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Itaú BBA quer atender gama maior de clientes no agro 

Ter uma equipe com experiência no setor é o ponto de partida para o Itaú BBA

Clarice Couto, Leticia Pakulski, Isadora Duarte e Julianna Martins, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2020 | 06h23
Atualizado 29 de junho de 2020 | 13h50

Com uma carteira formada por grandes produtores rurais, que têm receita superior a R$ 30 milhões ao ano, o Itaú BBA agora amplia o leque. A estratégia é atrair os que faturam acima de R$ 5 milhões por ano e incluir toda a cadeia, dos fornecedores de insumos a tradings e frigoríficos. “Saímos de um universo potencial de mil grupos econômicos para outro de 20 mil produtores”, estima Pedro Fernandes, diretor de Agronegócio. Em maio, a carteira de agro do banco, sustentada por produtores, tradings, cooperativas e usinas, chegava a R$ 38,5 bilhões, 28% maior do que há um ano. A nova base de clientes deve elevar esse total para cerca de R$ 47 bilhões ao fim da safra 2020/2021, sem perder de vista o grupo já conquistado. “Na indústria, atendemos desde o ‘middle market’ (empresas médias), que faturam de R$ 30 milhões a R$ 500 milhões, até as que superam R$ 500 milhões”, reforça Fernandes. 

Nos boxes

Ter uma equipe com experiência no setor é o ponto de partida para o Itaú BBA. O banco reforçou o time de profissionais para atender produtores e empresas em 26 escritórios espalhados pelo País, ante dez no começo do ano. “O que atrai o cliente do agro é o conhecimento e a oferta do produto correto, na hora e no volume corretos”, ensina Fernandes.

Nova ordem

A Selic em 2,25% ao ano e a maior familiaridade dos herdeiros com a gestão financeira devem fazer com que compras de insumos, antes feitas uma vez por ano, possam atender a mais de uma safra, enfatiza o diretor do banco. Outra tendência é concentrar empréstimos para investimentos e custeio em produtos mais simples – por exemplo, CPR – do que as linhas oficiais específicas. “Em 2020 não faz sentido montar operação preso a paradigmas do Plano Safra. É preciso olhar o longo prazo”, diz.

À espera

A Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace) aposta no Projeto de Lei 6.407/2013, que cria a Nova Lei do Gás e abre o mercado no País, para estimular o maior uso do gás natural na produção nacional de fertilizantes. “O preço do gás natural tende a cair pela metade, o que vai baratear o custo final do insumo”, diz Fillipe Soares, diretor técnico da Abrace. O gás natural é matéria-prima de adubos nitrogenados, como os que são aplicados na soja. Grandes do agro como Bayer, Cargill e Votorantim fazem parte da Abrace.

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Presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), o deputado Alceu Moreira (MDB-RS) apoia o PL em tramitação na Câmara. “A canalização do gás e a possibilidade de transformá-lo em fertilizantes é certamente um ativo de grande competitividade e redução do custo agrícola”, afirma.

In loco

Na defesa do projeto, a Abrace destaca a perspectiva de processamento maior de adubos dentro do País com a abertura do mercado do gás. “Indústrias devem ser reativadas e atrair investimentos, com a produção nacional mais competitiva”, diz a Abrace, citando a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) de Araucária (PR) da Petrobrás, hoje desativada. Mais de 80% dos fertilizantes utilizados por ano nas lavouras brasileiras são importados.

Pleno vapor

Em 2020, ano de seu cinquentenário, a cooperativa paranaense Coopavel vai investir R$ 120 milhões. Nos frigoríficos, o plano é aumentar os abates diários de suínos de 2 mil para 3 mil, e, de aves, de 180 mil para 240 mil. Já a capacidade do moinho de trigo deve subir de 480 para 650 toneladas diárias. A cooperativa prevê também ampliar em 10%, para 1,1 milhão de toneladas, a armazenagem em suas unidades de recebimento de grãos e distribuição de insumos. 

Expansão

A Coopavel inaugurou em fevereiro fábrica de fertilizantes foliares no município de Cascavel. Com investimento de R$ 12 milhões, a unidade poderá produzir até 6 milhões de litros por ano. Dilvo Grolli, o presidente, diz que o faturamento da cooperativa deve crescer 15% neste ano, para R$ 3,1 bilhões. 

Dose dupla

A Embrapa busca empresas parceiras para licenciar uma variedade de cana-de-açúcar transgênica resistente à praga broca-da-cana e ao herbicida glifosato e colocá-la no mercado. “Com menor necessidade de defensivos, o custo de produção por tonelada cairá”, diz Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa Agroenergia. O projeto da cana BtRR foi desenvolvido em parceria com a startup PangeiaBiotech. 

Sem risco

Exportadores argentinos afastam preocupação dos moinhos brasileiros em relação à oferta de trigo na temporada 2020. “O plantio avança em bom ritmo e devemos bater novo recorde de volume, sem problemas para exportação”, diz Miguel Cané, presidente da Associação Argentina de Trigo (Argentrigo). Cerca de 85% do trigo importado pelo Brasil vem do país vizinho. 

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