Adilvan Nogueira/Estadão
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De olho em setor bilionário, Aqua compra Verde Agrícola

É a segunda aquisição do fundo de investimento em agronegócio para sua plataforma de maquinário, mercado que movimenta R$ 7,5 bilhões por ano, incluindo as concessionárias de grandes montadoras

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 06h16

O Aqua Capital, um dos principais fundos de investimento em agronegócio do Brasil, acaba de comprar a Verde Agrícola, revenda de peças para motores e sistemas de transmissão de máquinas agrícolas com 14 mil clientes no País. É a segunda aquisição do Aqua para sua plataforma de maquinário, mercado que movimenta R$ 7,5 bilhões por ano, incluindo as concessionárias de grandes montadoras do setor. Gustavo Pimenta, sócio responsável pelo negócio, não revela o valor da transação, mas diz que os investimentos na Verde e na Rech Agrícola - primeira aposta do Aqua no setor, no fim de 2018 - somam cerca de R$ 100 milhões. Juntas, as duas empresas devem faturar R$ 200 milhões em 2020. “O parque de máquinas brasileiro vem aumentando e com um uso cada vez mais intenso. O segmento de peças cresce de 7% a 10% ao ano, mas é muito pulverizado”, explica.

Atento

Os planos são de expandir as empresas que receberem investimento, incluindo abertura de lojas, e fazer aquisições que complementem o portfólio. Segundo Pimenta, uma possibilidade seriam revendas de peças para tratores leves. Para se destacar entre concessionárias de montadoras e demais concorrentes, outra estratégia é ter fornecedores locais e no exterior que garantam preços atrativos sem pecar na qualidade.

Alcance

Em 2021, o Aqua continuará expandindo a presença física da Rech Agrícola em regiões produtoras - a ideia é manter a média de cinco novas lojas por ano. Entre 2018 e 2020, a Rech saiu de 2 para 13 unidades, no Centro-Oeste e Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). A Verde tem mais força no Sul e Sudeste, com vendas online e por televendas.

Oportunidade

A empresa de nutrição animal Vaccinar vai investir R$ 15 milhões na construção de uma fábrica e de um centro de distribuição em Araguaína (TO), município estratégico pela produção de bovinos de corte. A fábrica, que deve começar a operar em abril, atenderá a demandas de mercado de Maranhão, Pará e Tocantins, diz Nelson Lopes, CEO da Vaccinar.

Impulso

A empresa está construindo outra fábrica em Goianira (GO), a ser concluída no segundo semestre de 2021. Com as novas unidades e o aumento da produção nas outras seis plantas, localizadas em Minas Gerais, no Paraná e no Piauí, a Vaccinar deve produzir mais de 400 mil toneladas anuais em 2021. Hoje são 344 mil toneladas por ano de rações, premixes, concentrados, entre outros produtos.

Mesa farta

A BRF reforça seu portfólio para o Natal e o ano-novo com o lançamento de 14 produtos comemorativos - ante 3 no ano passado. Diversificar tem sido o lema da empresa neste ano atípico. Até setembro, 91 produtos, entre itens de food service e varejo, além de linhas vegetarianas e orgânicas, chegaram ao mercado. Sidney Manzaro, vice-presidente de Mercado Brasil da BRF, garante que, até fevereiro, serão mais 46 itens, somando 137 desde o início de 2020. “Há lançamentos em várias frentes, dentro da proposta da empresa de não ser restrita à proteína animal, e sim provedora inclusiva de alimentos.”

Passe livre

A Tereos espera reduzir em 25% os custos de transporte de açúcar para exportação após inaugurar dois armazéns em parceria com a VLI, empresa de logística. O grupo francês prevê exportar cerca de 1,15 milhão de toneladas do adoçante nesta safra, 60% a mais ante 2019. “Teríamos problemas se tudo isso fosse levado ao porto em caminhões”, diz Jacyr Costa, diretor da Tereos no Brasil.

De vento em popa

Por ferrovia, a VLI estima levar mais de 5 milhões de toneladas de açúcar até o Porto de Santos (SP) nesta safra, volume recorde. Um dos armazéns fica em Guará (SP) e o outro no Tiplam, terminal da VLI em Santos. O investimento foi de R$ 205 milhões - R$ 145 milhões da Tereos e R$ 60 milhões da VLI. Na inauguração, nesta segunda-feira, é esperado o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. 

Bola de cristal?

Empresas de agroquímicos traçam cenários para evitar em 2021 o que aconteceu neste ano. Em fevereiro, a indústria havia negociado metade dos defensivos para a safra 2020/21 com preços em real tomando por base um dólar de R$ 4,10 a R$ 4,15 no ano. Mas, na hora do pagamento, a cotação estava bem acima de R$ 5. “A pandemia levou o dólar a R$ 6. Todos perdemos e agora temos de adivinhar o câmbio do ano que vem”, diz Julio Borges Garcia, presidente do Sindiveg, que representa o setor.

Certifica

Os adjuvantes, produtos usados com defensivos para aumentar a eficácia da pulverização, passarão a ter um selo. O Programa Adjuvantes da Pulverização vai certificar itens da categoria, a partir de análise do Instituto Agronômico (IAC), dando mais segurança ao produtor. No País, os adjuvantes não precisam de registro no Ministério da Agricultura, daí a necessidade de uma “base técnica para orientar o agronegócio”, diz Hamilton Ramos, coordenador da iniciativa. Os testes serão bancados pelo programa, financiado com recursos privados. / CLARICE COUTO, LETICIA PAKULSKI, AUGUSTO DECKER, TÂNIA RABELLO e TOMAS OKUDA

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