Daniel Teixeira/Estadão - 18/5/2019
Resultados da pesquisa reforçam que o agronegócio está à frente no processo de descarbonização. Daniel Teixeira/Estadão - 18/5/2019

Agronegócio brasileiro está mais comprometido com descarbonização do que outros setores

Ao todo, 37% das empresas do setor dizem ter compromissos para zerar a emissão de carbono, mostra pesquisa da consultoria PwC

Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2022 | 21h01

Pesquisa global com CEOs de diversos setores realizada pela consultoria PwC revela que executivos do agronegócio brasileiro estão mais comprometidos com a agenda de descarbonização que os de outros segmentos. Segundo o levantamento, 37% das empresas do setor consultadas têm compromissos para zerar a emissão de carbono.

O resultado ficou acima da média nacional, que inclui outros setores, de 27% e também da média global, de 22%. Mais de 4.400 executivos em 89 países foram entrevistados para a 25ª edição do levantamento, divulgado para a imprensa nesta terça-feira, 1.º. Do total, 4% foram CEOs brasileiros de diversos setores, incluindo o agronegócio.

Em relação a neutralizar a emissão de carbono, 47% dos executivos do agronegócio brasileiro afirmaram estar comprometidos com essa meta. A média dos CEOs de demais setores do País que relataram compromissos com carbono neutro foi 31% e a global, 26%. Dos executivos do agro comprometidos com a agenda, 43% informaram que os projetos estão em andamento.

Para o sócio e líder de Agronegócio da PwC Brasil, Maurício Moraes, os resultados da pesquisa reforçam que o agronegócio está à frente no processo de descarbonização, já que vem priorizando as questões ambientais há mais tempo, em parte porque tem uma relação natural com os fatores climáticos.

"O agro tem isso mais presente nas suas responsabilidades pela cobrança da sociedade sobre o setor. O número de CEOs do agro que responderam ter compromissos com descarbonização é muito maior que o dos outros segmentos", disse Moraes. Ele apontou, contudo, que esse tema precisa ainda alcançar as pequenas e médias empresas do setor, hoje concentrado nas de grande porte. "As questões sociais também precisam ser enfrentadas ainda mais pelo setor", disse.

Outro ponto destacado por Moraes é que se tratam de compromissos e metas mencionadas pelos executivos com resultados dos projetos ainda a serem acompanhados. "Há trabalho importante para ser feito. O agro tem anunciado que está com agenda de redução de carbono e net zero importantes, mas é preciso acompanhar como serão divulgados os resultados destes projetos. Para este ano, esperamos ver como essa questão vai evoluir", afirmou.

Moraes também chamou a atenção para o fato de que, apesar de a maior parte das empresas incluir agendas ESG (Governança ambiental, social e corporativa) na sua estratégia, estas metas não estão atreladas às métricas de desempenho dos executivos.

De acordo com a pesquisa, a maioria dos CEOs tem metas relacionadas à satisfação do cliente, engajamento de funcionários e automação ou digitalização incluídas em suas estratégias de longo prazo. Em relação às metas voltadas às emissões de gases do efeito estufa (GEE), apenas 13% dos executivos do agronegócio responderam possuir métricas de desempenho, como remuneração variável e bonificações, atrelados ao compromisso, enquanto 43% dizem que a agenda está na estratégia corporativa de longo prazo.

"Além de aumentar a presença dos temas na agenda estratégica, é preciso aumentar o comprometimento do grupo executivo com as metas. Normalmente, grandes temas estratégicos das companhias estão atrelados às metas de desempenho de quem vai executar a estratégia como prioridade. A leitura é de que há estratégia, mas não está sendo exigida de quem está no comando", disse o sócio da PwC Brasil.

Principais ameaças

Os executivos também foram questionados sobre as principais ameaças que podem afetar negativamente seus negócios neste ano. Para os executivos do agronegócio brasileiro, a maior preocupação é a instabilidade macroeconômica, seguida das mudanças climáticas. Para os CEOs brasileiros dos demais setores, os principais riscos são a instabilidade macroeconômica, riscos cibernéticos e a desigualdade social. Enquanto na média global as principais ameaças citadas foram riscos cibernéticos, riscos à saúde e instabilidade macroeconômica.

