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Incerteza política e juro alto levam Comigo a reduzir investimentos em 2022

Cooperativa goiana investia R$ 200 milhões por ano desde 2019

Clarice Couto, Augusto Decker, Isadora Duarte e Tânia Rabello, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2021 | 05h00

Após investimentos de R$ 200 milhões por ano desde 2019, a cooperativa goiana Comigo cortará pela metade os aportes em silos, lojas e indústrias. Antonio Chavaglia, seu presidente, prevê desembolsar cerca de R$ 100 milhões em 2022. “Será um ano de incerteza política e os juros estão muito altos para investimentos. Vamos engavetar projetos e esperar as eleições.” O custo dos armazéns também subiu, seguindo a valorização do aço, diz. Do valor previsto, ao redor de R$ 40 milhões vão para um terminal de transbordo em Palmeiras de Goiás, a ser construído com a Rumo, que permitirá carregar grãos em trens que passam pela região. Serão abertas, ainda, duas lojas, em Pontalina e Nova Crixás, elevando o total a 19, e armazéns.

Resultado positivo à vista

Apesar do pé no freio, Chavaglia espera fechar 2021 com faturamento 47% maior que o de 2020, próximo de R$ 10 bilhões, e o ano que vem com R$ 12 bilhões. O número de associados, de 8,5 mil no início do ano, hoje chega a 9,5 mil e ao fim de 2022 deve somar 10,5 mil.

Produção em alta, retorno incerto

A Comigo recebeu de cooperados, em 2021, 3 milhões de toneladas de grãos e espera, para o ano que vem, 3,3 milhões de toneladas. “Na safra 2021/22 o produtor deve ter bom resultado, pois comprou insumo mais barato. Da 2022/23 não se sabe: o custo dobrou e alguns insumos estão em falta”, alerta Chavaglia.

De volta

A demanda da suinocultura brasileira por automatização e maior bem-estar animal atraiu para o País a austríaca Schauer Agrotronic, de soluções para alojamento coletivo de matrizes suínas em gestação. Após atuar três anos por meio de distribuidores, agora a empresa está estruturando uma equipe local. “Entre 8% e 10% das granjas investem nesse sistema. Há potencial de crescimento”, diz Monalisa Gomes, gerente regional para América Latina e Ibéria. Hoje, a Schauer atende a grandes do setor, como BRF e Euclides Costenaro.

Sem exagero

De olho no mercado mais exigente, a Ingredion, que tem sede nos Estados Unidos, está reforçando no Brasil o investimento em produtos que ajudam a substituir ou reduzir o açúcar. A estratégia ganhou força após a Anvisa, no ano passado, aprovar regra que obriga as empresas a informar na embalagem de produtos a quantidade de açúcar e a destacar se o teor for alto. Pesquisa da Atlas mostrou que consumidores na América Latina consideram importante constar das embalagens informações como “sem adição de açúcar” (73% dos entrevistados) e “açúcar reduzido” (74%).

Saúde

“A mudança nas embalagens é uma tendência global”, afirma Jorgen Kokke, presidente da Ingredion para a América. “Vimos isso em países como Chile e México. Governos querem assegurar que as pessoas comam alimentos saudáveis.” Hoje, a América do Sul é o segundo maior mercado da companhia, depois da América do Norte. No terceiro trimestre deste ano, a receita líquida da companhia na região subiu 16%.

Veloz

Após concluir a captação de um total de R$ 100 milhões para seu primeiro Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro), no fim de novembro, a Valora Investimentos prevê alocar os recursos já no primeiro mês. Guilherme Grahl, associado da gestora, diz que, antes da operação, a equipe já tinha “ativos de qualidade” identificados para receber o dinheiro.

Interesse

O executivo da Valora Investimentos conta que houve boa procura pelo produto. “O mercado em geral está em momento difícil, então acho que foi um bom resultado nesse contexto”, disse ele, citando a performance do Ibovespa nas últimas semanas. O Fiagro da Valora vai focar investimentos em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), que são títulos de renda fixa com lastro em dívidas do setor agropecuário.

Um tiro no pé do produtor de biodiesel

O governo decidiu que a mistura de biodiesel no diesel continuará em 10% em 2022, contrariando produtores do biocombustível, que esperavam o índice de 14%. “Entidades do setor mostraram que a mudança não traria impacto no preço final”, disse o deputado Pedro Lupion (DEM-PR). “Não é justo que o agro pague a conta do barril de petróleo.”

Agricultura lançará selos de indicação geográfica

O Ministério da Agricultura lançará, nesta quarta, os Selos Brasileiros de Indicação de Procedência e de Denominação de Origem. Assim, as 98 certificações reconhecidas regionalmente poderão pleitear o selo nacional, diz a coordenadora de Indicação Geográfica de Produtos Agropecuários, Débora Santiago.

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