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Fintech A de Agro quer oferecer R$ 18 bi até 2026 com mais linhas de crédito

Empresa analisa lavouras por satélites e pretende alcançar 20 mil agricultores

Clarice Couto, Isadora Duarte e Leticia Pakulski, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2022 | 05h00

A agfintech A de Agro, que utiliza análise de lavouras por satélite e inteligência artificial para conceder crédito, está captando recursos para um plano ambicioso, que deve culminar na oferta de R$ 18 bilhões a 20 mil agricultores em 2026. Hoje centrada em financiamento de insumos agrícolas para pequenos e médios produtores, começará em março a vender seguro rural baseado em dados específicos das fazendas e com preço customizado, fruto da parceria com uma grande corretora. Até o fim de 2022, pretende criar uma linha para aquisição de terras, conta Rafael Coelho, CEO da startup. Dentro de quatro anos, a plataforma ganhará mais serviços, como seguro e crédito para maquinário. 

Na carona de grandes parceiros

A A de Agro prioriza parcerias para criar soluções: em crédito, tem hoje os bancos BTG e Alfa; para terras, a gestora Kijani, que captou R$ 240 milhões para um Fiagro usando dados da startup. A fintech dá seu quinhão: 5% de todo o crédito concedido.

Um passo de cada vez

Em 2022, a A de Agro prevê liberar R$ 1,450 bilhão a 1,3 mil a produtores de milho e soja, ante R$ 270 milhões oferecidos no ano passado. Para 2023, a expectativa é bater R$ 5 bilhões em financiamento de insumos e terras. Quanto ao seguro rural quer fechar este ano com R$ 800 mil em apólices

Pesa aqui

O conflito Ucrânia-Rússia acende alerta para o agro brasileiro sobre financiamento à exportação. Sérgio Mendes, diretor geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), lembra que sanções internacionais à Rússia podem dificultar a obtenção de cartas de crédito para negociação de grãos, atrapalhando o pagamento em real por mercadorias vendidas em dólar, a exemplo do que já ocorreu com o Irã. “Quando se tem um fator externo como esse, pode acabar tendo aqui e ali algum problema não previsto”, diz.

Oportunidade

A Marcher Brasil está vendendo mais equipamentos para armazenagem de grãos em silos-bolsas em razão do La Niña. No Sul do País, o faturamento em janeiro aumentou 12%, com o maior interesse de produtores por essas estruturas de baixo custo, para estocar o que conseguiram colher. No Norte e Nordeste, onde as chuvas afetaram as condições das estradas, agricultores guardaram grãos nas propriedades e o crescimento foi de 119%, conta Myriam Bado, CEO da empresa.

Quebra mas não cai

A previsão de uma produção brasileira superior à de 2021 leva a Marcher a projetar crescimento de 30% da receita em 2022 e uma fatia de 14% da produção nacional de soja e milho armazenada em mais de 200 mil silos-bolsas. Em 2021, o faturamento aumentou 140%. Cerca de 10% da colheita de soja e milho do País foi estocada em 160 mil silos-bolsas, estima ela. 

Cresce

A Coimma, líder nacional em balanças e equipamentos de contenção para pecuária, espera receita 15% a 20% maior neste ano, para R$ 100 milhões. No ano passado, suas vendas cresceram 40% em volume. O otimismo vem da confiança na expansão da cadeia de carne bovina do País, diz Bruno Silveira, diretor comercial da empresa. “Os pecuaristas brasileiros investem cada vez mais na produção de carne de forma sustentável e com respeito ao bem-estar animal”, explica.

Sustenta

Parte do avanço da Coimma deve vir de novos investimentos, projetados em cerca de R$ 5 milhões para este ano. O montante dos recursos vai para a ampliação da fábrica, abertura de novas filiais e de centros de distribuição, além de contratação de equipe especializada em serviços e aumento da frota de veículos. Os aportes anuais da companhia são da ordem de 50% do lucro. O objetivo da Coimma é manter crescimento de dois dígitos por ano.

Conflito no Leste Europeu faz preço do trigo disparar

A incerteza no fornecimento de trigo por parte da Rússia e da Ucrânia fez os preços do cereal subirem quase 7% na semana no mercado internacional. “A tendência é de preços firmes no curto prazo. Até onde vai a alta dependerá da evolução do conflito”, diz Roberto Sandoli, gerente sênior de Risco de Grãos e Algodão da consultoria HedgePoint.

Governo avalia impactos para o agronegócio

O governo está avaliando os impactos da crise entre Rússia e Ucrânia sobre o agronegócio brasileiro. A abrangência das sanções econômicas e a extensão do conflito definirão os efeitos. O agro é a base da balança comercial entre Brasil e Rússia, com dependência brasileira de fertilizantes

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