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Agronegócio parte em busca de crédito privado 

Desembolsos de Bradesco, Santander e Banco do Brasil no período cresceram 27%, 35% e 23,7%, respectivamente, em comparação a igual período de 2019

Clarice Couto, Leticia Pakulski e Julliana Martins, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2020 | 10h07

Produtores brasileiros buscaram mais financiamento de bancos privados a juros livres nos cinco primeiros meses do ano. “A Selic caiu muito e hoje a pequena diferença entre as taxas de linhas oficiais e de mercado é menos relevante para o agricultor”, resume Roberto França, diretor de Agronegócios do Bradesco. “Além disso, operações com bancos privados têm processo mais simples de contratação”, afirma. 

Os desembolsos de Bradesco, Santander e Banco do Brasil no período cresceram 27%, 35% e 23,7%, respectivamente, em comparação a igual período de 2019. Nos bancos privados, houve maior demanda por empréstimos com recursos livres – dinheiro do próprio banco com juros sem subsídio. Há um ano, diz França, o crédito de custeio subsidiado e o livre tinham o mesmo peso na carteira do agro, enquanto agora os empréstimos a juros livres já são mais da metade do total. No Santander, cerca de 70% da carteira se refere a linhas com taxas de mercado, segundo Carlos Aguiar, diretor de Agronegócio. 

Sobe

A maior demanda por dinheiro, explicam os executivos, se deve aos planos de expansão da produção na próxima safra e à alta do dólar, que obriga produtor a gastar mais em real com a mesma quantidade de insumos agrícolas. De janeiro a maio, o Bradesco desembolsou R$ 3,4 bilhões e contava com carteira de mais de R$ 30 bilhões; Santander, R$ 6 bilhões e R$ 22 bilhões, respectivamente; BB, R$ 30,5 bilhões e R$ 186,2 bilhões.

...e sobra

Apesar de o volume contratado para custeio no Pronamp (para médios produtores) ter aumentado 34% de julho de 2019 a abril de 2020, sobrou dinheiro da linha nos bancos. Do total dos depósitos à vista destinado ao programa, havia cerca de R$ 1 bilhão sem uso em abril, segundo o Banco Central. “Com a Selic baixa, para muitos produtores a burocracia em relação à taxa (do Pronamp) não compensa”, diz Aguiar.

Vem por aí

Na quarta-feira, o governo divulga qual será a oferta de crédito a juros subsidiados no Plano Safra 2020/2021. A grande cobrança do setor é por juros mais baixos. França, do Bradesco, espera corte de 1 a 1,5 ponto porcentual no teto de todas as taxas do Plano, de custeio a investimento. Já Aguiar não elimina aumento do montante para investimento e redução para custeio. Além de os recursos do BNDES para investimento terem acabado antes do fim da safra e de a demanda continuar firme, o juro de longo prazo, referência para essas linhas, está subindo, o que reforça a necessidade de crédito subsidiado.

Vanguarda

A processadora Rio Pardo, que produz concentrado proteico (SPC) e óleo de soja, vai investir R$ 160 milhões para ampliar a planta de Sidrolândia (MS). A capacidade de processamento, hoje de 200 toneladas por dia, passará a até 800 toneladas diárias em 2022, quando novo aporte de R$ 200 milhões será feito, desta vez para atingir 1.800 toneladas/dia em 2024. A empresa desenvolveu uma tecnologia para produzir tanto concentrado quanto óleo em uma única extração da soja, o que reduz o custo e aumenta a qualidade do produto final.

Avante

Osvaldo Neves de Aguiar, diretor da Rio Pardo, conta que a pandemia da covid-19 despertou maior interesse de compradores externos por ração com proteína de alta qualidade. “O SPC entra agora em formulações que antes não o utilizavam, tanto para frango quanto para suínos.” Em 2020, a empresa deve exportar para 12 países, ante cinco em 2019. O faturamento previsto para o ano é de

R$ 100 milhões e, após a primeira fase da ampliação, em 2022, deve chegar a R$ 550 milhões.

Acelerada

A Solinftec, de soluções tecnológicas para produtores, está surfando na onda da digitalização na agricultura. Até maio, a receita da empresa no Brasil cresceu 22%, ante uma expectativa de 15%. “O momento atual favorece a redução de custos e aumento da eficiência, com atendimentos técnicos e treinamentos remotos”, diz Rodrigo Iafelice dos Santos, CEO da Solinftec. O executivo afirma que a expectativa para 2020 é mais que dobrar o faturamento de 2019. A empresa atua hoje em 11 países.

Em frente

Na crise, a Tereos investe em produtividade. A biofábrica de mudas pré-brotadas (MPB) de cana-de-açúcar, em Guaíra (SP), deve ajudar a empresa do setor sucroenergético a multiplicar a produção de novas variedades e aumentar a participação desses materiais nos canaviais. O uso das mudas já levou a um aumento de 10% no desempenho agrícola da empresa nos últimos 3 anos. A estimativa de produção da unidade é de 6 milhões de mudas em 2020, mas pode chegar a 13 milhões e a 20 milhões nas próximas safras.

Ainda não

A pandemia de covid-19 atrasou a decisão sobre uma consultoria para apoiar o processo de reestruturação da Embrapa. A expectativa era de contratação ainda no primeiro semestre, mas até agora nenhuma foi selecionada, segundo Celso Moretti, presidente da empresa. Ele avalia que, com a chegada dos novos diretores executivos, Adriana Martin e Tiago Ferreira, ajustes na Embrapa serão feitos ainda em 2020. 

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