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Coopercitrus quer dobrar uso de tecnologia no campo

Fernando Degobbi, diretor presidente da Coopercitrus, conta que, dos 38 mil cooperados, 80% são pequenos e médios produtores, para os quais não compensa adquirir equipamentos próprios

Leticia Pakulski, Clarice Couto e Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2021 | 04h00

A Coopercitrus quer mais agricultores cooperados na agricultura 5.0, que envolve tecnologias de alta precisão e conexão com a internet. No ano passado, a cooperativa, a maior do Estado de São Paulo, atendeu 4 mil produtores interessados nas tecnologias e espera chegar a 8,5 mil até o fim de 2021. Para tanto, deve investir até R$ 60 milhões em novos equipamentos e em melhoria de sistemas, após ter destinado outros R$ 40 milhões no ano passado. Hoje, a cooperativa já adquire equipamentos, como drones e vants, e com eles presta serviços aos produtores, desde planejamento de plantio e pulverização até reflorestamento e recuperação de nascentes. Fernando Degobbi, diretor presidente da Coopercitrus, conta que, dos 38 mil cooperados, 80% são pequenos e médios produtores, para os quais não compensa adquirir equipamentos próprios. “Para quem tem escala e faz três ciclos no ano viabiliza a compra, mas os demais produtores podem ficar sem acesso”, diz. O quadro de profissionais da cooperativa para ajudar produtores tanto na decisão quanto no uso dessas tecnologias deve crescer 35% neste ano.

Bem perto

Nesse projeto, a Coopercitrus tem a vantagem de que boa parte da sua área de atuação no campo conta com cobertura de internet banda larga. “Temos pequenas e médias propriedades do Estado de São Paulo muito próximas das cidades. Praticamente 90% dos produtores da Coopercitrus têm internet e WhatsApp”, conta o executivo.

Novo espaço

A cooperativa inaugurou sua primeira loja Campo Digital no fim de abril em Cristalina (GO), e nos próximos três meses deve abrir outros dois espaços desse tipo. “É preciso aproximar o produtor das soluções (da agricultura 5.0)”, afirma Degobbi.

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Além da prestação de serviço, a Coopercitrus prevê fechar o ano com 55% mais vendas de equipamentos de agricultura de precisão. Em 2020, foram R$ 55 milhões. No acumulado do ano, as vendas já são 65% maiores, mas os problemas de acesso a insumos para produção de máquinas dificultam a programação de entregas. A cooperativa prevê crescimento de 30% no faturamento em 2021, ante R$ 5,9 bilhões no ano passado. 

Vem comigo

O Rabobank aposta nos empréstimos sindicalizados para avançar sobre cooperativas agropecuárias. Acaba de fechar dois, de R$ 540 milhões para a Lar e R$ 180 milhões para a Integrada, ambas paranaenses. Os recursos financiarão a exportação. Com a verba, as cooperativas poderão comprar produtos dos agricultores e pagar despesas com processamento e outras atividades até a efetivação do pagamento pelo importador.

Bem-vindas. Em 2020, o Rabobank dobrou sua carteira com cooperativas e espera para este ano resultados “tão bons ou melhores”. O banco não informa o número exato de cooperativas atendidas. Eram de 15 a 20 no ano passado e em 2021 outras cinco podem ser agregadas ao portfólio, segundo Fabiana Alves, diretora de Clientes Corporativos.

Compartilha

Nos empréstimos sindicalizados, o banco que identifica a necessidade de crédito convida outros para complementar a oferta de recursos. É uma forma de atender o cliente mesmo quando o pedido ultrapassa o limite de crédito do solicitante ou o estabelecido pelo banco para o segmento, explica Fabiana. O plano é fazer ao menos outras três operações do tipo até o fim do ano.

Cabo de guerra

Enquanto o Ministério da Agricultura trabalha para conseguir do Tesouro mais do que os R$ 11,5 bilhões da safra 2020/21 para a subvenção de crédito rural e seguros no ciclo 2021/22, no Ministério da Economia a orientação é que bancos privados e mercado de capitais supram a demanda adicional do setor. O pedido da Agricultura é de ao menos R$ 15 bilhões no Plano Safra que deve ser anunciado até junho. Mas uma fonte do governo diz que há resistência em aumentar o valor da subvenção.

Tudo vai depender, diz o interlocutor, da votação do Projeto de Lei em que o governo solicita recomposição de R$ 3,68 bilhões para o agronegócio, após o corte de R$ 2,5 bilhões no orçamento de 2021 aprovado no Congresso. Só com isso definido será possível deliberar sobre regras com o Conselho Monetário Nacional (CMN) e lançar o Plano Safra.

Favorável

O setor sucroenergético parece estar deixando para trás o recurso da recuperação judicial, após ter encabeçado o uso do instrumento em 2019 e recorrido à ferramenta em 2020. “O setor está entrando em um período mais promissor com usinas se recuperando financeiramente”, diz à coluna Marcos Haaland, diretor especializado em agronegócio da consultoria de empresas Alvarez & Marsal. “Neste ano, ainda não houve pedido de RJ por empresa de açúcar e álcool.”

Tempestade perfeita

Haaland explica que, assim como outros segmentos do agronegócio, o setor sucroenergético do País se beneficia da alta do dólar, que estimula as exportações brasileiras, e dos preços internacionais da commodity. A geração de caixa é maior, permitindo às empresas reestruturar passivos e saldar dívidas.

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