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Brasilseg vê seguro agrícola crescendo 40% este ano

Alguns fatores contribuem para a expectativa: governo elevou para R$ 955 milhões recursos para subsidiar prêmio de apólices, maior frequência de intempéries e número crescente de financiadores da produção interessados em oferecer seguro

Clarice Couto, Isadora Duarte, Leticia Pakulski e Ariosto Mesquita, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2020 | 06h16

Líder do mercado de seguro agrícola no País, a Brasilseg, do Banco do Brasil, prevê aumento de 40% deste segmento em 2020, acima dos 22% no ano passado. Ivandré Montiel, presidente da empresa, espera que o faturamento do setor com apólices chegue a R$ 3,4 bilhões, ante R$ 2,4 bilhões em 2019. Deste total, a Brasilseg detém 60% e a expectativa é garantir essa fatia, dada a crescente concorrência. “Todo mundo quer tirar o seu quinhão, mas vamos ampliar nossos canais de distribuição e a oferta de produtos específicos”, diz. Alguns fatores contribuem para a expectativa de incremento: o governo elevou para R$ 955 milhões os recursos para subsidiar o prêmio das apólices, ante R$ 440 milhões em 2019; a maior frequência de intempéries e um número crescente de financiadores da produção interessados em oferecer seguro, em especial cooperativas de crédito e agropecuárias. 

Novos ventos

Para fazer frente à concorrência, a Brasilseg pretende ampliar sua capilaridade e crescer na Região Nordeste, além de dar especial atenção à agricultura familiar – o governo prevê subvenção de R$ 50 milhões exclusiva para o Norte e Nordeste. Outra estratégia será a oferta de seguros multirrisco, em especial o que cobre perdas decorrentes do clima e de oscilações de preços.

Digital

A Brasilseg também espera fidelizar clientes com um aplicativo de sensoriamento remoto que permite acompanhar o desenvolvimento dos talhões das lavouras, a situação ambiental da propriedade, alertas climáticos, preços de commodities e outros dados. As informações vinham sendo usadas para analisar remotamente pedidos de indenização. O app foi oferecido a 200 produtores na safra verão de 2019/2020. A meta é disponibilizá-lo a 100% dos clientes ao longo de 2021.

‘Uber’ do boi

Inspirada em aplicativos de transporte de passageiros, a JBS Transportadora – braço logístico da JBS – lançou ferramenta semelhante para bovinos: o Uboi, já disponível nas plataformas Android e iOS. O aplicativo, que demandou investimento R$ 1 milhão, atenderá inicialmente pecuaristas de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e parte de Mato Grosso que precisam deslocar animais vivos entre fazendas, além de leiloeiras de gado. Ricardo Gelain, diretor da JBS Transportadora, ressalta que o transporte de animais para abate na JBS continua, via de regra, por conta do frigorífico e não será coberto pelo Uboi.

Otimização

A JBS Transportadora já fazia o serviço de transporte de animais, na base de 15 mil bovinos por dia. Com o Uboi, a expectativa é que a demanda aumente 30%. Os 600 caminhões da companhia estarão na plataforma, que aceitará, também, o cadastro de terceiros, ampliando a frota para até 3 mil veículos, calcula Gelain. Ele assinala, porém, que os caminhões boiadeiros não poderão ter mais do que sete anos de uso, em média, e devem ser ajustados para o bem-estar animal. 

Só suco

A Louis Dreyfus Company (LDC) inaugura nesta segunda-feira no Porto de Santos (SP) nova frota para transporte marítimo de sucos e derivados. Com os navios Essayra, para 23 mil toneladas, e Atlantic, para 27 mil toneladas, a empresa substitui a frota anterior, que era composta por três navios, e amplia em 20% a capacidade de transporte. 

Sustentável

Como os novos navios são mais modernos e vão transportar apenas suco e derivados, ao contrário dos antigos, que carregavam também outros produtos, o investimento trará dividendos ambientais. O consumo de combustível cairá 40% e a emissão atmosférica de enxofre por tonelada de produto transportado, 85%. É que, sem compartilhamento de carga, a embarcação seguirá direto a seu destino. Os principais mercados do suco exportado pela LDC são Europa, Estados Unidos e Ásia.

Repaginada

A Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), que trocou de comando no início deste mês, quer rever seu papel junto aos associados. Eduardo Monteiro, presidente do Conselho de Administração da entidade, diz ser necessário modernizar a gestão e deixar mais evidente a sustentabilidade dos adubos. “Nos últimos anos, o setor investiu US$ 5 bilhões no Brasil. É uma indústria com papel estratégico, que precisa estar mais visível.” A reestruturação deve ser concluída por uma consultoria nos próximos três meses. 

Reação rápida

A empresa mineira de nutrição vegetal Satis espera faturar 13,5% mais este ano, com vendas para os segmentos de soja, feijão, milho, algodão e hortifrútis. José Nascimento, presidente da Satis, atribui a previsão à mudança rápida de estratégia após a pandemia de covid-19, com realização de negócios online. Até então, a abordagem a produtores e revendas ocorria em visitas e em feiras.

Expansão

A Satis abriu dois centros de distribuição, em Formosa (GO) e Juazeiro (BA), ampliou o de Nova Mutum (MT), e adquiriu estrutura no distrito industrial de Araxá (MG), próxima à atual fábrica, para armazenagem de produtos e futura expansão da produção. O investimento é de R$ 8 milhões. 

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