Marcos Corrêa/PR
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Bolsonaro diz que acabou com os 'pacotes de maldades' para o agronegócio

Em visita a Guariba (SP) para inaugurar planta de biogás, o presidente falou sobre a maior flexibilidade da legislação ambiental em seu governo e disse que o Ministério do Meio Ambiente não só não atrapalha o setor como "ajuda em muito"

José Maria Tomazela e Emily Behnke, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2020 | 12h23
Atualizado 16 de outubro de 2020 | 15h40

GUARIBA e BRASÍLIA  - Em mais um sinal de apoio ao agronegócio, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 16, que o homem do campo tem seu governo como aliado. Durante inauguração da planta de biogás da Raízen, em Guariba (SP), ele disse que os produtores não serão mais afetados pelo que chamou de "pacote de maldades", em referência a medidas ligadas à preservação do meio ambiente incentivadas por outros países.

Discursando para empresários e produtores rurais, o presidente voltou a abordar a maior flexibilidade da legislação ambiental em seu governo e disse que o Ministério do Meio Ambiente não atrapalha o agronegócio. “Quando falam que sou benquisto pelo pessoal do campo, pelo pessoal do agronegócio, o nosso Ministério do Meio Ambiente não atrapalha a vida de vocês, muito pelo contrário, ajuda em muito. Lembrem como há algum tempo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e o ICMBio (Instituto Chico Mendes da Biodiversidade) tratavam vocês. Nós não criamos dificuldades. Não criamos dificuldade para vender facilidade.”

Segundo o presidente, o agronegócio brasileiro se expande sem devastar reservas. “Nosso governo deu oportunidade para que o índio possa explorar seu território da melhor maneira”, disse.

Minutos antes, o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) havia dito que a cadeia sucroenergética brasileira é “exemplo de sustentabilidade para o mundo” e que os canaviais “ajudaram a recuperar a fauna” ao recompor as áreas de preservação permanente nas fazendas de cana-de-açúcar. 

Bolsonaro criticou países europeus e citou “o presidente de um grande país da Europa que quase sempre está na vanguarda para nos criticar”, numa referência a Emmanuel Macron, presidente da França, crítico da política ambiental do governo brasileiro. "Acabou o tempo que o chefe de Estado ia para fora e voltava para cá com um pacote de maldades e quem pagava a conta geralmente era o homem do campo."

Apesar da fala de Bolsonaro, em setembro o governo brasileiro prorrogou a cota de importação de 187,5 milhões de litros de etanol norte-americano sem imposto por mais 90 dias. A medida provocou críticas do setor produtivo do biocombustível, cujas principais lideranças estavam no evento desta manhã, e foi comemorada principalmente pelo governo de Donald Trump. O aliado de Bolsonaro está em campanha para se reeleger e enfrentava dificuldades para ter o voto de produtores de etanol nos Estados Unidos.

O presidente afirmou ainda que o Brasil está saindo vitorioso da crise causada pela pandemia do novo coronavírus, que já infectou mais de 5 milhões de brasileiros e matou mais de 152 mil pessoas no País. “A nossa economia tem reagido muito bem, cada vez mais acredito na palavra, no trabalho do Paulo Guedes (ministro da Economia) e sua equipe, de modo que estamos saindo, sim, em 'V', de vitória, dessa crise. Se Deus quiser, em pouco tempo voltaremos à normalidade.”

Em agosto, a economia brasileira cresceu 1,06% em relação a julho, segundo o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Outros indicadores, no entanto, indicam desemprego recorde em razão da pandemia e uma previsão de queda de 5,03% no PIB em 2020. Desde o início do período pandêmico, o presidente tem demonstrado mais preocupação com a economia do País do que com a gravidade da doença.

Jair Bolsonaro chegou à usina de Bonfim, da Raízen, na companhia dos ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, da Casa Civil, Braga Neto, e Ricardo Salles, além do secretário nacional de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia.

Ele e os ministros vestiam a camisa do XV de Novembro de Piracicaba, time de futebol patrocinado pela Raízen, que está na série A2, a segunda divisão do futebol paulista. As 15 pessoas que ocuparam as cadeiras colocadas no palco ladeando o presidente, entre elas cinco deputados federais, estavam sem máscaras e não respeitavam o distanciamento. O uso do protetor facial é obrigatório por lei no Estado de São Paulo. O presidente não falou com a imprensa. Ao fim da cerimônia, segundo a assessoria, Bolsonaro viajou para Porto Real, no Rio de Janeiro.

Biogás

Resultado de joint-venture com a Geo Energética, a planta de biogás da Raízen é uma das maiores do mundo, com 21 megawatts de capacidade instalada. A produção anual da planta será de 138 mil megawatts/ano, suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes. 

É a primeira do País a produzir energia com subprodutos da produção de açúcar e etanol, como torta e linhaça, antes considerados resíduos inservíveis. A usina processa 5 milhões de toneladas de cana anualmente. / COLABOROU EMILY BEHNKE

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