Chico Ferreira/Futura Press
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Safra de grãos deve ter a primeira queda desde 2008, diz Conab

Produção deve alcançar 196,49 milhões de toneladas no ciclo2015/2016, uma queda de 5,4% ante a safra anterior; baixa é resultado de adversidades climáticas, que prejudicaram o milho

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2016 | 11h24

SÃO PAULO - A produção brasileira de grãos na safra 2015/16 deve alcançar 196,49 milhões de toneladas, o que corresponde a uma queda de 5,4% (11,12 milhões de toneladas a menos) em comparação com 207,67 milhões de toneladas na safra 2014/15 . Os dados fazem parte do 9º Levantamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se confirmada, será a primeira queda registrada pela Conab desde o ciclo 2008/2009.

A queda na produção é resultado de adversidades climáticas, que prejudicaram o milho primeira e segunda safras durante o ciclo vegetativo, como estiagens prolongadas e altas temperaturas. A primeira safra do cereal, que deve alcançar 26,2 milhões de toneladas, registrou queda de 3,9 milhões de toneladas. Já a segunda safra de milho, que começa a ser colhida este mês, tem previsão de 50 milhões, o que representa recuo de 4,6 milhões de toneladas. No total, a produção nacional de milho deverá diminuir 10%, para 76,23 milhões de toneladas em comparação com 84,67 milhões da safra 2014/15

Já a produção soja, responsável por 48,7% da produção nacional de grãos, mesmo prejudicada pelo clima, registrará colheita de 95,63 milhões de toneladas, 0,6% inferior à safra passada, que foi de 96,23 milhões de toneladas.

Para arroz, feijão e algodão, a estimativa também é de recuo na produção total, "levada a efeito pela redução na área plantada e pela estiagem ocorrida no período", diz a Conab. Entre as culturas de inverno, o trigo é destaque, com uma produção de 5,88 milhões de toneladas, 6,3% superior à safra anterior, que atingiu 5,53 milhões.

O estudo mostra, ainda, que a área cultivada de grãos em todo o país deve alcançar 58,2 milhões de hectares, o que representa um aumento de 0,4% ante a safra 2014/15, quando foram cultivados 57,9 milhões de hectares. 

IBGE. Já o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de maio, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima uma safra de 195,9 milhões de toneladas em 2016, um recuo de 6,5% em relação à produção de 2015. A nova projeção é ainda 4,6% menor do que o previsto em abril, com 9,5 milhões de toneladas a menos. Se confirmada, será a maior queda em volume (13,5 milhões de toneladas) desde 1990, quando a baixa havia sido de 15,9 milhões.

Pela primeira vez no ano, a estimativa para a produção de soja em 2016 não foi recorde. Desde 2013 a produção de soja vinha batendo recordes no País. De acordo com o gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE, Carlos Antonio Barradas, apesar do aumento de 2,7% da área plantada de soja, o produtor vai colher menos soja por causa da seca. O rendimento médio caiu 1,6% em decorrência das longas estiagens enfrentadas em vários Estados e, em especial, na região do cerrado.

"Os problemas climáticos estão afetando a produtividade", disse Barradas. A redução nas previsões de produção para a soja e o milho, em especial da 2ª safra, cuja estimativa caiu 11,1%, foram as principais influências na redução da estimativa de produção de grãos para o País em 2016.

Em relação à estimativa de abril, a previsão para a soja caiu 1,7%, somando 96,8 milhões de toneladas para o ano. Já a do milho foi 9,6% menor que a estimada de abril, para 73,5 milhões de toneladas. No caso do milho, Mato Grosso, Paraná e Goiás são os Estados que mais provocaram impacto nos dados nacionais no levantamento de maio.

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