"Instabilidade macroeconômica e a desigualdade social preocupam mais no Brasil que no mundo. No mundo, o risco cibernético é a principal ameaça para executivos globais e relevante no Brasil, mas no agro a percepção deste risco é menor nos resultados", disse Moraes.

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Agronegócio está otimista com o crescimento da economia brasileira, diz pesquisa

Segundo levantamento da PwC, 57% dos executivos do setor estão confiantes na expansão, enquanto outros 30% avaliam o risco de uma desaceleração em 2022

Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2022 | 21h01

Mais da metade (57%) dos executivos do agronegócio brasileiro está otimista com o crescimento da economia neste ano, revela a 25ª edição da Pesquisa Global com CEOs da PwC, empresa de consultoria e auditoria. O levantamento, divulgado nesta terça-feira, 1.º, mostra que outros 30% dos executivos do setor avaliam o risco de uma desaceleração em 2022, enquanto 13% projetam um cenário de estabilidade.

A confiança do agronegócio ficou levemente acima da média nacional, já que, considerando todos os setores da economia, 55% dos executivos apostam no crescimento da economia brasileira, 35% acreditam na desaceleração e 10% na estabilidade.

O levantamento da PwC sobre economia foi feito em 89 países e, considerando a média dos executivos globais (75% deles otimistas com a economia de seus países), o otimismo dos brasileiros não se sobressai. A PwC entrevistou mais de 4.400 CEOs nesses 89 países, sendo 4% destes do Brasil.

Na avaliação do sócio líder de Agronegócio da PwC Brasil, Maurício Moraes, a confiança maior do agronegócio em relação à economia brasileira na comparação com os executivos dos demais setores pode ser atribuída à boa performance e aos próprios resultados do setor em relação aos demais segmentos econômicos.

"Quando você está em setor que está com boa performance é mais natural que você seja mais otimista. Talvez o que impulsionou os executivos do setor a serem menos pessimistas em relação aos demais são os resultados positivos do agronegócio", disse Moraes. Moraes citou a alta produtividade das safras, os preços das commodities e o dólar forte ante o real.

Confiança na economia global segue alta

A pesquisa revelou também que os executivos do agronegócio brasileiro estão mais confiantes em relação à economia global. Questionados sobre o crescimento mundial, 77% dos CEOs do setor acreditam na aceleração da economia mundial –  estável em relação à média de executivos do Brasil e do mundo.

"Estamos passando por um momento de instabilidade no País. Essa instabilidade que os executivos enxergam faz com eles tenham menos otimismo com o crescimento da economia local que com o da mundial", afirmou Moraes.

Em relação às próprias empresas, 74% dos líderes do agronegócio ouvidos na pesquisa estão extremamente ou muito confiantes de que as receitas tendem a crescer neste ano. Outros 17% estão moderadamente confiantes, 3% ligeiramente confiantes e 7% não acreditam no crescimento da receita.

A confiança é superior à média dos líderes brasileiros, de 63%, e do mundo, de 56%. Para os próximos três anos, 80% dos executivos do agronegócio apostam no aumento na receita das suas empresas, ante 73% da média nacional e 64% do mundo. "O agronegócio vinha crescendo e os CEOs acreditam na continuidade do crescimento", apontou Moraes.

Os executivos do agronegócio brasileiro citaram Estados Unidos e China como os mercados mais importantes na perspectiva de crescimento das suas empresas. Do total de entrevistados, 63% mencionaram o mercado norte-americano e 60% mencionaram o mercado chinês. Alemanha (23%), Índia (20%) e Argentina (17%) também foram citados pelos CEOs do setor. Para os demais executivos nacionais, os Estados Unidos aparecem com 50% na relevância para o faturamento das empresas e a China em 34% das respostas.

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