Thiago Silva/Estadão
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Safra de grãos no Brasil deve ter a maior queda em 20 anos

Levantamento do IBGE estima uma safra total de grãos de 189 milhões de toneladas em 2016, um recuo de 9,8% em relação à produção de 2015; Conab prevê 188,10 milhões de toneladas, queda de 9,5%

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2016 | 11h24

RIO - O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de julho estima uma safra total de grãos de 189 milhões de toneladas em 2016, um recuo de 9,8% em relação à produção de 2015, de 209,4 milhões de toneladas, informou nesta terça-feira, 9, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A nova projeção é ainda 1,5% menor do que o previsto em junho, com 2,9 milhões de toneladas a menos. 

Se a projeção for confirmada, a produção em 2016 registrará a maior queda em 20 anos, o que já era previsto em estimativas anteriores. O recuo estimado em 9,8% será o maior desde o tombo de 13,3% apurado na safra de 1996.

No 11º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), também divulgado hoje, a produção brasileira de grãos na safra 2015/16 deve alcançar 188,10 milhões de toneladas, o que corresponde a uma queda de 9,5%, ou 19,7 milhões de toneladas, em comparação com o período anterior (207,7 milhões de t). Em relação ao levantamento anterior, realizado no mês passado, houve um decréscimo de 0,6%, ou 1,17 milhão de toneladas.

O IBGE projeta queda de safra para 14 de 26 produtos no ciclo de 2016 ante o de 2015. O milho segue como destaque negativo. "As condições climáticas que prejudicaram a 1ª safra persistiram durante a 2ª safra", diz nota divulgada pelo IBGE. Segundo o órgão, o clima fez a projeção para a produção total de milho ficar em 68 milhões de toneladas, 3% a menos do que se estimava em junho. 

"A estiagem foi a causa principal (da queda na produção), exceto no Rio Grande do Sul, onde o excesso de chuvas declinou a avaliação do rendimento médio em 0,4%, e para o Mato Grosso, onde a área plantada reduziu-se em 1,5% e a expectativa de rendimento médio caiu 0,4%", diz nota distribuída pelo IBGE, referindo-se às comparações entre as estimativas de junho e julho. 

Com a colheita de soja encerrada, o levantamento do IBGE projeta safra de 96,3 milhões de toneladas, recuo de 0,2% em relação à produção registrada em 2015. Houve queda na produtividade, já que a área plantada de soja aumentou 2,9% em 2016 ante 2015.

Regionalmente, o Mato Grosso segue como o principal produtor da oleaginosa do País, com 27,9% da produção. "A colheita (do Estado) estimada em 26,9 milhões de toneladas é 0,9% menor que a de junho, em função da redução no rendimento médio", diz o IBGE.

Conforme a Conab, a principal cultura de inverno, o trigo, em fase de desenvolvimento das lavouras, deve manter o crescimento de produção, subindo 12,1%, de 5,53 milhões de t para 6,2 milhões de t, mesmo com uma área reduzida de 13,9%. 

Área plantada. A estimativa do IBGE da área total de grãos a ser colhida pelos produtores agrícolas brasileiros em 2016 é de 57,6 milhões de hectares, em linha (-0,1%) com 2015. 

O arroz, o milho e a soja - os três principais produtos da safra nacional - respondem por 87,5% da área total a ser colhida e por 92,5% da produção estimada. Em relação a 2015, houve aumento de 2,9% na área prevista da soja e reduções de 0,4% na área do milho e de 9,6% na área de arroz. Já as avaliações da produção em 2016 em relação a 2015 foram negativas em 0,9% para a soja, 14,7% para o arroz e 20,5% para o milho.

Na estimativa da Conab, a área plantada na safra 2015/16 teve aumento em relação à safra anterior. Está estimada em 58,2 milhões de hectares, com um aumento de 0,6%. A soja, que responde por 57% da área cultivada do País, é a principal responsável pelo aumento, apesar da frustração da produção. O crescimento deve ser de 3,6%, passando de 32,1 milhões de ha para 33,2 milhões na safra atual.

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