André Dusek/Estadão - 21/3/2017
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Frigol aposta em valor agregado para crescer 

Para o atual ano, além da exportação, que deve representar 50% das vendas, ante 44% em 2020, está investindo na rede de distribuição no Brasil com foco em produtos de maior valor agregado

Coluna do Broadcast, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2021 | 07h43

A Frigol espera fechar 2021 com faturamento 25% maior, de cerca de R$ 3 bilhões. A empresa já vem de bons resultados em 2020, com aumento de receita de quase 30%. Para o atual ano, além da exportação, que deve representar 50% das vendas, ante 44% em 2020, está investindo na rede de distribuição no Brasil com foco em produtos de maior valor agregado. Entre as apostas estão a ampliação do portfólio de produtos, programa de televendas e a recém-lançada plataforma de e-commerce B2B, voltada para empresas do comércio de alimentos. 

O segmento de carnes especiais e industrializados hoje representa 25% das vendas no mercado interno, e o plano é aumentar em 30% essa contribuição, afirma Marcos Câmara, CEO da empresa. O interesse por carnes processadas cresceu na pandemia, com mais pessoas em suas casas. Para a Frigol, a aposta no segmento busca melhorar as margens de lucro em um cenário de custo alto da matéria-prima e dificuldade de repasse em produtos in natura. “Temos que criar valor alcançando novos nichos”, diz o executivo.  

Bem definido

A Frigol tem duas unidades de carne bovina habilitadas para embarcar à China, em Lençóis Paulista (SP) e Água Azul do Norte (PA), e aguarda a liberação de uma terceira, em São Félix do Xingu (PA). Com esta última, o objetivo principal é atender Israel. “As plantas em Lençóis e Água Azul estão focadas no país asiático. Já a de São Félix está voltada ao mercado kosher, e a de Cachoeira Alta (GO), para o mercado interno e outros mercados alternativos de exportação”, conta Câmara.

Olhar no entorno

Diversificar mercados é a meta. Em 2020, a China (incluindo Hong Kong) representou cerca de 75% das exportações da Frigol. Neste ano, o volume enviado ao país deve se manter ao redor de 40 mil toneladas, mas a participação chinesa tende a cair para 60% a 65%. “A intenção não é tirar o pé da China, mas aumentar a participação em outros mercados, de maneira a diluir o peso do país nas exportações, mas sem redução nominal dos embarques para lá”, enfatiza Câmara. A empresa quer ganhar espaço principalmente no Oriente Médio e na América do Sul.

Aposta

Com investimento de R$ 60 milhões, a unidade da JBS em Jaguariúna (SP) coloca em operação neste mês uma nova área, que deve elevar em 67% a produção de mortadela defumada da linha Seara Gourmet. “Estamos tendo sucesso na estratégia de investir em produtos premium, de valor agregado”, conta Ricardo Santini, diretor industrial de alimentos preparados da Seara. “O mercado está crescendo.” 

Diferencial

Santini diz que a pandemia de covid-19 e a alta dos custos tiveram efeito limitado sobre a categoria de produtos premium e que não vê necessidade de repasse aos preços neste momento. “Esses itens têm boa margem”, explica.

Mercado aquecido...

A indústria de massas, biscoitos, pães e bolos prevê faturar 10% mais com exportações neste ano. Com a pandemia de covid-19 e mais pessoas em casa em todo o mundo, a receita em 2019 já havia crescido 15%, para US$ 196,3 milhões.

...e em expansão

Cláudio Zanão, presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), diz que a China tem potencial de crescimento no setor. “Está entre os mercados-alvo. Mantemos um cuidadoso olhar para o país.” Só em 2020, os chineses desembolsaram 120% mais em compras do Brasil nesse segmento.

Sustentável

A Agrorobótica, startup especializada na certificação de estoques de carbono no solo e nutrientes nos solos e plantas, pretende atingir uma clientela de 600 produtores, 50% mais que em 2020. “Temos trabalhado muito forte nos últimos anos com cana, soja, milho, café e citros”, diz Fábio Angelis, sócio fundador e CEO da Agrorobótica. A meta é triplicar o faturamento em 2021. “Nossa agricultura é sustentável e está na hora de o produtor receber por isso”, afirma. 

Parceria

A startup, fundada em 2015, nasceu de uma pesquisa desenvolvida em parceria com a Embrapa Instrumentação, de São Carlos. A Agrorobótica tem hoje um convênio de cooperação técnica com a unidade, pelo qual paga royalties para explorar com exclusividade tecnologia que combina análise fotônica (raio laser) com inteligência artificial, usada para analisar amostras do solo e folhas. Em 2018, recebeu investimento do Embrapii e, em 2019, da NTAgro, investidora de startups voltadas ao agronegócio. / JULLIANA MARTINS, LETICIA PAKULSKI, AUGUSTO DECKER E ISADORA DUARTE 

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