Rui Rezende/Grupo Horita
Rui Rezende/Grupo Horita
Imagem Coluna do Broadcast Agro
Colunista
Coluna do Broadcast Agro
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Grupo Horita investe para ampliar área na Bahia e vê boa safra de grãos e algodão

Os preços remuneradores levam o grupo a prever faturamento 10% maior em 2022/23, ainda que o resultado dependa do câmbio

Isadora Duarte, Leticia Pakulski e Clarice Couto, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2022 | 05h00

O grupo Horita, que em 38 anos no oeste da Bahia cresceu mais de cem vezes em área, tornando-se referência em tecnologia e alta produtividade de grãos e algodão, está otimista com a próxima safra. Os preços remuneradores levam o grupo a prever faturamento 10% maior em 2022/23, ainda que o resultado dependa do câmbio.

“Se o dólar variar na casa de R$ 5,20, vemos receita em reais maior do que a de 2021/22”, diz Walter Horita, diretor-presidente. O grupo, sexto maior do País em algodão, exporta 70% do que produz, com clientes cativos pela qualidade da fibra, além de vender ao exterior também boa parte da soja. A expectativa é colher 270 mil toneladas de soja, 180 mil t de algodão e 160 mil t de milho, em 112 mil hectares.

Maior custo pesa na margem

Com o aumento dos custos, a próxima safra tende a ser de menor rentabilidade, segundo Horita. Ele calcula que a margem operacional deva cair de 50% no ciclo anterior para cerca de 34% no próximo. “É uma margem ainda favorável e acima da média histórica”, diz.

Estrutura para expansão

Para a temporada 2022/23, o Grupo Horita investiu no aumento de 40 mil toneladas de capacidade de armazenagem, na renovação de máquinas agrícolas e em uma nova usina de algodão para beneficiamento de 50 fardos/hora. Horita diz que o aporte, de cerca de R$ 175 milhões, é financiado em cinco anos.

NOVA ONDA

A Wolf Sementes, uma das cinco maiores empresas de sementes de pastagem do Brasil, observa forte procura por forrageiras de maior qualidade nutricional, o que permite criar mais animais por hectare. O movimento, explica Alex Wolf, o CEO, reflete o avanço da produção de soja e milho em pastagens degradadas e o gradual crescimento da oferta de sementes melhoradas. “O mercado da pecuária é hoje como o de milho 20 anos atrás. Dos 700 concorrentes, a maioria ainda trabalha com variedades da natureza”, diz.

SURFANDO

Para aproveitar a tendência e difundir sua brachiaria híbrida, a Wolf quer duplicar nesta safra o número de revendas e cooperativas que comercializam o produto. Presente em 500 pontos de venda em diversas regiões, deve intensificar sua presença no Centro-Oeste e Norte do Brasil. A fábrica de beneficiamento, em Ribeirão Preto (SP), tem condições de produzir três vezes mais, mas a companhia reforça a aposta: comprou uma área no município para, em até cinco anos, ter capacidade de produção “bem maior”.

DE OLHO

A empresa de processamento e análise de dados EarthDaily Agro está usando a expertise brasileira da equipe de monitoramento de lavouras para ajudar produtores ucranianos a acompanhar à distância áreas de cultivo no país em guerra. A empresa, que integra a Coalizão de Apoio aos Agricultores Ucranianos, estima 1,5 milhão de hectares monitorados. “Isso permite que o produtor tome decisões oportunas para preservar a produtividade”, diz Pedro Ronzani, gerente de Negócios para a América Latina.

NO HORIZONTE

 A adesão do Brasil às Discussões Estruturadas de Comércio e Sustentabilidade Ambiental na Organização Mundial do Comércio (OMC) beneficia o agronegócio do País, avalia a advogada Mariana Eça Negreiros, do escritório Baptista Luz. “O movimento do governo frente a uma questão de preocupação internacional melhora a reputação nacional”, diz. Para as ações que virão desses debates, uma das apostas é a reformulação na política de subsídios agrícolas privilegiando produtores com práticas sustentáveis.

AGORA VAI

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) iniciou em três propriedades os primeiros testes do “Blue Card”,espécie de visto que vai atestar a qualidade da pluma nacional exportada. A expectativa é de adotar comercialmente o selo na safra 2022/23. 

ADM prevê exportar 50% mais milho do Brasil

Com a expectativa de uma segunda safra de milho em torno de 90 milhões de toneladas, a trading Archer Daniels Midland (ADM) prevê ampliar em 50% as exportações do cereal brasileiro. “A safrinha deve abastecer bem o mercado interno e também favorecer as exportações”, diz Raphael Costa, gerente nacional de Originação da ADM.

Rally da Safra apontará produção de milho

Na terça-feira (21), a Agroconsult, promotora do Rally da Safra, apresentará os resultados da expedição, que percorreu as principais regiões produtoras do País. Serão os números finais da safra de inverno de milho. Espera-se uma confirmação dos relatos do mercado: de que as últimas ondas de frio tiveram efeito limitado nas lavouras. 

 

Tudo o que sabemos sobre:
agriculturaagronegócioGrupo Horita

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.