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Korin inaugura fábrica de bioinsumos em Ipeúna (SP)

Para se diferenciar dos gigantes do setor agroquímico que investem no segmento, a aposta da Korin Agricultura é no suporte técnico ao produtor, com foco na conservação do solo

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2020 | 05h00

De olho no crescimento do setor de bioinsumos, a Korin Agricultura e Meio Ambiente inaugurou em novembro uma fábrica em Ipeúna (SP) que quadruplicará sua capacidade de produção, para 2 milhões de litros/ano de produtos líquidos e 1.200 toneladas/ano de farelados. O investimento foi de R$ 2 milhões. Bioinsumos são produtos à base de ingredientes biológicos para uso na agricultura e pecuária, como por exemplo na proteção de plantas e nutrição de animais. “Agora temos capacidade mais robusta para atender à crescente demanda”, diz Luiz Demattê, CEO da empresa. Enquanto os bioinsumos farelados são aplicados em hortaliças, frutas e legumes, os líquidos são voltados a grãos, algodão e cana-de-açúcar. O faturamento deve crescer mais de 60% neste ano, e a expectativa é de aumento de ao menos 50% nos próximos dois anos. A participação de mercado deve aumentar em até 90% até o fim de 2021, projeta Demattê.

Concorrido

Para se diferenciar dos gigantes do setor agroquímico que investem no segmento, a aposta da Korin Agricultura é no suporte técnico ao produtor. O foco é a conservação do solo. O Centro Mokiti Okada, de pesquisas em agricultura natural, que originou as primeiras experiências do grupo em bioinsumos, foi incorporado à empresa. “O produto é uma parte, junto vai a nossa experiência para ajudar o agricultor a utilizar os recursos da natureza de uma forma sustentável e, claro, gerando produtividade e qualidade”, diz Demattê.

Incentivo

O executivo, que integra o Conselho Estratégico do Programa Nacional de Bioinsumos, diz que o marco regulatório traz confiança para as empresas. “Ao mesmo tempo em que aumenta a competitividade, crescem as chances de um bom trabalho alcançar sucesso.” Para Demattê, ainda são necessários avanços em áreas como registro de produtos e transferência de tecnologia.

Mais aos pequenos

A fintech TerraMagna, uma das dez startups selecionadas pelo Facebook para seu programa de aceleração, tem atraído investidores que querem financiar o agronegócio. Bernardo Fabiani, o CEO, prevê que o volume a ser concedido a revendas de insumos agrícolas para viabilizar compras a prazo de agricultores saltará dos atuais R$ 50 milhões para R$ 500 milhões em 2021. “Devemos chegar a R$ 100 milhões na segunda safra de milho e estruturamos outro produto que deve sair em março, de R$ 200 milhões. É realista imaginar R$ 500 milhões ao fim do ano”, diz.

Pode confiar

A TerraMagna capta recursos junto a investidores para financiar revendas, agroquímicas e tradings, que recebem antecipadamente o dinheiro a ser pago por produtores ao fim da safra. Para fazer essa ponte, conta com plataforma que reúne imagens de satélites, sensores, dados de cartório e governo para analisar o perfil de crédito dos produtores a serem financiados, assim como monitorar plantio, desenvolvimento e colheita. “Nosso sistema dá mais segurança às revendas na concessão de crédito e conforto e transparência para investidores oferecerem recursos”, explica.

Acelerada

A empresa de nutrição vegetal Satis avançou 50% em vendas nos primeiros três meses da temporada 2020/21, de julho a setembro, ante igual período do ciclo anterior. No ano-safra, que se encerra em junho, a empresa projeta incremento de 25%. Segundo Endrigo Bezerra, o CEO, normalmente o segundo trimestre, de outubro a dezembro, é o de crescimento mais expressivo, por causa do plantio de soja. Contudo, desta vez, a Satis fez um trabalho de antecipação de negócios para se precaver contra atrasos de matéria-prima devido à pandemia e ampliou vendas em mais de 300% da sua linha de biológicos, o que ajudou a puxar o desempenho.

Espalha

A Satis ampliou em 20% a quantidade de revendas onde está presente com seus produtos, trabalhando com mais de 200 distribuidores em 2020. “Estamos presentes no Brasil todo, mas ainda tem muita região descoberta. As áreas agrícolas são muito grandes”, diz Bezerra. Segundo ele, no ano que vem a ideia é aumentar a distribuição em pelo menos 15%. Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Matopiba serão os focos do crescimento.

Ação conjunta

Após pressão de mais de 160 entidades da sociedade civil daqui e do Canadá, o Brasil concordou em aprovar o orçamento da Convenção da Biodiversidade da ONU, da qual o País é signatário e que ocorrerá em maio do ano que vem, na China. A anuência de todos os 196 países-membros ocorreu na semana passada, em reunião virtual sob o comando de Montreal, no Canadá, relata Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam). Ele esclarece que, sem a exigida unanimidade, os trabalhos para a convenção ficariam bloqueados.

Café pequeno

O representante da ONG, que foi uma das que pressionaram por meio do documento, conta que “unicamente o Brasil” estava criando obstáculos, como a objeção ao fato de a reunião “sediada” por Montreal estar sendo realizada de forma online – dada, obviamente, a pandemia de covid-19. “O Brasil, porém, abriga 20% da biodiversidade global e deve comportar-se à altura de seu patrimônio genético, sem criar desgastes desnecessários”, defende. 

 

LETICIA PAKULSKI, CLARICE COUTO e TÂNIA RABELLO

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