Myckael Allan Kaefer/Coopavel
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Coopavel prevê recorde de faturamento este ano, apesar de safra menor

Resultado será puxado pelos preços dos grãos e pelo bom desempenho da indústria

Isadora Duarte, Leticia Pakulski, Augusto Decker e Tânia Rabello, O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2022 | 04h00

As perdas de 40% a 50% na safra de grãos de verão deste ano não desanimam a Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel), que prevê faturamento recorde em 2022. São esperados R$ 6 bilhões, alta de 22% ante 2021. O resultado será puxado pelos preços dos grãos e pelo bom desempenho da indústria, diz Dilvo Grolli, presidente da Coopavel. “A agroindústria vai bem e, hoje, representa 81% da receita”, explica. Neste ano serão investidos R$ 240 milhões nas plantas industriais, recursos direcionados a melhorias no moinho de trigo; na ampliação de armazéns e fábricas de fertilizantes; em duas novas unidades de recepção de grãos e venda de insumos e no aumento da produção de ovos férteis e suínos.

Safrinha deve compensar parte da perda no verão 

A Coopavel conta com a segunda safra de milho e com a de trigo para compensar a quebra de até 50% na colheita de verão. Tanto que espera receber 850 mil toneladas de grãos este ano, só 10% menos que em 2021, e processar 90% deles.

Show Rural Coopavel será menor e 100% presencial 

Uma das primeiras feiras de negócios do agro no ano, o Show Rural Coopavel começa nesta segunda, 7, em Cascavel. “É a retomada do contato com novas tecnologias”, diz Grolli, que prevê número menor de expositores e visitantes, mas disposição do produtor em investir. Em 2020, o evento movimentou R$ 2,5 bilhões.

Ver para crer. No mesmo Show Rural, a Bayer anunciará um novo modelo de negócios para sementes de milho, pautado na agricultura digital. Tomando como base o histórico da propriedade, a empresa recomenda quantas sementes a mais o agricultor pode usar para aumentar a produtividade. Se não houver ganho de rendimento, a Bayer devolve na próxima safra as sementes adicionais adquiridas. “A ideia é o produtor ter uma recomendação personalizada e sem risco”, diz Fábio Prata, diretor de marketing para clientes da Bayer.

Investe e colhe. A Adama, de agroquímicos, reforça o portfólio de biológicos no Brasil. Lançou recentemente um fertilizante organomineral para a safra 2022/23. Além disso, um biodefensivo chega ao mercado ainda neste ano. “Até 2026, a Adama terá cinco biossoluções no mercado brasileiro”, diz Vinicius Boleta, gerente de produto. A expectativa da empresa é, em cinco anos, faturar US$ 50 milhões/ano no País com soluções biológicas. Por ano, a companhia investe cerca de US$ 10 milhões em pesquisa e desenvolvimento por aqui.

Nas Arábias. A trading especializada em proteína animal Garra International, com sede em São Paulo, espera ampliar em pelo menos US$ 50 milhões suas vendas este ano a partir da Gulfood, a principal feira mundial de alimentos, que começa dia 13 em Dubai, nos Emirados Árabes. A empresa faturou US$ 200 milhões em 2021 em exportações, das quais 45% com carne de frango e 35%, bovina – todas com certificação halal, voltada aos países e costumes islâmicos.

Foco em Dubai. É no Oriente Médio que a Garra joga suas fichas para crescer 40% em faturamento em 2022, para US$ 280 milhões, já que o bloco representa 60% do mercado companhia, diz Frederico Kaefer, o CEO. “E a Gulfood é fundamental nesta estratégia.”

Investimentos. A gestora Kijani captou, até sexta-feira, R$ 240 milhões na oferta de cotas da primeira emissão de Fiagro (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais). A XP fez a estruturação e a distribuição, com assessoria da Souza, Mello e Torres Advogados. 

A seco. A Raízen reduziu a captação de água em 1,8 bilhão de litros (2,4%) na atual safra, graças ao ReduZa, programa que incentiva práticas de reúso nas operações industriais e de aproveitamento da água vinda da cana-de-açúcar. O volume contempla os 31 parques de bioenergia da companhia.

Restrição russa de adubos acende sinal amarelo

A recente proibição, por dois meses, das exportações russas de nitrato de amônio pode afetar a adubação de cana-de-açúcar, café e hortifrútis no Brasil. Para Annelise Izumi, analista de fertilizantes do Itaú BBA, o custo de produção dessas culturas tende a aumentar, por causa da oferta restrita e a consequente alta de preços. 

Conab e IBGE divulgam dados da colheita de verão

O mercado acompanha nesta semana a atualização das estimativas da Conab e do IBGE para a safra brasileira de grãos 2021/2022. A avaliação é de que os números oficiais na produção de soja e milho venham menores, mas não tão pessimistas quanto os divulgados por consultorias privadas. 

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