.