Agustin Marcarian/Reuters
Agustin Marcarian/Reuters

Em meio à crise, Argentina estatiza 4º maior exportador de soja do país

Grupo Vicentín acumula dívida de US$ 1,5 bilhão, está sendo investigado pela Justiça e já havia pedido recuperação judicial em fevereiro

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2020 | 22h06

Após anunciar, na última segunda-feira, 8, a estatização da empresa Vicentín, o presidente argentino Alberto Fernández afirmou se tratar de uma medida “excepcional”. “A desapropriação da Vicentín é uma decisão excepcional. Devido à sua natureza estratégica, o Estado interveio. O Estado não pode se encarregar da economia privada. Pode se encarregar de uma situação como essa, de um grupo empresarial pelo qual passam 13% das exportações de grãos da Argentina”, disse Fernández ontem a uma rádio local.

“Estamos assumindo uma empresa falida. (...) Ninguém pode pensar seriamente que temos como política permanecer em empresas privadas, essencialmente porque não acredito nisso”, acrescentou. Fernández enviará ao Congresso um projeto de lei para fazer a desapropriação. O plano do governo é passar os ativos da Vicentín para um fundo fiduciário administrado pela YPF Agro, subsidiária da petroleira estatal YPF. 

Com dívida de US$ 1,5 bilhão, o grupo Vicentín é o quarto maior exportador de soja do país e havia pedido recuperação judicial em fevereiro. Seu principal credor é o estatal Banco de La Nación, com US$ 300 milhões da dívida.

A Vicentín foi uma das maiores doadoras para a campanha do ex-presidente Mauricio Macri e vem sendo investigada, assim como o Banco de La Nación, por causa dos empréstimos concedidos pela instituição financeira. Parte dos financiamentos saíram quando a companhia já estava em uma situação financeira complicada.

A notícia de expropriação acendeu o sinal de alerta em entidades empresariais e financeiras argentinas. Em 2008, a então presidente e hoje vice-presidente, Cristina Kirchner, estatizou a companhia aérea Aerolíneas Argentinas, que também estava endividada à época.

“Não acredito que isso possa se repetir com outras empresas, mas passa um sinal muito ruim (aos investidores)”, disse o economista Andrés Borenstein, da consultoria Econviews e professor da Universidade Torcuato di Tella.

O grupo Vicentin atua na produção e exportação de óleos de soja e girassol e farelo de soja, processamento de algodão, produção de biodiesel, suco de uva, vinhos, armazenamento e exportação de mel e carne. Com 2.600 funcionários, possui ativos no Brasil, no Uruguai e no Paraguai./COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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