Hélvio Romero/ Estadão - 24/5/2013
Hélvio Romero/ Estadão - 24/5/2013
Imagem Coluna do Broadcast Agro
Colunista
Coluna do Broadcast Agro
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Grupo alemão DVA investe no Brasil e na Argentina

Para o Brasil, a expectativa é fechar 2021 com vendas de R$ 18 milhões, nos segmentos de adjuvantes e nutrição vegetal; nos próximos anos, o portfólio deve crescer à medida que forem obtidos novos registros de defensivos químicos e biológicos

Leticia Pakulski, Clarice Couto e Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2021 | 04h00

O grupo químico alemão DVA acaba de inaugurar dois laboratórios de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados para o agronegócio. Um está no Brasil e outro na Argentina, mercados que receberão, cada um, investimento de US$ 100 milhões até 2025. “Argentina e Brasil são países-chave para a estratégia de crescimento da companhia”, diz João Aleixo, diretor executivo global de agro. Para o Brasil, a expectativa é fechar 2021 com vendas de R$ 18 milhões, nos segmentos de adjuvantes e nutrição vegetal. Nos próximos anos, o portfólio deve crescer à medida que forem obtidos novos registros de defensivos químicos e biológicos. “Em 2025, o Brasil vai representar provavelmente metade do nosso negócio global”, projeta Aleixo. Para a Argentina, a expectativa é ampliar em 25% o faturamento em 2021, para US$ 60 milhões. A América Latina representa 70% das vendas da divisão de agro do grupo.

Volta

A DVA retornou ao Brasil em setembro passado – em 2015 vendeu sua operação local para a UPL. Antes voltada para produtos genéricos, agora aposta no desenvolvimento de tecnologias próprias, por isso os laboratórios de pesquisa. Por ora, produz em fábricas de parceiros no País ou importa da Argentina e da Espanha, mas prevê construir uma unidade local a partir da metade de 2024, no Estado de São Paulo, com investimento previsto de US$ 20 milhões. 

Inverte

Atualmente, frutas, vegetais e café representam 80% das vendas no Brasil, e soja, milho e algodão, 20%. Com a inauguração do laboratório e as aprovações de registros no País, a expectativa é inverter essa proporção. “A partir do momento em que entrarmos com proteção de cultivos e biológicos, passaremos a ter 70% vindo de soja, milho e algodão e 30% de frutas, vegetais e café”, afirma Aleixo.

Em alta conta

O apoio de produtores rurais ao presidente Jair Bolsonaro deve ajudar o setor a obter do Tesouro mais recursos para a safra 2021/22, que começa em 1.º de julho, diz à coluna uma fonte do mercado financeiro. Para subsidiar taxas de juros na temporada 2020/21, o Tesouro ofereceu R$ 11,5 bilhões. O pedido do Ministério da Agricultura para 2021/22 é R$ 15 bilhões, já que a Selic está em 3,5% e deve chegar a 4,25% nesta semana, na avaliação do mercado. Há um ano a taxa era 2,25%. “O Executivo não vai querer ter desgaste com o agro, de quem tem muito apoio”, diz a fonte, citando as eleições de 2022. 

Contra o tempo

A decisão sobre o total de recursos do Tesouro para o setor precisa sair nesta semana, diz a fonte. Só com a definição do montante e com o anúncio da nova Selic, o Ministério da Agricultura poderá estabelecer as taxas de juros do Plano Safra 2021/22. Há expectativa de que o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúna para bater o martelo sobre as regras para a próxima temporada na quinta-feira (17). Assim, o plano seria lançado entre 21 e 25 de junho e instituições financeiras teriam em torno de uma semana para preparar seus sistemas.

No zap

A Novozymes, de soluções biológicas e inoculantes para soja e milho, viu suas vendas no Brasil migrarem para o online. “100% da comercialização neste ano foi pelo WhatsApp”, conta Maximiliano D’Alessio, diretor de Operações na América Latina. Em 2020, quando a pandemia de covid-19 inviabilizou as visitas presenciais, 80% das vendas da empresa no País foram fechadas na plataforma.

Pá pum

Com a divulgação digital, em três meses a Novozymes vendeu de um novo inoculante para a safra de soja 2021/22 50% do volume esperado para a temporada. Para reforçar a estratégia, vai inaugurar nesta semana uma loja virtual dentro da plataforma de marketplace Agrofy. Investiu no e-commerce cerca de 2,5% do faturamento obtido no País no ano passado.

Expande

A agtech israelense SeeTree, de captação de imagens aéreas e monitoramento digital de culturas permanentes, vai ampliar a atuação no Brasil. Até o fim do ano que vem pretende monitorar também plantações de café e de eucalipto. Hoje se concentra em pomares de citros. “Estamos em fase de testes das soluções nestas culturas”, conta Denis Silveira, gerente nacional. A startup atua principalmente no Estado de São Paulo. 

Promissor

No País há 18 meses, a agtech prevê dobrar a área de cobertura no fim de 2022. “Já temos milhões de laranjeiras digitalizadas”, diz o executivo. A SeeTree atua também nos Estados Unidos, México, Chile e África do Sul. A meta é supervisionar 1 bilhão de árvores de café, eucalipto, citros, palma, amêndoa e avelã até 2023 no mundo, ante mais de 50 milhões atualmente.

Bate-papo

Representantes de caminhoneiros se reuniram na última semana com empresários do setor de biodiesel para conversar sobre o encarecimento do óleo diesel e a redução da mistura obrigatória do biocombustível no diesel. Um interlocutor afirma à coluna haver entendimento de que algumas pautas podem ser trabalhadas em conjunto, como a questão tributária. Um dos desejos dos caminhoneiros é a isenção do PIS/Cofins para o biodiesel.

Tudo o que sabemos sobre:
agriculturaDVAagronegócio

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.