Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

CTNBio pede informações adicionais para prosseguir com avaliação sobre trigo transgênico

Empresa Tropical Melhoramento & Genética quer importar e comercializar no Brasil a variedade HB4 do cereal, que foi aprovada para cultivo na Argentina no ano passado

Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2021 | 22h08

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) decidiu solicitar informações adicionais para prosseguir com as análises sobre eventual liberação comercial de trigo transgênico para consumo humano e animal no Brasil, conforme informação repassada pela comissão ao Estadão/Broadcast. A decisão foi tomada nesta quinta-feira, 10, durante a 242ª reunião ordinária do colegiado, que ocorreu de forma sigilosa.

A solicitação de informações adicionais foi encaminhada ao requerente do pedido, a empresa de sementes Tropical Melhoramento & Genética (TMG). O pedido para importação e comercialização de trigo transgênico no País foi protocolado pela TMG junto à CTNBio em processo em 28 de março de 2019.

A variedade do cereal geneticamente modificado avaliada pela comissão é a HB4, da argentina Bioceres, aprovada para cultivo na Argentina em outubro do ano passado - país de onde os moinhos brasileiros adquirem cerca de 85% do cereal que importam. Esse tipo de trigo é capaz de suportar a seca e cargas maiores do agrotóxico glufosinato de amônio, agrotóxico 15 vezes mais tóxico do que o glifosato, proibido na União Europeia por ser bastante nocivo à saúde. As substâncias podem causar danos genéticos e levar até a mutações das células.

Em audiência pública sobre o tema realizada em 22 de outubro do ano passado pelo CTNBio, especialistas questionaram o pedido da Tropical Melhoramento & Genética (TMG) e alertaram que o estudo feito pela empresa para detectar se o trigo transgênico é capaz de causar alergias ou danos ao meio ambiente tinha falhas metodológicas.

No entanto, já em novembro de 2020, a liberação comercial do cereal no país recebeu parecer favorável à aprovação (deferimento) das Subcomissões Setoriais Permanentes de Saúde Humana e Animal da CTNBio, e parecer pela diligência das Subcomissões Setoriais Permanentes Vegetal e Ambiental, segundo informações públicas da comissão.

A CTNBio, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é o órgão responsável no governo federal por questões relacionadas à biossegurança de organismos geneticamente modificados.

Oposição

A possível aprovação do trigo transgênico não é bem recebida pela indústria de derivados de trigo. Procurada pelo Estadão/Broadcast, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), que representa a indústria moageira, disse que a entidade é contrária ao uso do trigo geneticamente modificado. A associação afirmou que estava solicitando às entidades governamentais brasileiras que não autorizassem a comercialização desses produtos no Brasil.

A Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) também já disse não apoiar a comercialização do cereal transgênico no País. /COLABOROU JULIANA CARREIRO

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