Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão
Imagem Coluna do Broadcast Agro
Colunista
Coluna do Broadcast Agro
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Com nova captação, Traive deve dobrar oferta de crédito e número de investidores

Agfintech ganhou impulso com os US$ 17 milhões (R$ 95 milhões) levantados na última semana em nova rodada de captação; inicialmente, a meta da Traive era captar US$ 10 milhões, mas o apetite de investidores levou a uma operação maior.

Clarice Couto, Isadora Duarte, Augusto Decker e Julliana Martins, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2021 | 04h00
Atualizado 18 de outubro de 2021 | 11h43

A agfintech Traive, fundada por brasileiros em 2018 nos Estados Unidos, ganhou impulso com os US$ 17 milhões (R$ 95 milhões) levantados na última semana em nova rodada de captação. Com o valor, as equipes de tecnologia e vendas vão crescer e a oferta de crédito provavelmente dobrará, até 2022 – de R$ 1,6 bilhão previsto para este ano, conta Fabricio Pezente, cofundador e CEO da startup. O número de revendas de insumos, cooperativas e empresas de agroquímicos que acessam os recursos para financiar produtores deve saltar de 12 para até 50 no período. A fonte de recursos também: de 4 investidores hoje para ao redor de 10 em 12 meses. “Vamos atacar o campo e os fundos”, diz.

Interesse maior que o esperado

Inicialmente, a meta da Traive era captar US$ 10 milhões, mas o apetite de investidores levou a uma operação maior. Entre eles estão SP Ventures, Astela, Tiger Global, Minerva VC, Syngenta Group Ventures, Serasa Experian VC e CSN Inova Ventures.

Tecnologia dará escala à oferta

A parceria mais recente da Traive foi com o BTG Pactual, para oferecer ao setor até R$ 3 bilhões. Pezente destaca os investimentos da fintech em automação e inteligência artificial para inferir o risco de crédito dos produtores e dar segurança a investidores. Até 2025, a Traive deve ofertar US$ 18 bilhões.

CRAvado

A argentina GDM finalizou uma operação de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) de R$ 210 milhões. “Queremos alongar nossa dívida financeira e que a GDM seja conhecida no mercado financeiro brasileiro”, diz Gustavo Santarelli, coordenador de planejamento financeiro. A operação foi assessorada pelo Souza, Mello e Torres Advogados.

Espaço para crescer

A GDM afirma que, agora, há mais possibilidade de crescimento no Brasil do que no seu país de origem. “A área de soja no Brasil é quase o dobro da argentina, estável há alguns anos em 18 milhões de hectares”, diz Santarelli. O executivo conta que o congelamento de preços no país vizinho não afeta a companhia e deve ter pouco efeito no agro local.

Salgado

O frete rodoviário de grãos (milho e soja) das principais rotas agrícolas para exportação está mais caro neste ano. Levantamento do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Esalq/USP (Esalq-Log) mostra aumento de 19% a 25% de janeiro até a primeira semana de outubro nos trechos da fazenda para o porto (veja gráfico). “O preço do frete subiu muito em relação aos últimos anos, atingindo patamares recordes no primeiro semestre”, observa Thiago Péra, coordenador do Esalq-Log.

Aquecido

Fusões e aquisições (M&As) estão mais frequentes no agronegócio brasileiro. Estudo da consultoria KPMG feito para a coluna revela 27 operações até julho. Pelo menos outras seis transações envolvendo grandes companhias já foram anunciadas neste segundo semestre e não estão contabilizadas no cálculo. Giovana Araújo, sócia líder de agronegócio da KPMG, avalia que neste ritmo as M&As do setor neste ano tendem a superar as 39 do ano passado.

Pé no acelerador

O forte crescimento do agronegócio, a abertura de capital de empresas do setor e a busca por inovação motivam as M&As, segundo a KPMG. Entre os segmentos com maior apetite à consolidação, a executiva cita o varejo de insumos e o de tecnologia ligada ao agronegócio. “Algumas transações destes elos estão em gestação e devem se concretizar até o fim do ano”, prevê.

Reviravolta

Outro setor que também dá sinais para fusões e aquisições é o sucroalcooleiro, avalia a KPMG. No ano de 2019, o segmento ligado à cana-de-açúcar liderava as recuperações judiciais. No ano passado, deu os primeiros passos de retomada. “E neste ano, caminha para novos negócios”, diz Giovana Araújo.

GIRO

ABPA faz balanço positivo de participação em Anuga

Exportadores de aves, suínos e ovos fecharam US$ 34,8 milhões em negócios na Anuga 2021, feira realizada na Alemanha esta semana. Os acordos após o evento podem somar US$ 490,2 milhões, projeta a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que participou da ação em parceria com a Apex-Brasil.

VEM AÍ

Live debate a participação do agronegócio na COP-26

“O agronegócio e a COP-26” será o tema da próxima Live do Broadcast Agro, na quinta-feira, às 16h. Participam da discussão o sócio-diretor da Agroicone, Rodrigo Lima, e o coordenador de Sustentabilidade da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nelson Ananias. Acompanhe ao vivo no Youtube da Agência Estado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.