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China quer ‘descarbonizar’ economia e cobra o agro

País asiático vai exigir práticas cada vez mais sustentáveis de seus fornecedores – e o Brasil entra na mira

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2020 | 05h00
Atualizado 24 de novembro de 2020 | 12h24

Em um amplo plano de “descarbonizar” atividades nos próximos cinco anos, a China exigirá práticas cada vez mais sustentáveis de seus fornecedores de carnes. “Queremos continuar a importar do Brasil, mas estamos atentos às emissões de carbono”, alertou Shenggen Fan, professor da China Agricultural University, em webinar promovido no dia 19 pela Tropical Forest Alliance (TFA) que contou também com participantes do governo e da cadeia produtiva daqui. “A China exigirá uma colaboração global para reduzir suas emissões”, reforçou Fan. A diretora executiva do hub de investidores Greenovation, Bai Yunwen, confirmou a disposição de investidores do país asiático para projetos verdes: “Importamos muita carne e precisamos combater o volume de carbono emitido nessa cadeia”. 

Valorização

Shenggen Fan garantiu que a China está disposta a pagar mais pela carne “carbono neutro” e reconheceu que, embora “mais barata”, a proteína brasileira é de qualidade. Recomendou ainda que o Brasil invista num trabalho de marketing no país asiático para garantir ao consumidor a sustentabilidade do produto. “Os chineses estão ávidos por dieta saudável e sustentável e vocês têm de mostrar isso”, disse. “Esse trabalho é demorado, mas deve começar.”

Direção comum

Os resultados dos diálogos China-Brasil promovidos pela TFA serão apresentados nas Conferências da Biodiversidade e do Clima, em maio e novembro de 2021, citou Fabíola Zerbini, diretora regional da TFA na América Latina. “Queremos construir ações comuns para descarbonizar a economia; espero que até lá tenhamos resultados bastante concretos em relação a isso.”

Escolha virtual

As vendas online deram impulso extra à Semana Nacional de Carne Suína, promovida pelo Pão de Açúcar e Extra, junto com a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). A movimentação por e-commerce foi 150% superior na edição deste ano, de 1.º a 15 de outubro, ante a de 2019. Bem maior, também, do que o aumento de 17% apurado nas lojas físicas. “Na pandemia, muitos clientes tiveram sua primeira experiência online e continuaram a comprar assim após o relaxamento das restrições”, diz Edi Carlos Galvão, gerente nacional de Carnes das duas redes.

Visão

A família Nishimura, fundadora da fabricante de máquinas agrícolas Jacto em 1948, amplia investimentos de seu fundo de venture capital, Tridon. O mais recente foi no fundo de agro da KPTL, gestora com aportes em 8 agtechs. Criada há um ano e meio, a Tridon aplica em startups e fundos do Brasil e do Vale do Silício, região dos Estados Unidos que reúne as maiores empresas globais de tecnologia. Marcio Santos, diretor executivo da Tridon, diz que, para 2021, o plano é reforçar aportes a startups. Ele estima em torno de oito novas beneficiadas.

Aposta no campo

O agro será o motor da expansão da startup Fine Instrument Technology (FIT). A aposta é um equipamento de ressonância magnética nuclear que faz análises químicas e físicas de matérias-primas e alimentos como soja, palma e derivados. Inicialmente voltada para o setor de saúde, a FIT direciona esforços para o agro após iniciar parceria com a Embrapa Instrumentação. Os maiores clientes são indústrias processadoras de oleaginosas e de alimentos, mas o objetivo é ganhar espaço entre produtores e cooperativas. “Estando no Brasil, com os clientes e as parcerias que temos, o agro continuará sendo a maior parte do faturamento por um bom tempo”, diz Daniel Consalter, diretor de tecnologia da FIT.

Lá e aqui

A startup prevê fechar 2020 com alta de 40% nas vendas ao exterior. Hoje exporta para nove países na América Latina, Europa, Ásia e Oceania. “Direcionamos esforços também para a África, que é grande produtora de óleo de palma”, diz Consalter. Por outro lado, a demanda interna aquecida por farelo de soja para produção de carnes e óleo para alimentos e biodiesel deve contribuir para um aumento de 30% nas vendas no Brasil este ano. A FIT recebeu investimento da NT Agro para expandir a produção e diversificar a oferta de serviços.

Timing

A aposta da agtech Bart Digital de antecipar sua plataforma de emissão de e-CPRs (Cédula de Produto Rural eletrônica), a Ativus, de julho para março, se mostrou acertada. Em sete meses, a Ativus movimentou R$ 3,2 bilhões em CPRs ligadas a soja, milho, algodão e café, e chegou a 13 Estados, conta Mariana Bonora, CEO da Bart Digital. O valor equivale a 14% do total de CPRs emitidas no País por instituições financeiras na safra 2019/20, R$ 22,7 bilhões, conforme dados do Ministério da Agricultura - as emissões da Bart, no entanto, não entram nesse cálculo. As CPRs são apresentadas por produtores a indústrias e bancos para comprar insumos agrícolas.

Modernizando

A decisão de lançar mais cedo a solução foi tomada para contornar o fechamento de cartórios e o isolamento de produtores nas fazendas, o que limitou a coleta de assinaturas e os registros presenciais. Pela ferramenta, agricultores, revendas de insumos e outros agentes têm feito, online, emissões de títulos, assinaturas digitais e envio de papéis para registro. “Encontramos cartórios pouco familiarizados com registros eletrônicos, mas todos se mostraram abertos a trocar experiência”, diz Bonora.

 

TÂNIA RABELLO, CLARICE COUTO e LETICIA PAKULSKI

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