Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Jamie Oliver e Sadia fecham parceria em projeto de bem-estar animal

Plano para desenvolver linha de frango congelado envolve 183 aviários em Goiás e conta com investimento de R$ 50 milhões da empresa brasileira

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2016 | 20h10

Uma parceria da marca Sadia, da BRF, com o chef e ativista britânico Jamie Oliver vai envolver 183 aviários de Goiás voltados ao bem-estar animal, com 40 milhões de aves. Em visita a São Paulo nesta quarta-feira, 6, o chef conversou com jornalistas sobre o projeto, que contou com um investimento de R$ 50 milhões da companhia brasileira, e que vai resultar em uma linha de frango congelado semipronto que levará seu nome. A novidade deve chegar aos supermercados em setembro, com uma previsão de três a seis opções para os consumidores e preços entre R$ 15 a R$ 25 (porção para duas pessoas).

Para o projeto, a BRF adaptou granjas de integrados a padrões que atendem a exigências de bem-estar animal, com lotação reduzida dos aviários, instalação de sensores que medem a temperatura do ambiente, além de poleiros e camas de areia para as aves. Estas granjas não devem usar antibióticos na criação dos animais.

O cozinheiro, considerado mundialmente um ativista da alimentação saudável, com embates com redes como McDonald's, defendeu a parceria com grandes corporações. "Você precisa trabalhar com grandes companhias para ter grandes mudanças. Atualmente, trabalho com cinco ou seis grandes empresas ao redor do mundo e talvez há uns cincos anos eu não o faria, mas cheguei a uma maturidade", disse em entrevista coletiva. "É preciso ter fé que você pode fazer uma boa mudança, senão nunca vamos mudar. Tenho fé que eles vão entregar as coisas que eu pedi", disse ao citar que a BRF reponde por 18% da produção mundial de frango.

Oliver disse que os três principais problemas no mundo atualmente são a obesidade, a má gestão dos recursos hídricos e o desenvolvimento de resistência ao uso de antibióticos. Falou sobre seu projeto social "Food Revolution", contra a obesidade, que ele está trazendo para o Brasil. Com este projeto, Oliver conseguiu taxar a venda de refrigerantes no Reino Unido, com a arrecadação revertida para as escolas. Contou também ter supervisionado os padrões adotados nas granjas selecionadas e que está desenvolvendo as receitas. Amanhã ele passará o dia na sede da BRF em São Paulo para finalizar a elaboração dos produtos.

O gerente de vendas e marketing da Sadia, Rafael Ivanisk, disse que, apesar do momento de queda do poder aquisitivo do consumidor brasileiro, os produtos devem ser bem aceitos, por não se tratarem de produto premium, com preços acessíveis à população.

Brexit. Sobre a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, Oliver disse lamentar. Contou ter sido contra a ideia por "amar a Europa". Questionado se o Brexit deve influenciar a oferta de produtos agropecuários em seu país, ele disse que espera que o padrão da comida seja elevado. "Os europeus têm padrão alto, mas os britânicos têm padrões mais altos ainda", afirmou.

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